Crítica – Vozes e Vultos

Terror/suspense da Netflix prende pelo elenco, mas não consegue fugir da previsibilidade do roteiro.

Publicadohá pouco tempo
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Foi-se o tempo quando o gênero terror (ou horror) era direto e reto. Este aqui é o seu serial killer, tente fugir dele, ou matá-lo de alguma forma. Pouco importa quais são seus motivos. Fuja ou mate-o se puder.

Obviamente, isso mudou. Se para melhor, ou pior, depende muito da subjetividade do material, e de quem os interpreta. Assim, nos situamos nessa produção original Netflix que apenas flerta com o popular gênero que nos causa medos, já que no seu íntimo é um suspense que se mostra mais do que funcional. Muito desse mérito vem pelo elenco que se importa muito com as personagens interpretadas. E, ainda bem que estes se importam, de modo que o roteiro escrito pelo casal Shari Springer Berman e Robert Pulcini entrega muito do material de bandeja ao assinante da plataforma.

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Vozes e Vultos nos apresenta Catherine (Amanda Seyfried), uma artista que se muda junto de sua família, o marido George (James Norton) e a filha, para a região do Vale de Hudson, norte do estado de Nova York. Vivendo na cidade pequena, a esposa começa a suspeitar de algo sinistro que envolve sua família, em especial, dentro de sua nova residência que esconde um passado sombrio.

Algo errado

Toda vez que lemos uma sinopse assim, naturalmente temos a consciência do tipo de terreno que iremos pisar pelas próximas duas horas. Deste modo, o que nos resta como espectadores, é saber e sentir se teremos algum tipo de labirinto psicológico ou emocional nessa caminhada. Aqui, a resposta vem com uma sonora negativa. Mas, não dá para dizer que o casal de cineastas Berman/Pulcini não tenta confundir o assinante Netflix, especialmente, em sua primeira parte.

Se existe algum mérito na história do duo que escreveu a trama, este se encontra no fato que quando estamos, por enquanto, no campo do terror, tudo é uma possibilidade, ou seja, não dá para sacar facilmente o que tudo que estávamos acompanhando até aquele momento queira dizer, como por exemplo, em um determinado momento, parece que entraremos em um enredo que irá circular questões bíblicas, mais precisamente, sobre os perigos do pecado da tentação.

Lamentavelmente, esse jogo lúdico se esvai quanto mais adentramos no centro do casamento de Catherine e George. O foco vira para os indivíduos: quem é a esposa, e quem é o marido?

Ela, que casou e foi mãe jovem, não conseguiu dar conta de seguir sua carreira artística pelas escolhas feitas na vida conjugal, e hoje, sofre de desordem alimentar. Ele, atraente professor literário, que nunca conseguiu se destacar academicamente, mas que agarrou a chance que apareceu para compartilhar seu conhecimento.

Uma receita para o desastre, correto? Catherine desprovida daquilo que a destacava como um indivíduo, e George colhendo os frutos de sua charmosa popularidade, ainda mais, entre suas alunas.

É nesse momento que a dupla Berman/Pulcini vira a chave na história. Vai saindo o terror, e entra o drama de um casal desconectado.

Cônjuges

Quando tratamos do casamento em Vozes e Vultos, tudo cai na previsibilidade, e o que sobra é a dedicação e vigor dos atores em cena.

Tanto a mundialmente conhecida Amanda Seyfried, quanto James Norton, claramente, se importam com seus devidos papéis, principalmente, ela que já foi indicada ao Oscar na carreira. Dona de grandes olhos, a atriz de 35 anos de idade, é o coração que tem mantém colado à narrativa, mesmo sabendo onde tudo isso vai parar.

Já Norton, é o charme distorcido que te puxa a fórceps. Está ciente, cada vez mais, quem é o professor, e ainda assim quer saber o que será dele neste casamento que já não é mais o mesmo.

Sororidade

Existe um ideal (ou até mesmo uma pretensão) bem grande nessa produção Netflix, que é de mostrar que o apoio entre as mulheres é muito mais fibroso que imaginamos, algo que vai além do que é real e palpável aos olhos e caráter masculino.

Mas, deve-se dizer, que Vozes e Vultos pode deixar um gosto bem amargo na boca daqueles que, como tantos, buscam justiçamento a todo custo. De forma que, talvez, nossa impotência como seres humanos, realmente só esteja se apoiando em algo muito maior que nós. Aqui, o único terror de verdade na obra de Shari Springer Berman e Robert Pulcini.

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