Crítica: Lupin – 1ª Temporada – Parte 2

Segunda parte de Lupin é mais intimista, enquanto alimenta o engenho de seu protagonista

Publicado em 11/6/2021
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Quando saiu a primeira parte de Lupin, no comecinho de 2021, foi um choque!

Não estamos nos referindo sobre a qualidade narrativa da produção original Netflix. O que surpreendeu foi o enorme (!) sucesso que obteve entre os assinantes. A série foi assistida por 70 milhões de lares durante seu primeiro mês, tornando-se a série falada em uma língua não-inglesa mais assistida na plataforma de streaming.

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O sucesso foi tanto que antes do lançamento de sua segunda temporada, Lupin foi oficialmente renovada pela Netflix para uma terceira.

O que explica este triunfo?

Bom, existe o argumento da figura justiceira de uma classe baixa tentando mostrar as cores verdadeiras de uma outra figura, só que esta muito mais poderosa. Praticamente, o que chamamos de fator Robin Hood.

Contudo, existe um outro elemento que merece equivalente destaque, vindo pelo fascínio das pessoas em testemunhar a arte do roubo em obras literárias ou audiovisuais. À parte o senso de justiça sendo feita, não dá para negar o prazer em assistir personagens demonstrando maiores habilidades na prática do furto, pois além dos rápidos reflexos, torna-se necessário uma boa porção de engenho para fazer todo o golpe funcionar.

Desde O Batedor de Carteiras (1959) do aclamado Robert Bresson, até o cinema mais pop de Steven Soderbergh, responsável pela trilogia Onze Homens e Um Segredo e Logan Lucky – Roubo em Família (2017), observamos o talento nato em alguns para surrupiar o que não lhes pertence. Ou seria o contrário?

Seja como for, retornamos para a segunda parte da primeira temporada de Lupin, logo após o detetive Youssef Guedira (Soufiane Guerrab) chamar Assane Diop (Omar Sy) de “Lupin”, enquanto este procura desesperadamente pelo seu filho Raoul (Etan Simon).

Herói vulnerável

Já é sabido que o protagonista desta série original Netflix, inspira-se no personagem ficcional Arsène Lupin, um ladrão de costumes impecáveis, possuidor de grande charme e muita cortesia no trato, além de ser um mestre no disfarce. Deste modo, é muito curiosa e graciosamente encantadora, a escolha do ator e comediante francês Omar Sy para tal papel. Até pelo grande porte físico (altura e massa muscular) do mesmo.

Claro, que sua escolha foi algo planejado pelos criadores George Kay e François Uzan, que além de saberem dos talentos de Sy, viram a chance de explorar a enorme presença (literal) que o ator possui frente à câmera.

É sempre algo, no mínimo instigante, ver o lado mais sensível de figuras como Omar Sy, assim como outros atores, por exemplo, Hugh Jackman ou Dave Bautista.

E, nos dois primeiros capítulos desta parte 2, veremos nosso herói em uma posição de grande vulnerabilidade, algo que não tínhamos visto ainda com tanta vibração nos episódios lançados no início de 2021.

Sorte de qualquer produção que escale Sy, pois existe algo inegavelmente genuíno em suas performances, ao longo da carreira. Muitos lembram-se da ingenuidade contestadora de Driss, papel do ator na comédia dramática Intocáveis (2011) de Olivier Nakache e Éric Toledano.

Então, aquela agitação solar de dez anos atrás permanece intacta no espírito de Omar Sy, tornando a aproximação com o assinante da Netflix algo bem facilitado, enquanto assistimos a série Lupin.

A arte do furto

Depois de vermos este lado de Assane Diop, nos encantaremos novamente com a capacidade de engenho e criatividade presentes no charmoso enganador. Do capítulo 8 até o fim desta temporada, voltaremos a presenciar o arsenal de habilidades que Diop exibe em todas as suas ações.

Especificamente, no primeiro destes capítulos citados, atestaremos a capacidade de enganação dele, de maneira que tanto uma das personagens, como o espectador serão ludibriados pelas suas intenções, na mesma medida que irão perceber a legitimidade em seus sentimentos.

Entretanto, o maior destaque da resolução de Lupin nesta primeira temporada, fica com o décimo capítulo que termina esse volume de forma apoteótica. O clímax ocorrerá em um concerto de música clássica para a instituição Pellegrini, de forma muito similar à cena da Ópera Estatal de Viena no ótimo Missão Impossível – Nação Secreta (2015) de Christopher McQuarrie.

O fechamento desta parte de Lupin é muito mais do que satisfatório. Agora, fica a ansiedade pelo o que ainda virá. Lembrando que teremos ainda duas temporadas inteirinhas garantidas nos próximos tempos.

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