Crítica | Covil de Ladrões

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Narrativas criminais, em sua maior parte, espelham as desordens das grandes cidades e do mundo moderno, exibindo a vida das pessoas moldadas pelas corporações e seus esquemas fraudulentos. Quando não focadas nesses aspectos acabam por nos vender a ideia de que o mal é intrínseco ao sistema social, independente da tônica de seu enredo. Em Covil de Ladrões, Christian Gudegast (um dos roteiristas de Invasão a Londres, 2016) faz sua estreia na direção, apropriando-se de alguns desses dispositivos capazes de mover esse tipo de história, típica até nas deficiências de sua execução.

De imediato, somos apresentados a Los Angeles como a capital mundial dos assaltos a banco, tornando a cidade não somente uma peça-chave do filme, mas também uma das personagens da trama, que se desenrola a partir da averiguação de um crime, comandada pela equipe de Big Nick O’Brien (Gerard Butler), chefe da divisão de delitos graves. Após ação do grupo composto por Ray Merrimen (Pablo Schreiber), delinquente em liberdade condicional há oito meses, e outros criminosos como Enson Levoux (50 Cent) e Donnie (O’Shea Jackson Jr.), especialista em fugas frenéticas, capaz de transformar qualquer carro em possante, o policial não tarda a agir, tendo a facção em sua mira.

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Ao optar pelo acúmulo de métodos gastos pela utilização habitual em enredos do gênero, Covil de Ladrões deteriora toda a tensão que o permeia, a partir da imposta apresentação de personagem pela perspectiva de um interlocutor, além dos letreiros indicadores de nomes e lugares, que agregam um caráter ordeiro demais à película, regendo até mesmo as questões temporais, que acabam por instruir o espectador ao extremo.

Além disso, as sequências dos estratagemas que antecedem os delitos e as cenas dos bastidores dos crimes tendem a se estender mais do que deveriam, provocando o extermínio do caráter enxuto da edição, bem dosada apenas no início do longa, quando explora a fluidez das ações devido ao aspecto mais incisivo e imediatista dos acontecimentos. A comprovação dessa desproporção rítmica na obra se dá na concretização da ação principal, que praticamente elimina a operação da equipe de Big Nick O’Brien da continuidade das cenas, dando ênfase ao plano meticuloso de Merrimen e seus comparsas.

Por mais que a escassez de qualidade do filme seja notória, alguns componentes estão bem alocados dentro da história, como os planos abertos, que conseguem captar a ambientação de Los Angeles, tornando a cidade, de fato, parte integrante dessa sucessão de conflitos, e não apenas um pano de fundo da obra. Outro ponto digno de nota se associa a Big Nick O’Brien, que apesar de se relacionar com papéis já defendidos por Gerard Butler, pela aparência e também pela atuação sempre muito física do ator, possui camadas reveladas paulatinamente, trazendo à tona questões delicadas da vida pessoal do personagem, como o processo de divórcio, que refletem outras nuances de seu temperamento e acrescentam níveis de sensibilidade diversos ao protagonista.

Embora haja a incorporação de uma câmera cambaleante durante as cenas com trocas de tiros no terceiro ato, esse efeito não é suficiente para reenergizar o longa, que soa como um grande engodo se levarmos em consideração o clima alvoroçado e de funcional apreensão de seu início. Logo, Covil de Ladrões é um filme que faz questão de tornar perceptível a sua disparidade de ritmo, além de desperdiçar a sua tensão ao focar no caráter protocolar de sua narrativa, que a alonga mais do que deveria.

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