Crítica | Operação Red Sparrow

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Designado como thriller de espionagem, Operação Red Sparrow rompe com essa denominação da pior forma possível. Não há nenhuma relação bem definida entre os personagens, tampouco uma linha narrativa diligente que possibilite um confronto interior em meio ao conflito instaurado e aos indícios lançados. Mesmo diante dessa desordem, Francis Lawrence nos convida a entrar na dança junto com a sua protagonista.

Dominika Egorova (Jennifer Lawrence) é uma jovem bailarina em ascensão da Companhia de Balé Bolshoi, que vê sua vida se transformar ao sofrer uma grave contusão durante uma apresentação. O trauma acaba com todas as suas chances de seguir carreira na dança, fazendo-a assumir uma nova ocupação, uma vez que precisa cuidar de Nina (Joely Richardson), sua mãe doente, e ainda cobrir os gastos com o aluguel, antes subsidiado.

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A atual vida a que é submetida lhe dará além de uma nova identidade, a garantia de amadurecimento diante dos inúmeros percalços que terá de dominar. Esse ritual de dominação não cabe apenas à jornada de autoenfrentamento que a personagem passará, mas também ao ato de dominar o outro, que será aprendido, aperfeiçoado e aplicado, logo após ser recrutada por seu tio Vanya (Matthias Schoenaerts) para integrar uma escola de espionagem que a tornará uma sparrow, desempenhando tal função para o Serviço de Inteligência Russo. No entanto, ao ter o seu caminho cruzado com o do agente da CIA, Nate Nash (Joel Edgerton), acontecimentos mudarão o rumo de sua missão a ponto de desconcertá-la, oportunidade ideal para o americano defraudar todo o treinamento pelo qual a jovem foi sujeitada. Contudo, em meio a alianças e jogos psicológicos se aproveita muito pouco do longa.

Técnicas que evidenciam a exposição do corpo se tornam praxe; isso fica claro não só pela exposição física a qual o filme se submete, mas pelas afirmações reincidentes no decorrer da projeção sobre os procedimentos do ofício de um sparrow e seus pormenores, taxando-os como armas numa luta global de poder, exploradores da fraqueza através da sedução, praticantes da manipulação para terem consigo porte de informações, e claro, seres que devem manter distância da moral emocional, visto que isso pode implicar no insucesso de suas incumbências. Repetidas vezes isso é evidenciado de diferentes maneiras, que passamos a desconfiar da infalibilidade não só dos personagens, mas do realizador.

Indefectível, por sinal, é tudo o que Francis Lawrence não demonstra ser nesse novo longa. Habituado a lidar com histórias visualmente expressivas, como em Constantine (2005), onde trafega por um universo sobrenatural, e em Eu Sou a Lenda (2007), obra cujos efeitos especiais entretêm pela aparência tenebrosa das criaturas que integram Manhattan, em Operação Red Sparrow ele reitera a sua faceta esteta, ao mesmo tempo em que explicita a sua queda pelo exagero, amansada somente ao enveredar, anteriormente, pela direção de três dos quatro filmes da franquia Jogos Vorazes.

Mas parece que não é só o sobrenome e o blockbuster distópico infantojuvenil incluso na filmografia que o diretor e a atriz têm em comum. Um certo relaxo parece acometê-los, dado que ele pouco se atenta à narrativa de maturação que tem nas mãos, por não expor à sua protagonista o direcionamento referente às intenções e ao comportamento da personagem, que não alimenta os seus dilemas interiores nesse processo de transição, por parecer desconhecê-los. É evidente que a natureza de Dominika sofre alterações relevantes, porém a atriz não se apropria completamente das travessias evolutivas da jovem, em especial na fase em que está em Budapeste, pois são as mudanças estéticas, como a cor do cabelo e as roupas, que sinalizam as modificações por intermédio de um clima dos mais voluptuosos. Surpresa nenhuma, posto que o filme se sustenta muito em seus aspectos visuais.

O red do título já indica a predominância da cor vermelha utilizada nos objetos de cena, indumentárias e também pensada na concepção de visage da protagonista. As variações na paleta de cores acontecem para pontuar que o rubro pode ir de encontro ao derramamento de sangue, provindo no terceiro ato, principalmente, do embate com armas brancas, ou mesmo estar em adornos como almofadas, na cortina do teatro onde Dominika se apresenta no início do longa, e em todo o figurino, do calçado à peça elementar, já no período como Agente de Inteligência.

Operação Red Sparrow falha ao concentrar seus esforços num drama físico sedento por explorar não só a tortura mediante sanguinolência, mas também através da exibição da violência de ato sexual, por vezes, não consentido. Refém de seu erotismo enganoso e desconcertante, o filme que poderia investir na ferocidade da embrionária trama psicológica que tenta desenvolver, aniquila requícios de potencialidade, reduzindo-se a um chamariz escandalizante.

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