Crítica: Elite – 4ª Temporada

Amada série teen da Netflix repete a fórmula em temporada muito irregular

Publicado em 18/6/2021
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Quando uma produção chega na sua quarta temporada de vida e, com uma quinta já engatilhada para o ano de 2022, significa algo simples: sucesso.

No caso de Elite, adicione o advérbio de potência ‘muito’ para fazer jus à produção criada e encabeçada pela dupla Carlos Montero e Darío Madrona. Esta ‘galinha dos ovos de ouro’ da provedora streaming Netflix encontrou uma fórmula boa para conseguir segurar seu assinante fã assíduo de dramas adolescentes.

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Caso não se lembrem, na primeira temporada de Elite, lançada em 2018, acompanhamos três estudantes de classe operária – Samuel, Nadia e Christian – que foram transferidos para a escola privada Las Encinas, a mais exclusiva de toda a Espanha. No começo, os três foram condenados ao ostracismo pelos estudantes de classe alta (ou rica), mas, com o passar do semestre as coisas foram mudando e as vidas de todos começaram a se interligar.

O duo Montero/Madrona repetiu o conceito na segunda temporada, adicionando mais três personagens – Valerio, Rebeka e Cayetana; não repetiu tal processo na terceira parte da série teen da Netflix.

Agora, chegamos no quarto volume de Elite, e voltamos a ter um novo trio para abalar as estruturas da “escola de riquinhos” Las Encinas. São os três irmãos Ari (Carla Díaz), Mencía (Martina Cariddi) e Patrick (Manu Ríos), filhos de Benjamín (Diego Martín), o mais novo diretor “linha dura” da escola. Com a chegada destes novos personagens, surge um novo mistério depois que Ari é encontrada perto da morte. Quem será que tentou matar a nova patricinha da escola Las Encinas?!

Novas faces, velhos truques

Lembram daquela proposta estrutural da série, que emprega um enredo de estilo flash-forward que envolve um elemento de mistério, com cada temporada ocorrendo em duas linhas do tempo?!

Então, já que em time que está ganhando não se mexe, isso obviamente está de volta! O que vem se tornando um dos grandes problemas para curtir a história dos adolescentes abastados espanhóis.

Reviver a mesma fórmula, vez após vez, até pode ser considerada uma cartada certa para manter seu público fiel a cada nova temporada que se avista, inegavelmente. Contudo, a probabilidade de conquistar aqueles que não desfrutaram dos volumes anteriores, ou mesmo de angariar assinantes Netflix que ainda desconhecem o material, é muito pequena.

Em resumo: é uma série que nunca evolui sua narrativa, mesmo que em cada parte opte por abordar e comentar assuntos diferentes (geralmente focados em diversas temáticas sexuais).

Imaturidade narrativa

Tal processo, infelizmente, vale para alguns personagens. No entanto, fica muito mais fácil e confortável “culpar” o elenco nesses momentos. Algo que seria de grande injustiça, pois são estes que se esforçam (alguns até acima do ponto) para trazer alguma emoção genuína ao assinante Netflix que for assistir Elite. E, olha que alguns precisaram capinar sentado para transmitir qualquer comoção nesta quarta temporada.

Diferente dos mistérios policiais de cada temporada, é bem mais prático apontar o culpado para que Elite possua uma narrativa tão engessada, no caso, o real vilão é (e sempre tem sido) o roteiro.

Argumentos:

Uma das coisas mais básicas para garantir o interesse do(a) espectador(a), é fazer com que ele(a) se enrole no meio da trama junto do embaraço que estão as vidas das personagens que costuma acompanhar. E, vale notar que os escritores da história se preocupam com tal ideia a ponto de praticar incontáveis ‘plot-twists’ durante toda a temporada.

Todavia, de pouco adianta inserir tantas viradas nas relações das personagens, se não consegue construir e tratar nada por mais que dez minutos de narrativa. Logo no primeiro episódio ‘A nova ordem’ terão a chance de perceber isso acontecendo, como por exemplo, uma nova aluna do colégio dando em cima de Rebeka, que dá uma negativa direta e reta para a novata, para minutos a frente, sem maiores dificuldades, ceder aos charmes da interessada.

Agora, imaginem isso, tal prática de engenho narrativo acontecendo em cada um dos oito episódios por toda (!) a temporada desta série original Netflix. Conseguem imaginar?

Aí, nessas horas, quem sofre com isso é o elenco de Elite, que trabalha com emoções encaixotadas por breves momentos, de maneira que por mais que exista um arco dramático nítido, pouco ou quase nada disso se engata com o assinante Netflix porque não foi possível maturar a carga emocional claramente presente nas relações destas personagens.

Inverosímil

Lamentavelmente, não há qualquer destaque no quesito atuação dentro do elenco de Elite, que na média, apresenta-se de forma irregular, alternando bons e maus momentos. Mais para o segundo que o primeiro.

No saldo positivo, encontram-se os atores Arón Piper, Claudia Salas e Georgina Amorós, respectivamente, Ander, Rebeka e Cayetana. Estes três conseguiram atuar de modo mais equilibrado na temporada, sem tantos altos e baixos, mais cirúrgicos nas efemeridades de um roteiro retalhado.

Já, o saldo negativo no elenco fica com os atores Omar Ayuso, Carla Díaz, Martina Cariddi e Pol Granch, respectivamente, Omar, Ari, Mencía e Phillipe, que interpreta um príncipe dos tempos atuais na performance mais insossa por parte do elenco. Uma esponja de pia tem mais expressão e energia que o jovem e belo ator. Sério!

Conclusão

É natural (e justo) que se questione, se Elite faz tamanho sucesso, que o trouxe até uma quarta temporada, como que com tantos desacertos e desigualdades isto tornou-se possível?

A resposta está bem na cara!

Primeiro, devemos lembrar que esta série original Netflix tem como público-alvo, adolescentes e jovens adultos (18-30 anos). E, estas gerações mais recentes têm sofrido (justificadamente) de ansiedade, depressão e afins. Deste modo, uma série como Elite da Netflix traz todo o ambiente de confusão, dúvidas e transições que tantos passamos, e hoje em dia, muitas destas encontram-se no campo do sexo, incluindo uma busca pela identificação sexual em cada um de nós.

Assim, Elite mostra-se apta a estabelecer uma ponte entre material e público, algo de extrema importância em nossa sociedade que continua em fase de amadurecimento, como no episódio derradeiro quando Cayetana (que amadureceu bastante nesta temporada) deixa uma lição essencial para a classe masculina sobre a educação sexual a respeito do consentimento na hora do sexo.

Pena que momentos como este são uma exceção nesta temporada, pois muito do que realmente importa nesta produção espanhola Netflix se perde na valsa romântica das personagens em um ‘vai para lá, vem para cá’ que só cansa o espectador.

Para os fãs que observam tal relação humana e, contentam-se com as credenciais estruturadas desta série teen, tudo estará de acordo com os conformes, agora, para o restante do público, fica a sensação de ter acompanhado um desfile de frivolidades (em sua maior parte).

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