Crítica | Correndo Atrás de um Pai

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Correndo Atrás de um Pai é um desespero atrás de um riso fácil, algo que surge muito inspirado nos besteiróis tardios como a série Se Beber, Não Case, estilo que causou sucesso logo que apareceu no cenário. Ao ver Correndo Atrás de um Pai o que se sente são ecos de filmes recentes e de uma fragilidade em todas as opções colocadas na tela, mostrando uma falta de maturidade cinematográfica para um projeto como este.

A premissa do filme é bastante simples, no dia de seu casamento, Helen (Glenn Close), uma mulher já bem madura e com a vida feita, diz para seus dois filhos de meia idade que mentiu sobre a identidade de seu pai, e conta quem verdadeiramente pode ser o verdeiro progenitor de Peter (Ed Helms) e Kyle Reynolds (Owen Wilson). Contrariados pela mãe, ambos partem em busca de seu pai verdadeiro, nem que isso signifique que os dois tenham que fazer uma lista de homens que realmente poderiam ser seus pais, cruzando os Estados Unidos para isso. O que se vê então são esses dois homens totalmente diferentes tentando entender de onde vem suas mais diversas manias e tudo mais, aquela típica jornada que revela muito mais sobre os próprios viajantes do que seus objetivos.

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As pretensões do roteiro assinado pelo inexperiente Justin Malen (Ressaca de Ano Novo) estão imersas na comédia escrachada que evidentemente o longa procura. Cada encontro com um possível pai é uma situação inusitada, bizarra, desconectada de algo que possa parecer real, que às vezes funciona, mas aqui não é o caso. Esse misto de drama de autodescoberta e comédia de absurdos parece nunca chegar a alguma combinação, num filme de voltas e mais voltas que não sabe o que está procurando.

Correndo Atrás de um Pai foca principalmente nessas figuras opostas fazendo essa mesma viagem, os irmãos gêmeos são fundamentados em estereótipos opostos. Peter um daqueles homens turrões, que fizeram de tudo para terem sucesso em sua vida profissional e acadêmica, mas que no âmbito pessoal não conquistou nada, vivendo sozinho e distante do filho. Por outro lado , seu irmão é o exemplo de alguém que tem a vida fácil, mora no Havaí com uma linda mulher, gastando a vontade e tudo isso por conta de um golpe de sorte, fazendo a publicidade de um molho para churrasco famoso. Ao colocar esses dois numa mesma viagem suas divergências ficam ainda mais fortes, gerando reflexões e atritos.

O que se vê então no filme é até uma estratégia interessante, mas que pouco se sustenta. Como se desejasse mostrar o caminho dessa jornada, e nesse ponto os dois protagonista discutiriam suas diferenças e semelhanças. Mas também daria importância aos encontros com os possíveis e aí surgiria a comédia nas situações absurdas. Todavia a falta de tato faz com que os caminhos filmados sejam enfadonhos e revelem pouco dos personagens, fazendo com que o espectador anseie pelo próximo encontro. Enquanto as situações com os homens mais velhos são todas previsíveis e desinteressantes, algo que gera pouca comicidade. Correndo Atrás do Pai faz com que nenhuma de suas abordagens funcione, e isso faz com que o filme passe a sensação de um movimento em falso, onde nada do que é visto realmente importa.

O longa é marcado por um monte de situações que não fazem sentido para um avanço narrativo ou para a construção de uma situação engraçada. Esses momentos nada convincentes vão dando a impressão que a narrativa se arrasta, há por exemplo uma sequência dedicada a uma discussão se dão ou não uma carona no meio de um congestionamento, algo que pouco é relevante, que poderia ser resumido e teria o mesmo impacto, ou uma sequência no banheiro em que um dos irmãos brigam com uma criança e isso não revela absolutamente nada. A repetição fica evidente e cada encontro com um possível pai é marcado por um sentimento de conhecimento que mais uma vez eles seguiram uma pista falsa. Esse sentimento de insatisfação com a jornada vista é ainda mais presente quando o terceiro ato é marcado por uma explicação que surge do nada, distante dos esforços daqueles dois homens, uma facilidade e conveniência narrativa que não enriquece aquela jornada.

Se é difícil acreditar naqueles dois personagens tão baseados em estereótipos e clichês, algo que não faz nem comédia – pela falta de peculiaridade, nem drama – pela falta de profundidade, a direção do estreante Lawrence Sher complica ainda mais a relação entre obra e público. Há uma falta de tato visível para abordar a comédia e de construir momentos verdadeiramente cômicos, isso vem de um trabalho extremamente burocrático de seu diretor, que em seus planos e montagem nunca revelam algo inesperado, apenas reafirmando coisas que o espectador já sabe, sendo a surpresa um elemento fundamental da comédia.

O longa então torna-se uma série de frases sobre sexo e um humor que se concentra no pior tipo de escracho, voltando sempre a uma piada da mãe sexualizada, algo desagradável para qualquer filho. O filme então mostra realmente que seu único objetivo era uma busca por um riso fácil, por seguir padrões de uma nova comédia popularesca, algo que poda as próprias pretensões do longa. Correndo Atrás de um Pai torna-se um filme que parece não querer definir seus objetivos ou seus caminhos. O que sobra é um filme previsível que acaba não despertando interesse em nenhuma de suas ambições.

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