Crítica | Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos

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Por Marx Walker

O que você faria se fosse cego e soubesse que o restabelecimento da sua visão facilitaria MUITO a vida de todos ao seu redor, menos a sua?

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O filme de Paulo Nascimento tateia esse drama, onde Vitório (Edson Celulari) é um deficiente visual que apesar das dificuldades habituais de alguém nessas condições, consegue não só se adaptar muito bem à sua realidade, mas também se considerar muito feliz com tudo isso.

Porém, sua percepção do que é equilibrado passa a ser ameaçada quando sua esposa Clarice (Soledad Villamil) lhe comunica a oportunidade de uma intervenção cirúrgica que pode lhe devolver a visão que ele perdera muito cedo.

O que é de fato uma mulher bonita, a sua maneira de fazer as famosas pizzas que vende no bairro paulista do Bixiga, como é assistir ao vivo seu Corinthians com o único sentido que lhe faltava… enfim, tudo vai ser “revisto” caso ele aceite a proposta, e as suas decisões para esses dilemas vão mexer pra sempre com seus outros sentidos.

Contudo, caminhar em um terreno de sentimentos complexos, cuja interpretação pode variar de olho pra olho, é realmente um caminho esburacado a se seguir.

E o bastão do diretor não chega até o destino final sem desviar de todos os obstáculos, causando tropeços que reverberam na interpretação, roteiro e densidade da mensagem como um todo.

Se serve de guia, este é um tema sensível  e variante demais para se obter 100% de sucesso ao se afirmar aqui o que cada um de nós faria se estivéssemos atrás das córneas de Vitório, e é importante dizer ainda que, embora sobre mensagem e falte técnica para repassa-la, o filme muito mais acerta do que erra no geral.

Neste ensaio sobre cegueira, servem aqui de colírio as boas pingadas de humor que deixam o drama um pouco menos sofrido, e até contribuem para o adoçamento das mensagens contidas no filme, que miram no sentimento de que “o essencial é invisível aos olhos”, mas respinga em alguns clichês.

A atuação de Celulari é quase um cão-guia do roteiro quando este começa a divagar. Já argentina Soledad Villamil oxigena a história sempre que esta última é sombreada pelo tédio.

A vista grossa a ser feita fica por conta do aparentemente descuidado balanço da câmera em alguns momentos e também por algumas habilidades improváveis de Vitório que impressionariam até o Demolidor, o herói cego da Marvel (quem lhe escreve aqui nem óculos usa, mas tem certeza que jamais jogará sinuca tão bem quanto o protagonista desse filme. Enfim, foco).

No geral, é seguro afirmar que o maior feito dessa obra é fazer-nos refletir sobre esses tempos em que precisarmos ver um cego nos ensinar a entender e respeitar outro ponto de vista. Conhecer o mundo de quem é diferente é essencial para assistirmos um futuro de maneira mais igualitária.

Falando em conhecer e assistir, esses pontinhos formando um “L” invertido nos números de elevador é um elemento que em braile indica que o que será tateado a seguir é um número.

De posse dessa informação inclusiva, saiba que o filme estreia dia 3 de maio, inclusive com audidescrição para os deficientes visuais e legenda para os deficientes auditivos.

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