Crítica – Diga-me Quando

Rom-com mexicana da Netflix, pouco faz rir, e também não exala paixão no ar.

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Se tem um filão cinematográfico que a Netflix gosta de explorar a rodo, em especial, voltado para o público mais jovem, é o das comédias românticas.

Antes da plataforma de streaming, ficávamos com o foco no mercado americano, assim, Sandra Bullock, Reese Witherspoon, Kate Hudson, Julia Roberts, Matthew McConaughey, Mark Ruffalo, e tantas outras e outros, eram as rainhas e reis do romance idealizado. Hoje em dia, graças a Netflix, globalizamos o romance fofinho que também sabe fazer rir, temos rom-coms espanholas, sul-coreanas, peruanas, alemãs, e muitas mais…

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Nessa leva globalizada chegamos no México, com o longa Diga-me Quando, que nos conta a história de Will (Jesús Zavala), jovem que vive, quase que exclusivamente para o trabalho, sem amigos, namorada, e que raramente se diverte, que vê sua vida virar de cabeça para baixo, após a morte de seu avô. O senhor insistia que o neto encontrasse uma nova forma de viver a vida, com mais prazer e amor, assim, antes de falecer deixou um diário com todos os lugares e coisas incríveis para se fazer na Cidade do México, cidade natal da família. Chegando lá, estava preparado para tudo o que foi planejado, menos para a doce Dani (Ximena Romo).

Lugar comum

Depois de décadas, e mais décadas produzindo comédias românticas vai ficando cada vez mais difícil expressar um mínimo de originalidade. Isso vale também para o tal fenômeno globalizado da Netflix que explora tantas nacionalidades diferentes. No fundo, é tudo muito similar, muda-se o cenário visitado, de Nova York para Lima, de Chicago para Madri, de São Francisco para Seul, mas o conteúdo, e acima de tudo, a estrutura permanecem praticamente os mesmos.

Isso não é diferente na versão mexicana Diga-me Quando. Deste modo, apesar do baile de clichês que vamos embarcar, ainda é possível, no mínimo, criar um par romântico que inspire o assinante Netflix acompanhar a história de amor dos sonhos dos mais românticos. Porém, o filme dirigido por Gerardo Gatica nem isso faz…

Não por culpa de Ximena Romo, que interpreta Dani, dado que a atriz faz uma performance natural e carismática. O problema maior é Jesús Zavala, galã mexicano que precisaria de uma carga de eletrochoque para parecer minimamente vivo em cena. Praticamente, não existe qualquer fagulha entre o casal de pombinhos, porque Will está lá, mas só em estado corpóreo, visto que espiritualmente ele deve estar em qualquer outro lugar.

Talvez, e é bem possível que isso tenha ocorrido, por motivos de um roteiro que não cria ou oferece situações mais climáticas para o seu elenco principal. Os lugares, e pontos turísticos que ambos visitam na capital mexicana parecem ambientes comuns, sem qualquer perspectiva climática.

Ninguém está pedindo Woody Allen e Diane Keaton sentados no banco admirando a ponte Queensboro em Nova York, mas façam o favor, não? Até parece que a majestosa Cidade do México só tem isto a oferecer: bares, cafeterias e mercadinhos.

Ponto positivo

Geralmente, quando falamos de comédias românticas levamos mais em consideração a segunda palavra, algo que é justificável se pensarmos de um ponto de vista prático comum na vida das pessoas em geral, posto que vivemos em uma sociedade (de fervor cristão) que empurra casamento goela abaixo.

Contudo, é preciso exaltar que o humor, não está lá apenas para servir como escape. Na realidade, essencialmente, o humor é um elemento, que serve tanto como contraponto, como também é um estimulador dentro da trama. Nesse quesito, o talentoso ator inglês Hugh Grant figura entre os cabeças de chave.

Em Diga-me Quando da Netflix, o elemento que funciona melhor é Beto, papel de Gabriel Nuncio, um tipo peculiar no jeito de ser, que sempre diz as coisas de um modo que possibilita o riso. Mais que isso, aparentemente, é pedir muito!

Conclusão

Faltou muito no filme dirigido e roteirizado por Gerardo Gatica, nos dois quesitos do gênero adorado mundialmente. Se não consegue escapar das figurinhas repetidas do tipo de história, ao menos, ofereça paixão e alegria ao assinante da Netflix.

Todavia, Diga-me Quando não o faz, e termina com uma nota final extremamente anticlimática, que é exatamente a sensação que fica após uma narrativa tão morosa.

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