Dirigido por Emmanuel Gras, esse documentário vencedor da Semana da Crítica no Festival de Cannes acompanha um jovem que sonha em poder dar uma vida melhor para sua família em uma vila do Congo.

Mesmo com poucos recursos, ele fabrica carvão sozinho e viaja uma longa distância empurrando sua bicicleta para vender sua produção em uma cidade. Pouco a pouco, o homem começa a perceber o preço dos seus sonhos e também a obter os resultados de seus grandes esforços.

Nesse documentário que não tem medo de desacelerar sua narrativa para tentar deixar o espectador consciente dos gigantes esforços de seu protagonista, Makala mostra inúmeras nuances dessa jornada extremamente complexa de seu protagonista .


Um mérito incontestável desse documentário comandado por Gras é ser capaz de transmitir os silêncios dessa difícil jornada que começa com o jovem cortando uma enorme árvore e termina com a volta dele para sua vila com os resultados de seu trabalho – e para começar todo esse processo novamente.

Os olhares e as breves palavras trocadas entre ele e sua família são sempre extremamente significativas, assim como as mudanças, quando, por exemplo, ele descobre o preço das telhas que precisa para aumentar sua casa.

Sua relação com a fé também é explorada e mostra como o homem se apoia em sua crença buscando forças para continuar seu trabalho. Também são abordadas as dificuldades que encontra quando muitos moradores da cidade tentam barganhar e fazer com que ele abaixe o preço de seus sacos de carvão.

Mesmo com tantos méritos, a maior virtude desse documentário ainda é outra: Emmanuel Gras, um cineasta nascido na França, não interfere em nenhum momento. Ele se distancia – e distancia seus espectadores – da história que está sendo mostrada justamente para em nenhum momento fazer uma conexão – mas obviamente fazendo um contraste – entre viver essa jornada tão árdua e assistí-la em uma sala de cinema.

Makala é um poderoso e impactante documentário que está sem dúvida entre os melhores de 2017.