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Crítica | The Exorcist – 2ª Temporada

Publicado por Redação

16/12/2017 13:39

A história dos padres Marcus (Ben Daniels) e Thomas (Alfonso Herrera) e sua relação de tutor-pupilo permanece sendo o ponto de excelência da segunda temporada de The Exorcist, produção do canal FX com base no livro de William Peter Blatty.

Após diretamente os eventos ao final da primeira temporada, a série começa mostrando que Thomas ainda está sob o mestrado de de Marcus. Essa relação é bem comum em outros produtos de diferentes mídias. No entanto, o foco dos novos dez episódios não propuseram somente focar nas revelações e consequências das ações dos dois padres. Separadamente, a segunda temporada mostra a história de uma casa adotiva, onde Andrew Kim (John Cho) toma conta de cinco adolescentes e, por consequência, os novos casos de possessão envolveram esse pequeno grupo juvenil, atormentando um deles a ponto de ser a criança possuída durante o seriado.

Em comparação com a primeira temporada, onde o foco das possessões que trouxera os padres Marcus e Thomas para o epicentro do oculto e da parapsicologia foi a Família Rance – que logo de imediato conseguiu construir a identidade e personalidade de cada um -, nesse a empatia para com os jovens e o tutor deles, Andrew, levou certo tempo para ser acertada dentro do tom narrativo da série. Lá pelo quarto, quinto episódio foi onde começaram eventos que denotaram a relevância deles para a participação mais efetiva dos dois. Um dos elementos presentes no primeiro ano que a série conseguiu manter foi a montagem do horror sob a ferramenta da ambientação e da tensão, sem necessariamente fazer apelos para a violência. Não que a violência e o visual gráfico seriam exagerados. A dificuldade de imprimir uma certa veracidade e transmitir os sentimentos de angústia de medo através da glorificação do ato violento e de seu sangue são pautas que não fariam mais sentido.

No entanto, a utilização de uma outra plataforma de imposição do medo e do oculto pode levar a ser absorvida e entendida como uma fórmula já garantida e executada com maior precisão por outras produções do mesmo gênero, até mesmo pelo filme original de William Friedkin, de 1973. A presença do desconhecido e da possessão pelo demônio conseguem assustar quando ambas se mostram mais poderosas do que os outros personagens e, principalmente, por serem a fraqueza dos mesmos. Uma situação similar ao dispositivo de mudança no roteiro aconteceu também na segunda temporada, o que acabou acarretando em uma perda significativa de originalidade e, por consequência, mais temor pelos envolvidos nesse momento de possessão e medo.

Obviamente que, por ser uma segunda temporada e seguir uma continuação com personagens já antes vistos, há significativas melhoras em alguns deles, principalmente em um dos protagonistas. Alfonso Herrera conseguiu apresentar uma evolução não somente de si mesmo como ator para com o personagem, mas Thomas tomou proporções em um ritmo adequado, em que gradativamente o roteiro o colocou em uma posição de destaque importante, a partir da investigação de seu inerte dom na execução e condução de exorcismos, da inteligência em domar o confronto psicológico com os demônios e principalmente, compreendendo sua relação com Marcus, em alguns momentos até mesmo subvertendo o ideal de quem é o mestre e quem é o aprendiz.

Verity (Brianna Hildebrand, que interpretou a Negasonic Teenage Warhead em Deadpool) é um excelente adendo à segunda temporada e esse ponto positivo não está ligado somente a caricatura da menina má/adolescente revoltada. Na verdade, aos poucos a série vai conseguindo quebrar esse semblante e esse escudo para mostrá-la como uma pessoa meiga e caridosa com os outros e seu papel de questionadora e cética – apesar de clichê -, contrabalanceia a presença quase imponente de entidades divinas e demoníacas ao longo da série. Mesmo que ela seja essa caricatura iminente, ela é importante justamente por isso. É uma representação bem peculiar e próxima a muitos que torcem o nariz e levam de maneira contrária e cética todas as questões envolvendo Deus, o Diabo, possessões, demônios e exorcismos.

Apresentando casos novos e fazendo relações com eventos do passado de Thomas e Marcus, a segunda temporada de The Exorcist cambaleia ao longo de seus dez episódios. Sua irregularidade não é tão obvia e nem se caracteriza pela divisão dos atos ou até mesmo por seu formato episódico. Essas fraquezas são latentes ao deixar de lado certos fanatismos que são pontos justos dentro desse tipo de leitura, para focalizar em um cenário cada vez mais pessoal e insosso. O terror, propriamente dito como gênero, é condensado em poucas manifestações simbólicas e metafóricas, afinal, a validade desses contos inseridos nessa semântica se baseia também em sobre como a produção quer apresentar a discussão ao nível mais humano, mesmo que seja redobrado de eventos que desafiem essa compreensão. E é nessa falta de tentativas que a série tropeça. Não questionar como a audiência pode levar aquelas cenas e sequências para além de sua compreensão é evitar falar do horror e do oculto para estar em um território mais conhecido, mas que às vezes não é tão fértil à nível de idealização narrativa.

The Exorcist, mesmo que tenha ainda os bons elementos da primeira temporada, conseguindo os manter para seu segundo ano, também demonstra as mesmas irregularidades ao não se permitir ir além do gênero e da história. Principalmente, quando se há um material de estudo e pesquisa tão forte quanto a série possui.

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