Crítica | Paddington 2

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O carismático urso comedor de marmelada está de volta aos cinemas para mais uma aventura em Londres. Mas antes de você achar que essa é só mais uma produção com conteúdo inventado para preencher em breve algumas “Sessões da Tarde” mundo afora, talvez seja prudente de sua parte saber um pouco mais sobre o urso Paddington, principalmente se você não tem contato com a cultura inglesa ou não é uma das 392.976 pessoas que foram vê-lo por aqui nos cinemas em 2014 (ou ainda outras tantas que o assistiram por aí de outro jeito).

Trata-se, antes de mais nada, da adaptação de um clássico da literatura inglesa de 1958, ano em que Michael Blond lançou o primeiro livro desse personagem, intitulado “As Aventuras de Paddington”, que narrava a história de um ursinho peruano – sim, tem urso no Peru, nem é dessa espécie, mas não estamos aqui pra cobrar coerência em uma história infanto-juvenil onde o urso até fala, né? Essa raça superinteligente é única, ok? Sigamos em frente – que vivia com seus tios numa das florestas daquele país, lugar esse que um dia foi visitado por um explorador inglês que acabou ficando muito amigo dessa família, passando-lhes boa parte de sua cultura, do inglês a marmelada. Após essa visita, ficou a promessa de que todos seriam sempre muito bem-vindos a Londres se um dia fossem para lá.

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A vida passa, e o destino leva o jovem e inocente urso até a chuvosa cidade, que ali viverá contrastantes experiências com outros humanos, que quererão desde adotá-lo até empalha-lo. A partir daí, esses livrinhos das aventuras do urso na terra da rainha (lançados cinco anos após Disney fazer Peter Pan voar pelo Big Ben) foram conquistando o coração de gerações de britânicos, tornando-o um ícone da literatura inglesa, grande ao ponto de fazer Mr. Bean tirar o chapéu, Harry Potter pedir a benção e o peruanos convidarem o urso que agora já fala em mais de 30 idiomas para ser embaixador do turismo no seu país natal, durante uma ação de publicidade. E ele aceitou, se liga que massa:

Bom, agora que você conhece melhor o Zé Colméia dos britânicos (só que muito mais cativante), já fica muito mais fácil dizer o que o espera nesse novo filme.

Já totalmente adaptado ao cotidiano londrino, Paddington está feliz e bem aceito por todos dali. Mesmo calorosamente adotado pela família Brown (Hugh Bonneville -Downtown Abbey, e Sally Hawkins – Blue Jasmine), Paddington está pensativo no 100º aniversário de sua vó, a ursa Lucy, para a qual escreve sempre.

Na intenção de presenteá-la com algo a altura da data, Paddington acaba encontrando um item que parece ideal para uma ursa que passou 40 anos visualizando a cidade onde hoje ele mora: Um antigo livro pop-up, que ilustra os principais pontos de Londres.

Mas para adquirir o raro e custoso presente que se encontra em uma loja de antiguidades, Paddington precisará se submeter aos mais inusitados trabalhos para conseguir pagar por esse

livro, que por sua vez, contém informações importante$ para Phoenix Buchanan (Hugh Grant,-Simplesmente Amor), um ator decadente (no filme), que ao descobrir onde está esse item, tentará roubá-lo e dará início a uma grande confusão que fará a vida do urso virar de cabeça pra baixo.

A fotografia arranja e complementa com maestria todos os estados de espírito pelo qual percorre o filme, que ora faz rir (aos que apreciam as peculiaridades do humor inglês), ora chorar (tristeza é igual em todo lugar), e, aos que estiverem um pouco mais atentos aos conceitos estabelecidos no filme, faz refletir, sobre um monte de questões. Aliás, esse deve ser o convite mais subliminar que as histórias desse urso te faça. Questões como adoção, morte, compreensão, resiliência, família, sensatez…. está tudo ali para quem quiser colocar à tona e debater a respeito.

Paddington transmite tantas sensações bacanas que fica difícil definir com precisão tudo aquilo que ele transmite a quem o vá ver peito aberto, e poucos são os que não extraem algo de positivo para algum momento da vida depois de conhecer sua história.

Se não quiser acreditar em quem escreve, pode se apegar no que disse Nicole Kidman, cujo sonho de infância era adotar esse urso pelo qual era apaixonada. O fascínio dela por Paddington é tão grande que sua agente achou que seria repulsivo o convite para interpretar a vilã do primeiro filme. Surpreendentemente, Nicole aceitou de primeira, pois entendeu que essa seria a melhor forma de estar perto do urso.

Paul King segue como diretor do filme, dando sequência no comando do projeto que é a maior bilheteria para um filme família já produzido fora de Hollywood. Já a produção também continua pertinentemente a cargo de quem manja de magia em Londres e de animais fantásticos e onde habitam: O também britânico David Heyman. Sobre os efeitos gráficos, resumo dizendo que tem hora que acho que o urso existe mesmo.

Em suma, não leve sua metralhadora de críticas cheia de referências cinéfilas, baixe sua guarda. Paddington é atrapalhado e previsível, mas é de longe a animação gráfica mais GENTE BOA que já interagiu entrosadamente com humanos em um filme, e olha que nessa lista estão medalhões como Pernalonga (Space jam-1996), Jerry (Marujos do Amor-1945), Stuart Little (O Pequeno Stuart Little-2000), Zé Carioca (Você já foi a Bahia?-1944), dentre outros. E isso por si só já vale o ingresso, se você somar ao caráter do urso então… Vá com alguma criança ou com a sua interior, e extraia o melhor dessa experiência.

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