Crítica – Milagre Azul

Longa cristão da Netflix cumpre seu papel de exaltar uma bela história, sem escorregar na pregação

Publicado em 28/5/2021
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Nos últimos quatro anos, o ator veterano Dennis Quaid (Operação Cupido; Longe do Paraíso; O Dia Depois de Amanhã) tem escolhido alguns projetos que, além de fazerem parte daquele filão dos filmes família, também abordam questões espirituais ou religiosas, como por exemplo: Quatro Vidas de um Cachorro (2017); Eu Só Posso Imaginar (2018) e Juntos para Sempre (2019).

Ele fez mais um!

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Encontra-se disponível dentro do catálogo da Netflix, o longa Milagre Azul, dirigido por Julio Quintana, que apresenta a história baseada em fatos reais de Omar (Jimmy Gonzales), dono de um orfanato que abriga dezenas de crianças, que passa por grandes dificuldades financeiras. No entanto, surge uma oportunidade para tentarem ganhar uma bolada de dinheiro, participando de uma competição de pesca. Para isso, irão contar com a ajuda de um ex-campeão bem rabugento, o capitão Wade (Dennis Quaid).

Nicho cristão

Chega a ser irônico realizar que dentre tantos gêneros cinematográficos, dois destes que possuem um público mais fiel, que geralmente acompanha a maioria dos lançamentos são os apreciadores do gênero terror; enquanto, o outro é o público que exalta o cinema de mensagens espirituais ou dogmaticamente religiosas.

Exemplos não faltam: Enquanto Estivermos Juntos (2020); Deus Não Está Morto (2014); Milagres do Paraíso (2016); Até o Último Homem (2016); A Cabana (2017); Superação: O Milagre da Fé (2019) e outros mais.

(Observação: Não confundir com os chamados filmes bíblicos, como A Última Tentação de Cristo (1988) de Martin Scorsese ou Êxodo: Deuses e Reis (2014) de Ridley Scott, por exemplo)

Obras cristãs, geralmente, focam em momentos de superação, quando um protagonista, ou um grupo maior de personagens estão passando a maior dificuldade possível, mas ultrapassam estas com barreiras e desafios com muita fé e crença de que estão sendo cuidados ou vigiados por um grande poder maior, benevolente e capaz de amar incondicionalmente cada um, apesar de nossos pecados.

Tirando o público alvo, normalmente, tais produções não fazem tão bem nas bilheterias e, também não agradam a crítica especializada.

À parte, tais preocupações secundárias, pode-se dizer que Milagre Azul da Netflix também faz o que se espera, transmite bela história de superação e conquista, porém, a narrativa do diretor Julio Quintana consegue tornar o calvário emocional do protagonista, um tanto quanto mais agradável do que a encomenda.

Isso ocorre, porque o roteiro escrito por Quintana e Chris Dowling, sabe estabelecer algumas nuances muito que bem vindas para tal nicho, com momentos de humor e algumas poucas cenas de ação. Sim, a ação é previsível, óbvio. Ainda assim, dá gosto acompanhar as cenas de pesca, até porque é cada peixão enorme!

Iniciante

Este é só o segundo trabalho de Julio Quintana como diretor de cinema. Antes, dois curtas-metragens e um longa lançado em setembro de 2016 chamado O Mensageiro. Deste modo, é de se valorizar o trabalho de Quintana em Milagre Azul da Netflix.

Claro, que não saiu nada além do básico comum dali. Contudo, já é possível afirmar que o cineasta iniciante sabe, com clareza, praticar duas ideias: primeiro, criar uma ambientação cenográfica distinta (o tom azul vai muito além do oceano); e segundo, dirigir muito bem seus atores, sejam estes adultos ou a turma do orfanato.

Os maiores destaques ficam com os atores Jimmy Gonzales e o consagrado Dennis Quaid.

Gonzales tem uma performance mais delicada, o que harmoniza muito bem com a rebeldia de algumas das crianças que estão sempre o acompanhando em cena.

Porém, mal sabíamos que no barco haveria uma “criança” mais ranheta do que todas as outras, no caso, o capitão Wade. O experiente Dennis Quaid quase sempre põe à disposição personagens de características fortes, como em Milagre Azul, tornando suas performances algo inegável ao assinante Netflix. O ator é prático e preciso quando usa seu vozeirão ligeiramente ríspido, tornando sua presença em cena, uma força afirmativa.

Conclusão

Se Julio Quintana mirou uma obra enérgica, tocante, e que ao final, deixará um sorriso na face dos espectadores, então, dá para afirmar que o cineasta acertou o alvo, ou melhor dizendo, fisgou o peixe!

Milagre Azul é uma história real digna, que merece as devidas considerações, e que vai além da pregação doutrinada.

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