Crítica | The Titan

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Dentro de toda a história do gênero sci-fi na história do cinema, uma das principais fontes de riqueza destas histórias utópicas se refere à estupidez humana e sua ambição desmedida que, inevitavelmente, destrói e deteriora seu próprio habitat. Stanley Kubrick ironizou sobre como a violência é uma das principais consequência da extinção da humanidade há mais de 40 anos atrás em Laranja Mecânica, mas grande parte do gênero prefere abordar essa visão através da ciência, da física e do avanço tecnológico que possibilita ao ser humano seguir sobrevivendo com seus recursos cada vez mais escassos.

Parece estranho mencionar até mesmo Stanley Kubrick no texto de um filme como The Titan, nova produção original da Netflix que chegou no último dia 30 aos holofotes da gigante do streaming, visto que é uma produção de porte modesto e longe de qualquer ambição se comparada, a quesito da identidade de sci-fi, com o clássico controverso que nos trouxe Alex DeLarge (e há alguém que duvide que Laranja Mecânica é, de fato, um sci-fi distópico?) ao mundo. De qualquer forma, as lembranças (não comparações) se fazem válidas diante da similaridade de temas que The Titan também toma para si, como o desejo corrompido do ser humano em ser maior do que si, do que Deus ou alguma divindade válida, tal qual Alex DeLarge acreditava estar acima de qualquer moral.

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Não há surpresas em The Titan à partir daí. No filme em questão, o planeta Terra já se encontra em grande parte destruído, inabitável e condenado á extinção graças ao esgotamento dos recursos naturais do nosso planeta. Rick Janssen (Sam Worthington tentando emular seus tempos de Avatar) é um militar que, junto a outros, se voluntaria para um treinamento e processos de transformação que lhe darão habilidades para viajar até uma das luas de Saturno e sobreviver à alteração genética enquanto estes lançam uma destas luas no processo de terraformação, ou seja, torná-la habitável para os seres humanos. Claro que, em meio ao processo de mutação para a missão, nem tudo sai como planejado.

Não há grandes dificuldades para que The Titan torne sua ideia absurda aceitável aos olhos do público, uma vez que o desenvolvimento do roteiro de Max Hurwitz se encarrega de posicionar as peças do tabuleiro de forma correta, sem pensar fora da caixinha. O orçamento modesto disponibilizado pela Netflix também é aplicado nos lugares corretos para que The Titan nos convença da possibilidade daquela realidade, e com isso temos cenários competentes, efeitos visuais que cumprem seu papel e um trabalho de maquiagem bastante convincente quando os militares se transformam em criaturas.

Mas cada linha dita até aqui apenas evidencia o quanto The Titan se contenta com seu feijão-com-arroz narrativo, carregando sua narrativa em cima de todos os clichês possíveis e os quais já vimos diversas vezes anteriormente, o que não apenas amorna a experiência, como torna previsível toda e qualquer surpresa que o roteiro tente elaborar para o público, o que condena The Titan a se tornar a releitura de uma releitura nesse cinemão distópico e futurista que se entrega a concepções básicas de de personagens, história e elementos que em nenhum momento lhe impulsionam para além do que já nos é genérico.

Mas numa tarde chuvosa, sem dúvidas, pode ser um filme bastante funcional.

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