Crítica | Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi

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Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi faturou três indicações ao Oscar, e podemos dizer que foi pouco. O filme da diretora Dee Rees se passa no sul dos Estados Unidos e se desenrola na convivência de duas famílias. A trama se move em cima da interação dessas famílias, não só uma com a outra, mas também entre si.

Indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado, o filme é baseado no romance homônimo de Hillary Jordan, e merece a atenção que a premiação lhe dá. As interações das personagens são bem retratadas, e cada inserção que a trama traz é relevante para se entender as personagens, mesmo quando estas não se resolvem satisfatoriamente, como se espera em uma narrativa. Diversas vezes, nos é concedido uma narração feita pelas personagens. Embora algumas não incomodem, a maioria parece desnecessária graças as atuações que encontramos no longa.

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Mary J. Blige conquistou não uma, mas duas indicações ao Oscar pelo filme. “Mighty River” pode levar a estatueta de melhor canção original, merecidamente. Sua atuação como Florence Jackson é impecável e consegue se destacar em meio a outras atuações magníficas. Rob Morgan interpreta Hap Jackson, o marido de Florence, e poderia facilmente ter levado, também, uma indicação. Ambos estão memoráveis no filme enquanto lidam com as consequências que o racismo, tanto passado quanto presente, impõe em suas vidas. Quanto à família McAllan, Carey Mulligan (Laura McAllan) e Jonathan Banks (Pappy McAllan) são os responsáveis por roubar a cena e também tem trabalhos dignos de premiações. A frustrada Laura consegue segurar muito bem seu grande tempo de tela, enquanto Pappy, com menos aparições no decorrer da trama, se mostra odiável em todo o momento.

Tecnicamente, o filme não se destaca, mas também não erra. Digno de menção, a lama está presente durante todo o longa, mostrando que essas personagens estão presas e atoladas ao seu tempo e espaço, cada um a sua maneira. A chuva, recorrente, ajuda ainda mais a passar a ideia. A metáfora é sutil, mas bastante evidente, e ajuda a fazer o público se sentir mais pesado ao sair da sala de cinema.

Jason Mitchell (Ronsel Jackson) e Garret Hedlund (Jamie McAllan) são os responsáveis por trazer outro plano de fundo do longa: a guerra. A relação dos personagens é um alívio entre o tenso clima que permeia todas as relações do filme, mas mesmo a camaradagem mostra o lado sombrio do que é ser um veterano de guerra. Ambos voltam, cada um a sua forma, traumatizados. O brilhante dessas personagens fica por conta de que Jamie não suporta ter ido até Europa, enquanto Jason não suporta ter voltado.

Depois de mostrar ao público o que poderia ter sido um final digno de um filme que trata sobre a segunda guerra e o sórdido racismo do Mississipi, o filme acaba se delongando e acaba por perder um pouco de sua força ao dar um final digno de novela. O que poderia ser amargo, acaba se tornando agridoce demais. Ainda assim, Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi acerta na maneira de conduzir sua trama, atolando o público junto de seus personagens, e expondo o forte racismo do sul estadunidense e a carga emocional que a guerra impõe.

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