Crítica – Perfeição Insondável

Irregular filme que balança entre o erótico e o cinema de gênero comum

Publicado em 5/6/2021
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A primeira coisa a se elogiar em Perfeição Insondável vem pelo seu título nacional. No original, chama-se What Lies Below (no traduzido, O Que Está Embaixo).

Bom, não precisa muito para perceber que a tradução do título original dá mais ênfase ao que poderia ser um filme do gênero terror. Algo que está no cerne do filme dirigido por Braden R. Duemmler.

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Todavia, também existe uma outra narrativa dentro da trama de Perfeição Insondável, que se encontra disponível no catálogo da Netflix: as insinuações eróticas.

Assim, a versão nacional escolhida fez justiça ao que há de melhor nessa história, que acerta no sugestivo, e apenas cumpre com os protocolos de gênero em seu terço final.

A obra de Braden R. Duemmler nos apresenta Libby (Ema Horvath), uma jovem de 16 anos de idade que retorna para casa após um período em um acampamento. Sua mãe Michelle (Mena Suvari) surpreende a garota ao apresentar seu novo namorado John (Trey Tucker), um homem cujo charme, inteligência e beleza fazem com que ele não pareça humano de forma alguma. Quando algumas situações estranhas começam a acontecer, Libby começa a suspeitar de seu provável futuro padrasto.

Terror erótico

Dá para afirmar que existem dois filmes diferentes dentro de Perfeição Insondável, pois existem duas linhas narrativas no enredo. A primeira, que ocorre na parte inicial, é definitivamente melhor, em vista que exerce mais o sugestivo do que o prático.

Por boa parte da história, a obra de Duemmler fica navegando pelo drama familiar de uma mãe e filha que, claramente, não estão falando a mesma língua por algum tempo. Esse desentendimento de ideias é o espaço perfeito para a inserção de um novo elemento, o mais recente namorado da mãe, um homem de porte físico estonteante.

É nessa parte que ocorre o melhor tipo de terror em Perfeição Insondável, onde nos deparamos com a situação de ter um (possível) padrasto que é sexualmente atraente para a sua jovem e adolescente enteada.

Então, no lugar de sustos e tensão, teremos um toque no ombro desnudo, um sorriso perfeito, uma piscadela, um breve momento de demonstração de vulnerabilidade, e assim por diante.

Quer terror maior do que tentar resistir aos próprios desejos carnais?! Ainda mais com alguém tão ao alcance?!

Quando Braden R. Duemmler põe em prática este tipo de terror, ele mostra que não se contém apenas com o que é esperado, vai além dos limites de gênero. Quantas e quantas vezes, temos observado ao longo das décadas, cineastas de todo tipo se aventurarem pelo gênero do horror com ambientes e ideias que pareciam muito estranhas naquele momento?

Já tivemos terror no espaço com Alien – O 8.º Passageiro (1979) de Ridley Scott; pavor misturado com humor (“terrir”) em Uma Noite Alucinante – A Morte do Demônio (1981) de Sam Raimi; terror folclórico diurno com Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (2019) de Ari Aster; ou obras que surpreendem escapando do sentido lógico das coisas, como a maior parte do cinema praticado por M. Night Shyamalan.

Por uma considerável porção da exibição, Duemmler solta-se das amarras e brinca, atiça o espectador… pena, que logo em seguida amarra-se às convenções.

Terror de gênero

É completamente natural que o público tenha dificuldades e, muitas vezes até ria dessas situações estapafúrdias encontradas no cinema do horror. Óbvio, que as performances no elenco geralmente não ajudam, pois, são muito caricatas ou extremamente exageradas em suas reações. No caso, as atrizes que fazem mãe e filha, se apresentam de modo mais irregular, às vezes no ponto certo, outras um pouco acima.

Agora, o galã Trey Tucker acerta a mão em sua performance calorosa, mas ardilosa; e que não se acanha nas provocações. A cena de John e Libby no bote é o melhor exemplo disso.

Porém, atuações à parte, o que mais atrapalha na segunda metade de Perfeição Insondável é a predisposição da trama em seguir pelo viés mais comum do terror (com uma pincelada de sci-fi).

Duemmler se aproveita daquele cenário de casa no lago, isolada de tudo, à noite, fazendo o que se espera. Buscando sustos e tentando tensionar quem assiste com uma trilha sonora alta e incessante.

E, deixando uma garantia (quase) certa de frustrar o público com seu final aberto, que apenas afirma o sofrimento feminino.

De fato, que homens como John têm vários por aí… pobres mulheres. 

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