Dirigido por Júlia Murat (Histórias que Só Existem Quando Lembradas) e estrelado por Raquel Karro e Rodrigo Bolzan, Pendular é um filme que explora a incomunicabilidade na relação entre uma dançarina e um escultor vivendo juntos em um galpão enquanto ela ensaia incessantemente e ele prepara um novo projeto.

Com boas coreografias de dança e uma ótima direção nessas cenas, onde cortes são utilizados com frequência sem cair em erros de continuidade e usando bons quadros que dão uma sensação mais fluida de movimento, é exclusivamente nessas cenas que Pendular encontra seu mérito.

Baseado na performance Rest Energy, de Marina Abramović, uma aclamada artista nascida na Sérvia, onde ela e Ulay, seu companheiro na época, se equilibravam enquanto ela segurava um arco e ele uma flecha que apontava para seu coração, Pendular joga com a incomunicabilidade em uma relação onde as duas personagens principais parecem demasiadamente alheias uma a outra.


Desde a primeira cena onde os dois aparecem demarcando os espaços que usam para criar, mostra-se uma espécie de embate entre o casal e, dali em diante, em nenhum momento essa relação parece perfeitamente harmoniosa. Porém, todas as crises e essa excessiva repetição de cenas de ensaio e de construção parecem não levar a lugar nenhum durante o longa.

Talvez seja por justamente se tratar do processo que uma boa situação do filme acaba parecendo completamente desperdiçada: Quando a mulher, desde o início intrigada com um fio que passa pelo meio do apartamento, questiona o homem sobre aquele objeto, ele diz que o lugar para onde esse fio está indo não importa, em uma metáfora de como o processo pode ser mais importante do que o resultado. Porém, no caso dos dois, nem o processo parece ter sido satisfatório.

Nessa trama morna em que dos poucos personagens externos se destacam um amigo designer, que busca criar um cartaz para a nova apresentação da mulher enquanto ela questiona seus desenhos, e um crítico de arte que questiona a demora que o homem tem em montar uma nova exposição, a maior crise do filme é resolvida de maneira abrupta e acaba sendo desperdiçada em poucos minutos com um diálogo final insosso que busca – e falha – em criar um efeito verdadeiramente dramático nos espectadores justamente por não construir de uma maneira mais densa suas personagens.

Com um resultado no máximo mediano, talvez Pendular seja realmente um bom retrato de uma geração de artistas que tanto fala em produzir mas pouco produz. E produz menos ainda obras que se tornam realmente relevantes fora de seu restrito e absorto círculo criativo.

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