Crítica | Medo Profundo

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Filmes de horror são permeados por momentos de expectativa, capazes de levar ao temor extremo. A mise-en-scène aliada a efeitos especiais criam truques que podem engrandecer até mesmo uma história inócua, caso se firmem constantes mudanças de clima. O jump scare é um dos recursos mais utilizados para tirar o espectador dos instantes de passividade ou de apreensão, tornando-se assim um artifício batido, diante de sua costumeira aparição em filmes do gênero. Por harmonizar com variados enredos, sua eficácia tida como certa não deixa de dar as caras em Medo Profundo, de Johannes Roberts, longa que opta pelo emprego da técnica, concentrando-se assim no campo do susto habitual.

Após o término de um relacionamento, Lisa (Mandy Moore) precisa aprender a lidar com essa atual fase de sua vida. Para tanto, sua irmã Kate (Claire Holt), de espírito aventureiro, a conforta à sua maneira, propondo que desbravem juntas as profundezas do México. Com o objetivo de testar os limites da irmã e fazê-la usufruir de novas experiências, Kate não mede esforços para vê-la mais animada, bem como não mensura o nível de risco da situação.

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Presas em uma enorme gaiola submersa, as jovens se sujeitam a essa incursão em uma região cercada por tubarões. Porém, mal sabem elas que terão de lidar com contratempos, que incluem a quebra da corda que sustentava toda a estrutura. A partir daí, os percalços só se agravam, como nos momentos de inviabilidade de contato com Capitão Taylor (Matthew Modine) e seu grupo de instrutores, seguidos pelo insucesso da tentativa de resgate com um guincho reserva, sendo então acionada a Guarda Costeira.

Em meio a todas essas dificuldades, elas são obrigadas a controlar o pavor diante de tubarões que rondam a gaiola. No ápice dos acontecimentos, o filme faz uso de vários chavões, como os próprios momentos de susto ou mesmo quando é lançada uma solução para um conflito, munida de um tom tão facilitador que sabemos que, no segundo seguinte, teremos uma quebra de expectativa, acrescida de uma trilha sonora de um histerismo infernal.

A cena em que presenciamos a reposição dos cilindros de oxigênio exibe a tentativa vã de  promover uma experiência sensorial, em que estamos conexos a um respirar arfante somado ao som abafado, que só não soa pior que os diálogos do roteiro de Ernest Riera em parceria com Roberts, carregado de frases de efeito e ululantes, como nos instantes de descontrole em que uma das personagens pede a outra para concentrar na respiração e manter a calma.

Do desagrado ao arrepio, as sensações transmitidas por filmes de horror se distinguem por gradações. O fascínio pelo desconhecido é o meio pelo qual Medo Profundo nos insere dentro de sua construção narrativa deveras conservadora, que não se reestrutura nem no segundo ato, mais precisamente nas cenas que anteveem os sustos em si, em que, propiciada pela presença das feras diante das irmãs cercadas, a ação dramática soa apenas funcional, porém de extremo escapismo.

O longa também se adianta a nos oferecer vários elementos, como quando nos deparamos com o barco em estado precário que levará as garotas até o ponto em que a gaiola será posicionada. Ademais, o desmazelo característico de muitos jovens, ressoa nos que compõem a equipe de Capitão Taylor, levando esse a ser outro dado a se considerar, talvez por anunciar que diante de uma situação periclitante, eles não estarão à altura do resgate. Ao revelar esses componentes da narrativa, o filme apresenta um enfraquecimento antecipado de sua carga de fatores supresas, deixando os preparativos para o clímax expostos.

Prisioneiro de uma trama formulaica, o longa de Johannes Roberts é marcado pela escassez de reações que possibilita. Saímos ilesos pelo uso de elementos comuns e pelo depauperamento de sua narrativa, prejudicada pela exposição mal dosada de informações que aniquilam a possibilidade de sucessivos sobressaltos. Para um filme que se passa, majoritariamente, nas profundezas, Medo Profundo se mantém por muito tempo na superfície.

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