Crítica: Special – 2ª Temporada

Temporada final de Special da Netflix reafirma que amadurecimento é elemento recorrente na vida de todos

Publicado em 5/20/2021
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Faz dois anos que o encantador Ryan O’Connell invadiu a plataforma Netflix com a série Special, série que o próprio produziu, roteirizou e estrela.

Na primeira parte, lançada em 2019, a proposta era um pouquinho diferente desta atual. Eram oito episódios, mas curtinhos, praticamente o equivalente a oito curtas-metragens com duração média de quinze minutos. Deste modo, tudo era mais dinâmico e direto ao ponto, além de ser uma aposta mais alta em cima da performance da maior estrela do show.

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Porém, agora, o multiatarefado Ryan O’Connell que é escritor, ator, diretor, comediante, além de um ativista representante da comunidade LGBT e um defensor daqueles que vivem com algum tipo de deficiência ou disfunção psíquica, fisiológica ou anatômica, arriscou um tantinho mais com esta segunda e final temporada de Special, disponível no catálogo da Netflix.

Permanecem os oito episódios, no entanto, de duração média um pouco maior (trinta minutos). Desta maneira, acabam sendo trabalhados com mais profundidade alguns assuntos que envolvem o dia a dia e rotina na vida de um jovem homossexual que vive com os percalços de alguém que nasceu com paralisia cerebral (PC).

Assim, como na primeira temporada, continuamos acompanhando a vida de Ryan Hayes (Ryan O’Connell), que busca reescrever sua identidade e ir atrás de seus sonhos e desejos, e finalmente conseguir ter a vida que tanto almeja.

Amadurecimento

Foi-se a época que o gênero cinematográfico conhecido como Coming of Age era, geralmente, usado para descrever a passagem da infância (ou adolescência) para a vida adulta.

Calma lá! Tal definição ainda é usada nestes casos, contudo, é inegável que houve uma remodelação do que chamamos de amadurecimento nos tempos atuais, especialmente com o advento da tecnologia em uma era Web 2.0, tendo como conceito a criação de aplicativos baseados em redes sociais e a tecnologia da informação.

Alguém mais desavisado(a) poderia argumentar que nos dias de hoje, mais ninguém se comunica de verdade, tipo frente a frente, já que todos estamos olhando diretamente para nossos aparelhos de celular, tablets e afins.

Verdade! Realmente estamos com nossas vistas voltadas a uma pequena telinha iluminada, atualmente. Entretanto, se tem algo que não está em falta no cenário atual é a comunicação.

Mais: é esta que tem se mostrado como nosso maior desafio em nossa rotina, de modo que, agora, com as redes sociais conectando a todos nós, tudo o que mais vemos e ouvimos é informação vinda de todo lado, e estamos ainda aprendendo dia após dia como lidar com isso, por exemplo: saber filtrar algumas informações e conceitos; exercitar o diálogo, ouvindo e transmitindo; além de compreender o funcionamento de determinados blocos sociais.

O maior mérito de Special da Netflix é fazer de algo que está no campo virtual, ser trabalhado de forma analógica, na relação de semelhança entre fatores distintos, como Ryan e sua mãe Karen (Jessica Hecht), ou do protagonista com seu novo namorado Tanner (Max Jenkins).

A segunda e última temporada da série começa com a desavença entre mãe e filho, que vão ter de trabalhar suas devidas codependências e falhas de comunicação durante a narrativa. E, o mais belo disso tudo é que isso ocorre via situações espelhadas, com cada um em seu quadrado, tendo de lidar com a relação com um outro próximo, e se deparando com suas próprias vulnerabilidades e receios.

Lembremos que só no último episódio da temporada anterior que Ryan se abriu sobre quem é para seus colegas de trabalho, assim, ele próprio está aprendendo a caminhar com sua nova identidade para o mundo, fazendo escolhas que o acolhem, mas que também o deixam desamparado em outros momentos, sempre mirando seu amadurecimento como indivíduo.

Transições

Sempre ouvimos que a vida é feita de transições, quando damos um passo para a frente, algo, naturalmente, fica para trás. E, em tantos casos, felizmente ou lamentavelmente, isto é uma verdade, pois só podemos carregar o que nossos braços são capazes de suportar.

É nesse quesito mais humano que nos aproximamos do protagonista Ryan em Special da Netflix, dado que o próprio, nessa busca por estabelecer sua identidade e equilíbrio de sua saúde mental e emocional, comete acertos e erros na sua relação com o entorno.

E, para que tal fator humano ocorra de forma natural, é preciso que o espectador, realmente sinta todas as nuances que vêm do ator em cena. O jovem O’Connell, que escreveu essas histórias, baseadas em suas memórias ‘I’m Special: And Other Lies We Tell Ourselves (no traduzido, Sou Especial: E Outras Mentiras Que Contamos Para Nós Mesmos) de 2015, sabe e conhece muito bem algumas das situações e dúvidas que apareceram pelo caminho, então, nada mais formal do que representá-las em forma ficcional, correto?

Sim e não. De forma que, mesmo conhecendo na prática, algo que é familiar a sua pessoa, será necessário maior habilidade de fazer isso ser reproduzido novamente para o âmbito ficcional. Ainda bem, que Ryan O’Connell usa as ferramentas adequadas para que isso torne-se algo genuíno durante a exibição da série original Netflix, que no final, pode ser arredondado, simplesmente, como carisma. E, o jovem artista tem isso de sobra!

Vale exaltar, também, a performance da atriz Jessica Hecht (Breaking Bad; Friends), que faz o papel da mãe de Ryan. Empático é o fio narrativo em Special, que coloca mãe e filho tentando se equilibrar entre ganhos e perdas, enquanto solidificam uma estrutura mais resistente para ambos, onde possam coexistir sem a questão da dependência afetiva iminente.

Conclusão

Talvez, o episódio derradeiro de Special poderia se aproveitar dessa aura reluzente instalada por toda a série da Netflix, e criar algo, um tanto mais climático (sem precisar apelar ao meloso, claro).

Mesmo assim, não faltou coração, audácia e maturidade ao tratar alguns assuntos, ao longo das duas temporadas de vida do material.

Deixando um legado sincero, de que se conseguir mudar sua forma de ver as coisas e dizer a verdade a todos, em especial, a si mesmo. Algo que um dia bateu em você…, na segunda vez, não irá bater novamente.

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