Quais as ansiedades, acontecimentos, crises e relações que circundaram a criação de uma obra tão aclamada?

Em Rodin, longa-metragem dirigido por Jacques Doillon e estrelado por Vincent Lindon que competiu pela Palma de Ouro no Festival de Cannes desse ano, acompanhamos o romance do icônico escultor com Camille Claudel (Izïa Higelin), sua aprendiz e amante, durante a época em que ele preparava um de seus mais icônicos trabalhos, A Porta do Inferno, que se baseia no épico poema A Divina Comédia, escrito por Dante Alighieri.

Por mais que o filme acabe falhando em traçar um panorama mais consistente do cotidiano e da vida de Auguste Rodin, alguns vislumbres de sua intrincada relação com sua família, seus críticos e clientes são mostrados, mas nunca tirando o foco do filme que é a sua relação com Camille Claudel.


Dos embates criativos até um ponto em que os dois quase se tornam concorrentes, o ponto alto da trama acaba sendo uma discussão entre os dois na qual Claudel diz para Rodin que eles são ótimos criadores, mas humanos miseráveis. Porém, isso parece não passar de apenas uma cena impactante nesse filme que, além de se dividir em episódios, nos mostra apenas flashes de acontecimentos que muitas vezes parecem isolados uns dos outros.

Na atuação de Lindon – ponto mais alto do filme – vemos silenciosamente as crises pelas quais sua personagem está passando. O peso de sua relação com os clientes, de se ver preso entre o amor por Claudel e as obrigações com sua família – da qual ele se mostra totalmente ausente, e também de seu vínculo com artistas franceses como o pintor Claude Monet e o escrito Émile Zola, além de sua relação com a imprensa da época.

Com tantos temas, o principal problema do filme é a falta de aprofundamento nessas questões, sendo que nem o romance central que é o foco dessa narrativa é tão perscrutado quanto poderia e o resultado final acaba sendo bastante irregular mesmo circundando duas figuras criativas tão enigmáticas e fascinantes como Auguste Rodin e Camille Claudel.

Apesar de explorar parte do processo criativo do escultor – até dedicando um razoável tempo de tela a explorar sua profunda relação com as texturas e com a imagem – e das boas atuações de Vincent Lindon e Izïa Higelin aliadas a uma boa direção de arte e direção de fotografia, Rodin acaba sendo um filme com uma ótima proposta mas que apresenda um resultado infindamente menor do que poderia.

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