Em um momento da história em que muitas vezes a arte é dada como morta (se essa é uma afirmação errônea ou não, ao que tudo indica estaremos sempre a debater), chega aos cinemas Manifesto, filme do diretor alemão Julian Rosefeldt com Cate Blanchett interpretando 13 personagens distintas em uma série de monólogos (e um diálogo com grandes tons de solilóquio) sempre recheados com referências a icônicos manifestos artísticos.

Nessa grande e radical brincadeira com textos como o Dogma 95, que tem entre seus autores o cineasta Lars von Trier, e O Manifesto do Senhor Antipirina, do dadaísta Tristan Tzara, entre outros, além de um tom extremamente surreal e debochado que Cate Blanchett traz para algumas das personagens que interpreta, Manifesto é capaz de provocar uma boa reflexão sobre o atual cenário da arte e de aproximá-lo – ao mesmo tempo que o contrapõe – a vanguardas e movimentos de outros períodos da história.

Ainda assim, por mais que o visual do filme acompanhe seus radicalismos com as personagens indo e voltando dentro dessa narrativa, em alguns momentos o filme se torna bastante enfadonho com falas e falas que podem acabar fazendo com que o espectador se perca no meio de tantas palavras. Mesmo que a intenção aparente ser essa, uma eterna ladainha que denuncia o esvaziamento de significado da própria arte, essa escolha acaba por tornar o filme ligeiramente menos impactante do que poderia.


Destaca-se a performance de Cate Blanchett, realmente arrebatadora na maioria desses papéis. De uma tranquilidade burguesa quase serena com um discurso recheado de escárnio até uma apatia incessante de uma mãe saindo de seu pequeno apartamento em uma gélida manhã, parece não haver nenhuma nuance que a atriz seja incapaz de trazer para suas personagens quando necessário.

Mesmo com pequenas instabilidades, Manifesto tem um visual instigante e apresenta um discurso veemente ao questionar o papel da arte na nossa sociedade de hoje, ontem e sempre.

Manifesto