Crítica | Rifle

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Ao olharmos para grande parte da atual produção cinematográfica, parece ser cada vez mais difícil encontrar filmes que funcionam visualmente sendo independentes de qualquer outro aspecto narrativo, sejam eles seus sons, seus diálogos ou mesmo suas cores. Justamente o que salta aos olhos em Rifle é que ele funcionaria mesmo se ele se tornasse um filme mudo em preto e branco. E funcionaria bem.

Sem tirar o mérito do bom trabalho sonoro onde as bucólicas paisagens sulistas são invadidas e trespassadas constantemente por carros, caminhonetes e caminhões, ou onde a cacofonia urbana contrasta com o barulho das ovelhas e dos tiros no campo, o longa dirigido por Davi Pretto apresenta, em suas próprias palavras, “um filme sobre identidade num interior esvaziado, pós-êxodo rural, no extremo sul do Brasil, que força todos a perseguirem a mesma vida urbana.”

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Não é à toa que boa parte das personagens do filme, interpretadas por atores não profissionais, têm o mesmo nome das pessoas que as interpretam. Essa aproximação das personagens com os atores, todos da região onde as gravações foram realizadas, são mais um indício de que esse filme, na verdade, pode se tratar de um ensaio que se aproxima do documental sobre a situação interiorana depois desse massivo movimento de migração.

Há algum tempo, o aclamado diretor Sidney Lumet (diretor de “12 Homens e uma Sentença” e “Um Dia de Cão”) afirmou que em seus filmes as locações eram personagens, uma vez que a cidade é capaz de retratar o estado de espírito que uma cena precisa.

Tendo em vista essa fala de Lumet, um dos grandes trunfos de Rifle é usar suas paisagens como uma das principais personagens dessa história. Uma personagem exaurida que parece se recusar a aceitar qualquer tipo de mudança, ou melhor, que se recusa a aceitar mais mudanças ainda. Nesse caso, Dione não deixa de ser esse local. Uma personagem violenta cujo passado e o futuro parecem embaçados.

O rifle, objeto com o qual Dione tenta impedir que qualquer tipo de alteração ocorra naquele lugar, afasta tudo que se aproxima e passa por ali, isolando cada vez mais essas terras. O protagonista de passado indefinido quase não fala e muitas vezes nos perguntamos se essas personagens estão realmente se ouvindo ou se acabam sendo tomadas pelo silêncio daquele local, só captando as interferências externas que passam por ali.

Nesse longa, por mais que tenha faltado um pouco de desenvolvimento das personagens (mesmo que a monótona rotina e um passado obscuro tenham ambos sido sugeridos) e que ainda estejamos em meados de 2017, temos sem dúvida uma das grandes façanhas visuais nacionais a chegar nos cinemas nesse ano.

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