Segunda metade dos anos 60: A França em ebulição em maio de 1968, cores, nouvelle vague e um diretor que alguns anos antes havia revolucionado a história do cinema com Acossado (1960) fazendo um filme maoista – tudo isso retratado no novo longa de Michel Hazanavicius, que venceu o Oscar com seu filme O Artista em 2012.

De todas as cores quase escandalosas que funcionam bem para contrastar o período tão turbulento da história que estava sendo retratado, um dos destaques do filme – além da performance de Louis Garrel como Jean-Luc Godard – é o fato de que essa narrativa em momento nenhum alivia ou romantiza a imagem desse que é um dos maiores diretores da história do cinema.

Suas contradições burguesas e seu jeito egocêntrico são retratados enquanto vemos um artista que, mesmo tendo apenas 37 anos, já se vê distante de uma juventude que não o entende (e que ele também não faz a menor questão de tentar entender). O Formidável tem divertidas cenas cômicas, mas acaba se perdendo em um ar galhofesco demais em alguns breves momentos com seu tom repleto de autoironia que às vezes escorrega.


O destaque fica realmente para as cenas em que Hazanavicius retrata de maneira cômica – e beirando o absurdo – a arrogância e o comportamento completamente infantil e birrento de sua personagem principal em relação a tudo e a todos que não concordam com ele (preste atenção na cena em que todos estão em um táxi, no debate que Godard participa na Itália ou quando ele aparece em uma assembleia).

Apesar de seus deslizes, O Formidável é um retrato divertido e com um ótimo visual de um período importantíssimo da carreira de um artista que mudou o cinema para sempre.