Crítica: Eden – 1ª Temporada

Animação original Netflix comove, enquanto questiona nossas atitudes e papel para com o planeta

Publicado em 28/5/2021
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Muito raro quem nunca tenha, ao menos, ouvido algumas histórias sobre o Jardim do Éden, também conhecido como o Jardim de Deus ou Paraíso Terrestre. Na Bíblia Sagrada, encontramos a descrição deste lugar celestial nos livros de Gênesis e Ezequiel, também.

A história de Adão e Eva no Éden forneceu a base para as doutrinas da queda do homem e do pecado original, que são crenças muito importantes no Cristianismo, embora isso não seja mantido, tanto no Judaísmo quanto no Islamismo.

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Falar sobre a queda da humanidade, ou de pecado é falar sobre a nossa história como seres vivos. Óbvio, que alguns capítulos da trajetória humana gritam mais alto em alguns momentos, como por exemplo, este que vivemos atualmente, ainda assolados por uma pandemia que não ameaça cessar, especialmente em terras tupiniquins.

Na onda de analisarmos nossas escolhas, que nos trouxeram até este momento, chega à animação japonesa Eden, produção original Netflix que nos transporta milhares de anos no futuro, em um lugar conhecido como “Eden”, habitado por robôs e máquinas inteligentes. Enquanto cumpriam suas tarefas rotineiras, dois robôs acidentalmente encontram uma cápsula criogênica, dentro, uma bebezinha chamada Sara Grace, que surpreende as máquinas que acreditavam que os humanos eram um mito antigo proibido. Juntos, os dois robôs secretamente optam por criar a menina em uma área segura fora do Eden.

Nosso Éden

O criador Justin Leach, ao lado da roteirista Kimiko Ueno e do diretor Yasuhiro Irie fizeram da vida do assinante Netflix, algo um tanto quanto descomplicado. De maneira que Eden é um deleite por todas as formas e vias. Sim, não há nada de inovador nessa animação japonesa, verdade. Porém, o ponto aqui é o intuito de atingir o espectador emocionalmente, deixando um dilema no ar, enquanto encanta buscando enobrecer o melhor do que existe em nós, humanos. E, felizmente, essa história tocante acerta o alvo em todas.

Começando pelo roteiro de Ueno que acerta ao começar a trama quando Sara é ainda uma bebê, bem chorona e curiosa por tudo. Desta maneira, nos aproximamos da personagem pela perspectiva de seus pais robôs que como tantos pais humanos, vivem preocupados e pensando em todas as possibilidades para manter suas crias sãs e salvas.

Também sentimos as angústias dos mesmos, ao ver que a pequena Sara, só ganha tal adjetivo pelos olhares afetuosos de quem a criou, de modo que a bebê, agora, é uma garota inquieta, doce e tão protetora quanto.

Então assim, em pouco tempo, para ser exato, com apenas um episódio, estamos completamente devotados às aventuras da jovem Sara.

Quanto a animação de Yasuhiro Irie, que lembra um pouco a revolucionária obra O Gigante de Ferro (1999) de Brad Bird (principalmente, na expressão dos olhares das máquinas), pode-se afirmar que será capaz de agradar os mais tradicionais apreciadores de animes, como também uma faixa mais jovem dos assinantes Netflix que, possivelmente, ficaram hipnotizados com as cores, mas acima de tudo, com a dinâmica e ação imposta em alguns momentos.

O que merecemos?

É mais do que normal que seja questionado se somos merecedores do que temos à nossa volta. Em vista que temos um planeta naturalmente esplendoroso, e continuamos tratando-o como se este fosse uma morada passageira, o que sabemos não é o caso.

Eden, literalmente, é um paraíso renovado que só se encontra assim conservado a centenas de anos pela ausência humana no cenário. A animação japonesa Netflix provoca essa discussão, ao mesmo que irradia com o riso contagiante e inocência de sua protagonista.

O mais cínico diria – ‘mas, o mundo não é composto apenas de personalidades como a de Sara Grace.’ Bem verdade!

Contudo, não é este o ponto que a animação Eden busca instigar. Aqui, a ideia é incitar que o nosso planeta, nossa morada definitiva é o lugar pelo que vale a pena se lutar todos os dias, mesmo ele sendo pano de fundo de nossas piores escolhas, algumas dessas atrocidades horrendas. Repetindo a frase final do personagem de Morgan Freeman no inigualável Se7en: Os Sete Crimes Capitais (1995) de David Fincher.

Não fica estranho imaginar que batizaram a personagem principal como Sara Grace, de forma que o nome Sara significa ‘princesa’; e a tradução de Grace é ‘graça’. Deste modo, só pessoas com a graciosidade de uma princesa para sarar nossos corações machucados e desiludidos. Sara é o exemplo a seguir, ainda mais, no atual momento.

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