Crítica: Halston – 1ª Temporada

Minissérie da Netflix sobre renomado estilista consegue comover, apesar de não explorar os pormenores do biografado

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Não é de hoje que a moda tem entregado bom material para as formas artísticas ficcionais.

Temos os clássicos Cinderela em Paris (1957) de Stanley Donen e Bonequinha de Luxo (1961) de Blake Edwards (ambos estrelados pela radiante Audrey Hepburn); os favoritos do público O Diabo Veste Prada (2006) de David Frankel e Um Senhor Estagiário (2015) de Nancy Meyers (ambos com a atriz Anne Hathaway); as sátiras Zoolander (2001) de Ben Stiller e Brüno (2009) de Larry Charles; e por fim, os dramáticos Saint Laurent (2014) de Bertrand Bonello e Trama Fantasma (2017) de Paul Thomas Anderson.

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Moda para todo tipo e gosto!

A Netflix não quis ficar de fora desse grupo, e tratou de disponibilizar Halston, minissérie biográfica sobre a vida do estilista multitalentoso que batiza o nome da produção.

O criador Sharr White apresentou a subida ao sucesso, transformando seu nome em um império mundialmente reconhecido, até os dias finais do lendário designer Halston (Ewan McGregor). Uma figura que foi sinônimo de luxúria, sexo, status e fama, que definiu a era que viveu, nas décadas de 70 e 80. Porém, viu seu nome ser escravizado pelo grande sistema capital, algo que o fez ter de se reinventar vez após vez, deixando-o ansioso e angustiado dentro de uma vida de prazeres e sorrisos.

Estrutura

Para aqueles interessados em conhecer a vida e trajetória do celebrado estilista, saibam que a série é bem curtinha, apenas cinco episódios. Mais: é estruturada de uma maneira muito didática, o que soa um tanto quanto quadrado, se levarmos em consideração quem foi o biografado.

De roteiro estilo ‘cradle to the grave’ (no traduzido, do berço ao túmulo), temos um primeiro episódio ‘Nasce Halston’ que serve diretamente como uma introdução à figura. Curioso, e muito bem pensado, de mostrar o nascimento do designer de moda, já como um homem adulto. De modo que o enredo apenas pincelou pequenos detalhes de sua infância, ou mesmo adolescência. Já que preferiu mostrar que o nome Halston, na perspectiva indubitavelmente traumatizada do mesmo, é um nascimento tardio em sua vida pessoal. Um homem que como todos, possui um passado, mas tem receio de revisitá-los.

Logo em seguida, com os episódios ‘Versalhes’ e ‘O doce sabor do sucesso’ acompanhamos a escalada na montanha até o topo.

Para os aficionados na moda, ‘Versalhes’ será um deleite. De maneira que poderão testemunhar um evento nível Copa do Mundo, só que de estilistas, em uma batalha Estados Unidos contra França. De um lado, o protagonista da minissérie Netflix, Bill Blass, Anne Klein, Stephen Burrows e Oscar de la Renta; do outro, Givenchy, Pierre Cardin, Yves Saint Laurent, Ungaro e Dior. Quem tem conhecimento de pelo menos alguns destes nomes, sabe que estamos falando do Olimpo das passarelas.

Agora, no terceiro episódio adentraremos no que é a ambição de Halston, um homem que tocou os dedos no poder, e que não vai mais querer esquecer a sensação, mesmo que isso custe algo que não lhe dá o mínimo prazer: regressar ao passado para descobrir os aromas de sua identidade.

Se chegamos no cume, agora, o único caminho é descer. Com os episódios ‘A festa acabou’ e ‘Críticas’ veio a queda do império.

Antes da festa acabar no episódio 4, teremos um último lance da insanidade da era. Dentro do famoso clube chamado Studio 54 (1977-1980), localizado na metrópole de Nova York, observamos que o ar rarefeito do topo, distorceu a vida e trabalho de Halston e sua equipe. Trabalhando mais, praticamente um lacaio do sistema capital americano, Halston se percebe uma pessoa com cada vez menos identidade como artista.

Elenco

Apesar da temporada de prêmios 2022 estar bem, bem longe ainda. Já iniciaram os burburinhos com o nome do famoso ator escocês Ewan McGregor, que realmente dá vida a Halston. O personagem é repleto de afetações e maneirismos, porém, em alguns momentos, o roteiro cede espaço para que o ator consiga encaixar uma nuance ou outra pelo olhar. Mas, acima de tudo, o que fica com o assinante Netflix ao assistir a performance de McGregor é o carisma da personagem. Apenas com esse elemento, já é possível se comover com a história do ícone da moda americano.

No entanto, quem dá show (literalmente) é a atriz Krysta Rodriguez, que encarna um dos maiores nomes do show business do século XX: a lenda Liza Minnelli.

A jovem atriz, de apenas 36 anos de idade, possui uma presença em cena inebriante, seja cantando, dançando ou mesmo nos momentos mais íntimos, ao lado de seu melhor amigo Halston. Admirá-la é algo um tanto confortável e caloroso, quase como receber um lindo e volumoso algodão doce em suas mãos. Mesmo nos momentos onde percebemos ela, assim como a maioria dos personagens que rodeiam a estrela principal, escorregando para um caminho que, por muitas vezes, não há volta.

Conclusão

A pergunta que fica é: será que Halston da Netflix fez tudo o que podia ao entregar uma biografia de uma figura tão icônica de tempos recentes?

Não, definitivamente. Poderia ter sido mais potencializada em alguns momentos, ou mais bem explorada em outros. Talvez, o melhor exemplo se encontre no terceiro episódio, quando o estilista está prestes a lançar o primeiro perfume usando seu nome, sua marca. E, nas conversas que tem, junto da personagem interpretada por Vera Farmiga, percebe-se que o tormento e pavores de Halston possuem uma origem, todavia, são flashes curtos e um tanto superficiais.

Ainda assim, a estrada que pegamos com Halston, é sim, prazerosa. Muito pelas situações enfrentadas por todos, e as reações destes lidando com tudo o que aconteceu ao longo de quase duas décadas.

Dizem, que em obras biográficas muita coisa sempre acaba ficando de fora, naturalmente. E, tal pensamento é verdadeiro. Contudo, o ponto não é o que ficou em falta, já que é impossível cobrir toda uma vida em poucas horas de exibição, mas saber exaltar com energia e precisão o porquê daquela figura ser quem é, e a razão do nome dela importar a nós.

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