Crítica | Deixe a Luz do Sol Entrar

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Estrelado por Juliette Binoche, além de contar com uma ótima participação de Gérard Depardieu, Deixe a Luz do Sol Entrar é o mais novo filme de Claire Denis, diretora de longas como Minha Terra, África (2009) e Sexta-feira à Noite (2002).

Nesse filme, acompanhamos a história de Isabelle (Binoche), uma bem-sucedida artista plástica parisiense em busca do amor. Com essa premissa, o filme pode parecer ter tudo para cair em um lugar-comum, porém, conduzido por Claire Denis, acompanhamos uma jornada de autoconhecimento com uma das personagens mais intrigantes do cinema em 2017.

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Com roteiro de Denis e Christine Angot, o filme é uma sucessão de conversas permeadas por esperanças, afetos e desafetos, que caminham muitas vezes entre a trivialidade e o existencialismo (muito mais para o lado do existencialismo). Suas relações com um banqueiro casado egoico e grosseiro, com um ator em crise, com seu ex-marido ou com um homem que parece ter uma relação de dependência em relação a ela são pretextos para perscrutarmos os sentimentos e expectativas de Isabelle. Por menores – e por mais densas – que essas conversas sejam dentro da narrativa, é notável o quão significativa se torna cada linha desses diálogos na construção dessa personagem principal.

Poucos cineastas contemporâneos têm um apreço pelos detalhes como Denis. Um foco nos sapatos e no ato de andar ou a coreografia das mãos que se estabelece em mais de um momento do filme constróem essa delicada mise en scène composta pela intensidade afetiva de Isabelle e de pequenos, mas tão significativos gestos.

No fim, Deixe a Luz do Sol Entrar (ou “Um Belo Sol Interior” em uma tradução livre do título original) pode parecer um pouco arrastado em alguns momentos, mas é mais uma prova de que tudo que carrega o nome Claire Denis merece ser visto e é menos um filme romântico (na verdade é uma obra que usa essa busca romântica como recurso narrativo) do que uma jornada de autodescobrimento de Isabelle.

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