Crítica: Sombra e Ossos – 1ª Temporada

Série fantástica da Netflix apresenta personagens complementares em um ambiente cenográfico marcante.

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Toda vez que uma série de livros, em especial do tipo Young Adults (no traduzido, jovens adultos), alcança um enorme público e sucesso financeiro, é quase que certo irá virar uma série, ou franquia cinematográfica. Os exemplos são muitos, e globalmente conhecidos: Harry Potter, Crepúsculo, Jogos Vorazes, Divergente, Maze Runner, e por aí vai…

E, a Netflix que não gosta de ficar para trás na brincadeira, adquiriu os direitos da série de livros Sombra e Ossos, que já se encontra disponível no catálogo da plataforma via streaming.

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O livro, que agora virou série, foi escrito pela escritora Leigh Bardugo, popular pelo universo Grishaverse, particularmente a duologia Six of Crows: Sangue e Mentiras, e pela trilogia Grisha, que começa com a titular Sombra e Ossos. Juntando todas essas séries de livros escritos por Bardugo, a autora vendeu mais de três milhões de cópias mundialmente, ou seja, muito sucesso!

Nessa primeira parte, acompanhamos a cartógrafa Alina Starkov (Jessie Mei Li), jovem órfã que não se segura quando percebe que seu melhor amigo Malyen “Mal” Oretsev (Archie Renaux) vai atravessar a tenebrosa Dobra, uma mastodôntica nuvem de energia negra que oferece muitos perigos, e encontra uma maneira de ir junto do parceiro. Enquanto cruza A Dobra, encontra forças malignas que atacam o esquife que trafega os passageiros para o outro lado, e é nesse momento, que ela libera um poder extraordinário, que poderá transformar o destino de seu mundo afetado pela guerra.

Mundo fantástico

Quando se trabalha com uma série de fantasia como é o caso aqui, é sabido que a construção e disposição desse universo fantástico será essencial para a imersão na história que estamos prestes a embarcar. Assim, chamaram alguém de peso para encabeçar tamanha empreitada, e o escolhido foi Eric Heisserer, escritor de quadrinhos e roteirista, mais conhecido por ser o responsável pelo texto do relevante longa A Chegada (2016) de Denis Villeneuve. Outros créditos de Heisserer são: Quando as Luzes se Apagam (2016), Bird Box (2018), e Bloodshot (2020).

O roteirista americano é o criador e desenvolvedor de Sombra e Ossos, e já que o assunto é criação e desenvolvimento, é bom mencionar que, entre alguns méritos encontrados nessa série de produção original Netflix, o maior e mais significativo deles vem pela engenhosidade visual empregada, seja cenários, figurinos e efeitos visuais.

Logo no primeiro episódio ‘Uma explosão chamuscante de luz’ testemunhamos a assombrosa parede negra que é A Dobra. Que consegue impressionar tanto vista por fora, como quando adentram ela. Do lado de fora, ela lembra a colossal onda que quase destrói a espaçonave liderada por Matthew McConaughey em Interestelar (2014) de Christopher Nolan; agora, por dentro, é como se estivéssemos no meio da tempestade de areia vista no elétrico Missão Impossível – Protocolo Fantasma (2011) de Brad Bird. Mais um detalhe: as bestas voadoras que parecem morcegos gigantes de carranca amedrontadora também são um capítulo à parte nessa temporada.

Entretanto, não se vive ou sustenta-se um filme ou série, exclusivamente, pelo bom uso dos efeitos visuais computadorizados. É preciso saber aproveitar as locações e figurinos para tornar esse universo fantástico, uma experiência mais cheia. Conseguem, e com louvores.

No episódio ‘A criação no coração do mundo’ observamos a beleza estonteante do enorme palácio (que ironicamente possui o nome de Pequeno Palácio) inspirado no Império Russo no início do século XIX; também nessa parte desfila-se a inventividade dos figurinos que modernizam algo que parece saído da Rússia czarista.

Os heróis

Outra força motor em Sombra e Ossos da Netflix é o elenco, praticamente em sua maioria, constituído de jovens atores e atrizes. Naturalmente, alguns se destacam mais do que outros, e até fica fácil perceber isso, dado que estão divididos na maior parte da narrativa, em três blocos, que são:

O triângulo principal da trama, com Alina, Mal e o General Kirigan, interpretado pelo rosto mais famoso de todo o elenco, o ator e cantor inglês Ben Barnes (As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian; Westworld; O Justiceiro) é o núcleo da história. Destes, a estrela maior é Jessie Mei Li, que na maior parte do tempo, consegue nos puxar para dentro de seus dramas pessoais com carisma e vibração, apesar de alguns momentos onde se apresenta fora de tom, no caso, um tanto quanto ingênua e passiva na hora da verdade.

Pode-se afirmar o mesmo para o astro Ben Barnes, que flutua entre altos e baixos, mas entrega um personagem circular, que explora os extremos emocionais de sua figura mítica.

Aí, temos o power trio Os Corvos, do líder Kaz Brekker (Freddy Carter), e os membros Inej (Amita Suman) e Jesper (Kit Young). Para aqueles que esperam boas cenas de ação em Sombra e Ossos, é com este bloco que terá isso. Temos aqui o grupo de atores mais regular dessa temporada, com personagens complementares tornando este grupo algo mais cheio para o assinante da Netflix.

O destaque fica com Freddy Carter, definitivamente, a atuação mais consistente de todo o elenco; e curiosamente, tem seu personagem inspirado na vida da própria autora Leigh Bardugo que, às vezes, necessita de uma bengala para se locomover.

Por último, aquele que promete encantar, ao mesmo que discutir uma temática relevante, em caso de uma provável segunda temporada, o duo Nina Zenik (Danielle Galligan) e Matthias Helvar (Calahan Skogman). Ela é uma Sangradora (bruxa), ele é um Drüskelle (caçador de bruxas), que apesar de serem inimigos por muitas gerações, agora, encontram-se dependentes um do outro. Entre ofensas e flertes, espera-se algo substancioso dessa relação no desenrolar da trama.

Conclusão

Existe espaço para melhora nessa produção da Netflix, sobretudo, no que diz respeito a abordagem dos variados temas que se encontram na narrativa, como movimentos separatistas, racismo, desprezo com a monarquia, insurreição, tratamento das mulheres de pensamento livre, mudanças sociais de conceito estrutural, e etc…

Tudo isso é comentado de modo um tanto superficial, desta maneira, é possível no prolongar da história, se aprofundar mais nessas complexidades, que somariam ainda mais nessa produção que tem tudo para cativar o público com paisagens incríveis, atmosfera densa e arrebatamento ostensivo.

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