Crítica – A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Animação da Netflix constrói uma ponte entre a tradição e o moderno com humor, coração e ritmo frenético.

Publicadohá pouco tempo
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Privilegiados são aqueles que têm a oportunidade de se esparramar no sofá da sala, junto de seus familiares e curtir no fim de semana qualquer coisa que for, todos juntos, como uma unidade familiar que se preza.

Curioso, que para se conseguir essa linda imagem do fim de semana, temos a rotina, obrigações, e todas as emoções humanas em constante colisão por nossos egos, durante o meio dessa mesma semana.

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É nesse momento, onde parece que a ponte irá ruir, que entra a Netflix com a animação A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, que convida o assinante e o resto da família a embarcar na maior aventura enfrentada pelos Mitchell, até o momento. O bando está prestes a ficar desfalcado de um membro, já que a jovem Katie (Abbi Jacobson) está indo para uma faculdade bem distante, e para se despedir com chave de ouro todos os familiares, mais o cachorro Monchi, entram no carro e pegam a estrada para uma última aventura antes das aulas de Katie começarem. Apenas não contavam que nessa jornada, iriam ter de lidar com o levante das máquinas a nível global. Agora, a parentada terá que se unir, se quiserem salvar a si mesmos e o resto do mundo de um iminente apocalipse tecnológico.

Os Mitchell

Sempre agradável, ainda mais em uma animação, que com apenas cinco minutos de projeção, já fica possível perceber quem é quem na história. Melhor ainda, que vemos tal perspectiva pelos olhos de Katie, que está naquele momento crítico, a transição do fim da adolescência para a entrada na vida adulta, de sair da casa dos pais para ir a um novo lugar e ter de se virar por conta própria.

E, como muitos filmes de gênero, temos aqui uma estrutura clássica, ou seja, a perspectiva de Katie irá passar por algumas transformações pela narrativa. Porém, para se construir uma ponte é preciso alguém trabalhando no lado oposto de onde está. Aí entra, a figura do paizão bonachão Rick Mitchell (Danny McBride), que não tem conseguido entrar em acordo com sua garotinha.

E qual é a solução que a narrativa escrita por Mike Rianda encontra para fazer estes dois “teimosos” ficar frente a frente, obrigatoriamente, sem a possibilidade de evitar um ao outro? Uma viagem de carro, cruzando o país.

Sim, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é uma animação, do tipo ‘road movie’ (no traduzido, filme de estrada), a exemplo do clássico cult Férias Frustradas (1983) de Harold Ramis, escrito pelo icônico John Hughes. Bom, mas isso é bem prático de se notar, o que traz um eletrizante grau de surpresa na trama é que também temos um tanto de Eu, Robô (2004) de Alex Proyas, estrelado por Will Smith.

Esse aspecto de cinema de ação oferece ao assinante da Netflix, a montanha-russa de sensações que merece, e manterá os olhos dos espectadores grudados na tela.

A ponte

É essencial sempre lembrar aquela máxima que pontua que o humor eleva o drama, e vice-versa. Se rirmos com aqueles que observamos, naturalmente, nos importaremos com os mesmos quando estiverem em um momento difícil, pois assim, colocamos em prática, empatia e solidariedade, traços consequentes da humildade perante as adversidades na vida.

E, humildade não é nada mais que o antiego em nós. Katie, assim como seu pai Rick, só conseguiram salvar o mundo se unindo, o que inclui também, os membros restantes da família Mitchell, Linda (Maya Rudolph) e Aaron (Mike Rianda).

Ele, um pai old school que valoriza trabalhos manuais e conversar com a família durante as refeições (para desgosto de todos que raramente largam seus celulares); e ela, uma jovem entusiasta transbordando criatividade e desejo por liberdade.

Dois indivíduos diferentes que precisarão saber, de forma prática (elemento que gera muito humor na parte final), como é caminhar usando os sapatos do outro, uma vez que só assim, seremos capazes de mudar nossa própria programação.

Em sua essência, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas da Netflix é sobre isso: o encontro do convencional com o alternativo. Bem reconfortante para os tempos de histeria que vivemos.

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