Crítica | Emoji: O Filme

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Às vezes é de se pensar como surge uma ideia de um filme, talvez essa pergunta não tenha uma resposta, ou talvez ela seja tão aleatória que é melhor nem se perguntar. Imagina: um homem mexendo no celular escolhendo um emoji para envio, ele para e pensa, por que não fazer o filme sobre isso? A resposta deveria ter sido não, mas provavelmente seria a melhor escolha.

O fato é que Emoji: O Filme chega aos cinemas e estar diante dele é uma experiência um tanto quanto conturbada. O longa parte de um princípio básico de que há um mundo dentro dos celulares, e cada aplicativo seria uma espécie de cidade, ou coisa do gênero. Lá cada emoji um tem sua função, e a principal delas é trabalhar para o celular, ficando disponível para que possam ser escolhidos, escaneados e enviados por mensagem, respeitando aquilo que são. A animação acompanha a história de um emoji que está prestes a começar a trabalhar, ele é a cara de indiferença, chamado de “Éh”, todavia o protagonista não consegue fazer apenas uma cara, sendo capaz de reproduzir todas as outras expressões. Sendo impossível alguém escolhê-lo por essa característica.

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O filme segue uma estratégia de mostrar a vida desses emojis conectadas ao de seu dono, o responsável pelo celular. Assim, aquilo que os personagens baseados em emoticons realizam altera a vida – até certo ponto – daquele menino. Assim, o personagem que não pode ser apenas uma expressão de indiferença parte em busca de ajuda, com uma emoji que saiu do aplicativo e agora vive como hacker, tendo companhia do personagem Hi-Fi, que busca ajuda para voltar ser um dos populares.

É até difícil explicar quem são esses personagens, não só por sua falta de nomes, mas também pela escassez
de características que vão além daquela imagem que os define como emoticons, sendo figuras sempre muito rasas longe de alcançar algum interesse. Além disso, a jornada desses emojis é um tanto quanto desinteressante, parecendo mais um institucional criativo, do que um filme bem apresentado. Cada vez que eles entram em algum aplicativo é uma extensa propaganda dos dispositivos de celular. Aqueles mundos digitais nunca fogem do óbvio, e o que fica na cabeça do espectador são os nomes do Spotify, Just Dance e tantos outros aplicativos digitais.

Se esses mundos são óbvios, apenas reforçando identidades visuais desses aplicativos – as ondas sonoras do Spotify, a pista de dança do Just Dance – as ideias contidas na direção de Emoji: O Filme são igualmente preguiçosas. O longa não faz questão nenhuma de apresentar algum diferencial, ou mesmo trazer algum resquício de particularidade. Não, Emoji: O Filme se resume e se contenta em repetir fórmulas visuais que já deram certos em outro filme. Emoji: O Filme visualmente remete a uma série de animações da Pixar, ou até mesmo Meu Malvado Favorito, falando do design dos seus cenários e personagens, tentando agradar através de outros trabalhos já realizados.

Se o lugar comum no âmbito visual é totalmente perceptível, no conteúdo de Emoji: O Filme é ainda pior. Se pelo menos o longa tenta se comunicar de alguma maneira, por outro faz isso de maneira totalmente atabalhoada, sem saber realmente que caminho seguir e qual mensagem realmente deseja transmitir. Logo de início, Emoji parece constituir uma crítica ao uso exacerbado da tecnologia por parte dos jovens, entrando num discurso óbvio sobre a incapacidade de se comunicar sem a presença dessa interação digital. Por outro lado, a história do emoji protagonista entra naquela questão da pessoa que não se encaixa nas regras e busca por uma adequação, para depois perceber que sua qualidade está justamente em aceitar suas diferenças.

Mesmo que esses sejam lugares óbvios dentro de qualquer narrativa, o filme nem mesmo consegue manter seu discurso, fazendo com que o roteiro se perca em suas próprias temáticas. O que antes poderia ser uma crítica ao uso do celular e tecnologia, de repente torna-se uma celebração dessa própria utilização, como se a possível falta de celular que o garoto passa fosse uma possibilidade que ele perdia de se comunicar. O mesmo ocorre no âmbito do emoji protagonista, no qual o fato dele ser diferente deixa de ser aceitação para se tronar uma característica especial, fazendo com que de renegado ele passe a ser um emoji especial, o único capaz de reverter àquelas situações. Emoji não consegue nem mesmo se concentrar no discurso e mensagem que deseja transmitir.

Se só isso não bastasse, Emoji: O Filme é recheado de piadas forçadas, fazendo trocadilhos sobre a figura que os emojis representam (sim, todas imagináveis com o personagem do cocô). Com isso, o longa não possui nenhum timing cômico, onde as piadas parecem apenas jogadas em diversas falas. Esse problema afeta todo o longa, e o problema de timing torna-se problema de ritmo, onde as informações parecem jogadas, sem necessariamente estar envolvendo o espectador.

Emoji: O Filme com apenas uma hora e 26 minutos parece durar uma eternidade, com um humor que não faz rir e sendo totalmente falho ao apresentar qualquer mensagem. Talvez, aquela ideia genial que alguém teve mexendo no celular não deveria ter saído do papel.

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