Crítica | Fullmetal Alchemist

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Live-action de mangás ou animes, sejam viabilizados pelos estúdios americanos ou pelo próprio Japão, costumam apresentar um cenário que possibilita uma satisfação aos fãs e conhecedores do material original e também construir elementos que instiguem um novo público, afinal, a dependência de angariar novos espectadores assíduos ao longa se dá pelo produtor final e pelo marketing estabelecido. Fullmetal Alchemist, quando começou a gerar notícias sobre seu live-action, que estreou nessa segunda-feira (19) na Netflix, já alimentava o gosto dos fãs mais assíduos da produção de Horimo Arakawa mas também pensava em conquistar um público mais jovem e novo ao tipo de material, que apesar de constante popularização, ainda possui certa comunicação nichada.

Entretanto, a produção da Oxybot e com distribuição originalmente pela Warner Bros. Japão, estreou ainda em dezembro de 2017 no país natal da obra, antes de ir para o catálogo de serviço de streaming da Netflix. Dirigido por Fumihiko Sori (Appleseed), o live-action conta com Ryosuke Yamada (Assassination Classroom), Dean Fujioka (Dance! Dance! Dance!) e Tsubasa Honda (Fashion Story: Model) compondo o elenco. Fullmetal Alchemist contextualiza um universo onde a alquimia é difundida na sociedade, com diversos ensinamentos, teorias e práticas, sejam as mais banais e triviais, até o uso da mesma pelos exércitos e órgãos militares. Os irmãos Elric (Edward e Alfonse), quando jovens, tentaram usar a alquimia em um processo complexo e proibido, resultando em uma catástrofe. Depois, mais velhos, caçam agora a Pedra Filosofal, com o intuito de consertarem o que deu errado e reativarem a esperança de salvação para eles e para outras pessoas.

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Difundido em dois animes de sucesso, Fullmetal Alchemist e Fullmetal Alchemist: Brotherhood, o material original materializou uma observação atenuante não só sobre considerações mágicas e mitologias próprias, mas também em considerar de modo vital a essência de cada personagem, principalmente os irmãos e sua relação de parceria mas com um remorso irremediável, pelo que fizeram. A partir do momento que essa sensação é exibida no live-action, já é possível identificar um direcionamento responsável por deturbar estes principais sentidos, dando apenas uma alusão sobre o que realmente o filme precisa esclarecer. Por conta de sua própria mitologia e situações que exigiriam demasiado tempo de cena, as contextualizações sofrem por duas vezes: quando aceleradas e quando descompassadas, dando um ritmo lento e desnecessário a momentos que não correspondem às observações. E por dizer contextualização, toda incrementação de um século XX mecânico, futurístico e com seus elementos de steampunk faz jus às próprias paranormalidades, mas é constantemente desmitificado e descaracterizado quando são vítimas de um foco turvo. Mesmo que os protagonistas tenham suas referências e analogias às características originais já conhecidas, o diálogo tentado pelo longa acaba por mediocrizar a relação dos irmãos, a colocando sob uma ótica neutra e sem motivação.

Apesar de ter seus apelos aos fãs e conhecedores da obra, Fullmetal Alchemist parece não estar certo sobre o que pretende fazer com esse serviço de fã e também não possui uma clareza em identificação com um público novo, apesar de atenuantes empáticos sobre a relação familiar dos irmãos e da motivação dos dois, além das divergências que os põem dentro de uma ligação forte e bem construída. Enquanto o design do filme empolga pelos cenários e maturação de cores, se aproveitando das fontes originais de informações, as caracterizações físicas dos irmãos deixam a desejar, por mais que a recriação de metal de Alphonse (lembrando um cavaleiro da Idade Média) seja mais precisa, ainda lhe falte uma sensação de autonomia. Já Edward está em uma performance genérica e banal, apresentando-se quase como um cosplayer (caracterização em fantasia e maquiagem de um personagem) do próprio Edward, estando bem longe do temperamental mas determinado loirinho das obras originais.

Não que o desserviço seja a principal consideração a ser feita se colocarmos o live-action em parâmetros comparativos com as mídias anteriores – mangá e anime -, mas é perceptível uma massificação de toda a história, uma reciclagem em termos narrativos quando são apresentados os pontos principais da alquimia e o quão ela é importante histórica e socialmente, pois apesar de ter quase uma percepção de culto, essa especificidade se perde quando o filme tenta dissecá-la, mais uma vez, em um ritmo e montagem desconexos e que não apresentam significados e simbologia. Cada elemento invocado pelos alquimistas e portadores da “ciência” representa, mesmo que levemente, considerações personificadas de seus portadores. A contextualização é falha, creditando-a um senso comum e de imediata identificação, sem dar um tempo hábil de fazê-la coerente principalmente a quem não conhecia a obra.

o live-action de Fullmetal Alchemist não condiz propriamente com diversos elementos do material adaptado; as funcionalidades histórias e sociais de cada nação e principalmente, a do Japão (a amarração de ambiente feita pelo longa é promissora mas cai em desastre não muito tempo depois); a relevância da alquimia para esta sociedade; as motivações dos irmãos soarem condizentes e importantes a todo tempo, sem se perderem em meio a espaços em branco na linha narrativa, com transições de atos e sequências não terem elo. Enfim, não é necessariamente um desserviço, mas é um claro desperdício.

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