Crítica | Verdade ou Desafio

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O horror cinematográfico tende a reservar sua porção mais sofisticada a produções que optam por incutir o medo em seu espectador através das mentes alvoroçadas de seus personagens. Em meio a alucinações e delírios de perseguição, as obras do gênero retêm cargas de adrenalina na tentativa de perpetuar o interesse do público, porém o desgaste do recurso vem minguando as forças desse estilo de filme. Verdade ou Desafio, de Jeff Wadlow (Kick-Ass 2, 2013), além de pouco atender a esses elementos, chega com a desvantagem de não possuir requinte algum.

Com o objetivo de espairecer antes da formatura, Olivia (Lucy Hale, da série Pretty Little Liars, 2010-2017) viaja com os amigos para o México, mas o que deveria ser um momento para desanuviar as ideias, torna-se uma badalação perigosa cujo responsável é Carter (Landon Liboiron, de Frontier, produção seriada da Netflix), jovem que induz o grupo de amigos a se aventurar pelo jogo Verdade ou Desafio, que trará consequências drásticas como o abalo da antiga amizade entre Olivia e Markie (Violett Beane, da série Flash, 2015-2018), nessa jornada onde a morte iminente os persegue.

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Promover escapatórias para adiar ou fugir de um temido fim cria um elevado grau de similitude com Premonição (2000-2011), a diferença é que Verdade ou Desafio parece determinado em focar nos aspectos que degeneram a juventude, visto o nível de idiotização de alguns personagens, nível este detectado de forma imediata. Ao contrário da franquia de horror, que consegue destacar o seu tom sombrio, aqui a preocupação parece se concentrar nas funções mais secundárias de seu enredo, como a formação de um triângulo amoroso capenga, que além das garotas, envolve Lucas (Tyler Posey, da série Teen Wolf, 2011-2017), namorado de Markie, que ao menos foge, em partes, do estereótipo do jovem viril, sexualmente ativo, cuja voz ativa aparece só após alguns shots de tequila.

A transmissão de sensações inexiste no longa, uma vez que ele insiste em converter reações em sustos descabidos que sequer auxiliam em sua evolução narrativa. O emprego desse artifício torna a película derrisória, estigmatizando-a como um horror trash adolescente, que nada agrega ao imaginário de seus personagens ou à construção metafórica que poderia brotar do campo psicológico; isso tudo acontece devido ao enorme déficit na criação de uma atmosfera de suspensão de conflitos, que arruina até a expectativa por reviravoltas.

Disseminado de modo leviano, o humor presente na trama não se resolve por si só, tendo de se filiar ao horror para sobreviver diante da especificidade de sua execução. Em alguns instantes, a tentativa de instituir um lado cômico ao filme somente o impulsiona ainda mais à sua natureza patética, por não conseguir estabelecer desde o princípio uma ambiência que se comunique com o todo.

Da Blumhouse, mesma produtora do sucesso Corra! (2017), Verdade ou Desafio pode até possuir uma assinatura de grife, mas isso não é o bastante para redimir o seu desnorteio narrativo e a sua ausência de clímax, que ao transitar por indistintas variáveis provoca uma celeuma de sensações que apenas contribui para a potencialização de seu tom risível, prematuramente instaurado nessa trama entregue ao ridículo.

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