Crítica – Carnaval

Comédia brasileira da Netflix fala sobre sororidade em obra sem graça e superficial

Publicado em 2/6/2021
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Este ano não tivemos carnaval por motivos de pandemia. Infelizmente, não dá nem para garantir que teremos a festa das festas no ano de 2022, já que o ritmo da vacinação é lentíssimo em terras tupiniquins.

Porém, antes de cairmos na melancolia da famosa canção do grupo Los Hermanos, que diz que todo carnaval tem seu fim, recebemos uma chance dada pela Netflix para aproveitar a muvuca do feriado favorito do brasileiro (com exceções, claro).

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Entretanto, Carnaval de Leandro Neri é tão melancólico quanto a música de trabalho do grupo de origem carioca. Só que a banda teve a intenção de fazer algo assim, já o longa da Netflix é desanimador porque despeja no ralo todas as suas boas intenções ao se assumir como uma trama de personagens e situações fúteis, e pior, sem qualquer possibilidade de elevar o humor por quase toda a narrativa.

A “festa” é em Salvador, na Bahia, onde encontramos o quarteto de amigas Nina (Giovana Cordeiro), Mayra (Bruna Inocencio), Michelle (Gkay) e Vivi (Samya Pascotto) que foram curtir o feriadão da zoeira, após Nina descobrir a traição de seu namorado. Na cidade de todos os Santos, a influenciadora digital irá aprender que a vida vai muito mais além das redes sociais.

Tanto confete para nada

De cara, vale pontuar que a comédia Carnaval trabalha uma história que tem, sim, ótimas intenções. E, que tocam em temas atuais relevantes, em especial, para a classe mais jovem que, possivelmente, deva se sentir um tanto quanto desorientada em um mundo que soterra um indivíduo com informações vindas de todo o lado.

O roteiro escrito a seis mãos por Audemir Leuzinger, Luisa Mascarenhas e o diretor Leandro Neri tem tal mérito, inegavelmente. Contudo, de pouco adianta saber o que quer dizer, se quando o faz, sai algo tão asséptico e raso como é o caso dessa produção original Netflix.

No cerne do enredo, fala-se sobre amor próprio e a valorização da amizade, notadamente, entre mulheres.

Com o primeiro tema, até dá para tirar algum sumo pela protagonista Nina, que está mais preocupada com a sua identidade digital e o que seus seguidores podem pensar, do que em aproveitar as oportunidades que lhe foram oferecidas, como curtir a vida ao lado de amigas que a amam.

Agora, quando o tema é a sororidade das moças, o filme de Neri prepara e é apanhado em todas as armadilhas disponíveis. Mais: trata tudo de forma tão superficial (e ligeira), que não torna possível o assinante Netflix sentir qualquer coisa ao assistir Carnaval.

Tanto na parte “cômica”, quanto na parte “dramática” destacam-se as aspas.

No fundo, essa produção é uma mistura da comédia nacional Muita Calma Nessa Hora (2010) de Felipe Joffily com a obra original Netflix chamada Alguém Especial (2019) de Jennifer Kaytin Robinson. Ambos exemplares de nível inferior. Assim, não surpreende que o longa de Leandro Neri tenha ido pelo mesmo caminho.

Elenco

A cativante Giovana Cordeiro que interpreta a estrela principal em Carnaval, tem seus momentos, como na cena onde é levada até um centro candomblé. Mas, em sua maioria, não passa da caricatura das emoções. Nesse quesito, a jovem Bruna Inocencio é quem se saiu melhor.

No campo do humor, a aposta é em Gkay, que faz o papel de Michelle, a amiga sem filtro. Se conseguir algum risinho sequer nessa produção, o mérito será dela e seu sotaque muito marcante, isso quando conseguir entender o que ela diz, já que fala rápido.

Samya Pascotto faz a nerd preconceituosa, lamentavelmente. Fazendo questionários de cultura pop para ver se inicia uma conversação, ou simplesmente beije um suposto interessado. Personagem que começou a trama de um jeito, e terminou do mesmo. Entristecedor!

Alguns destaques positivos: os atores Micael Borges e Jean Pedro, que interpretam Freddy Nunes e Salvador, respectivamente. O primeiro, mais enigmático em suas atitudes; enquanto, o outro é o único em todo o elenco que consegue equilibrar uma forma consciente com carisma despojado.

Conclusão

Além de algumas cenas esdruxulamente risíveis, como manifestantes com cartazes cancelando uma influenciadora digital no meio da festa do trio elétrico baiano, fica a lição para o diretor Leandro Neri, que na próxima vez que quiser produzir algo que seja divertido, minimamente crível, e ainda consiga elaborar sobre temas relevantes, que se inspire na dupla de cineastas Jon Lucas e Scott Moore do divertidíssimo Perfeita é a Mãe! (2016).

Até lá, cruzemos os dedos para a volta do carnaval em 2022, pois, se for para sobreviver do Carnaval da Netflix, vamos passar vontade!

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio