Crítica | Vidas à Deriva

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Vidas à Deriva chega aos cinemas para contar a história, baseada em fatos, de Tami Oldham Ashcraft (à época, apenas Tami Oldham) e Richard Sharp. O casal foi pego por um furacão enquanto levavam um iate do Taiti, na Polinésia Francesa, até San Diego, nos Estados Unidos. A tragédia virou um longa-metragem que, apesar de pontos altos, sofre demais com o processo para se tornar um romance.

No longa, o roteiro encabeçado pelos irmãos Aaron e Jordan Kandell, de Moana: Um Mar de Aventuras, toma um caminho perigoso. Após bater a cabeça e se encontrar no cenário pós-tragédia, que a deixou à deriva em um iate incapaz de mais além de flutuar, Oldham acaba reencontrando Sharp, que sobe novamente no iate e a acompanha durante sua trajetória. Aí começa um dos maiores problemas do filme.

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A atuação de Shailene Woodley não é das mais excelentes, mas funciona muito bem em seus momentos de extremismo, o que a solidifica como protagonista. Sam Claflin também está muito bem, principalmente após o acidente, que é o momento mais propício para os atores demonstrarem seu alcance. O filme é basicamente dos dois, ainda mais de Woodley, que poderia ter um destaque ainda maior caso o roteiro fosse mais fiel à história.

O islandês Baltasar Kormákur, de Dose Dupla, volta a dirigir uma história sobre enfrentar a natureza, como já havia feito com Sobrevivente e Evereste e, novamente, seu trabalho fotográfico dita de forma eficaz o clima do filme. Ao mesmo tempo em que o longa ganha uma dimensão da imensidão do mar aberto, o diretor também consegue muito bem passar a sensação de enclausuramento de estar preso ao iate.

A volta de Sharp tenta se justificar com uma virada no roteiro que poderia funcionar melhor se não tirasse todo o brilho da história verídica. Para isso, a personagem de Woodley é de certa forma diminuída, e mesmo com um rápido depoimento final onde Ashcraft afirma que jamais teria sobrevivido sem Sharp, sua jornada acaba ficando muito presa ao noivo. Durante seu período presa em alto mar, a sobrevivente diz se manter também por escrever sua história nos períodos em que podia, mas o filme joga de lado todo o seu maior trunfo, que foi o instinto de sobrevivência.

Sem Sharp, o roteiro se pareceria mais com o livro que ela lançou após a tragédia, Red Sky in Mourning: A True Story of Love, Loss, and Survival at Sea. É de se notar também que Tami já velejava e, por mais que isso esteja presente no longa, a presença de Sharp lhe ditando o que ela deveria fazer acaba por tirar um pouco de suas próprias habilidades. Mesmo com Tami sendo responsável por cuidar de Richard, que está imobilizado por causa de ferimentos, a presença dele acaba por fazer o espectador a não se dar conta da solidão que Oldham teve de enfrentar durante seus mais de quarenta dias à deriva.

A tradução do nome do longa, que originalmente leva o nome de Adrift, também tenta por ludibriar o espectador e pode causar um estranhamento ao final da história. Assim, seu comprometimento com a verdade acaba por ser lesado, dando a entender que estamos por acompanhar a história de ambos os personagens, quando na verdade é a Tami que se deve tudo. A virada de roteiro acontece de forma fraca, e quando colocada na balança ao lado do pouco tempo que o longa dedica a experiência solitária de Tami, acabam por complicar o filme, não como romance, mas como uma obra que se propagandeia como baseada em fatos.

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