Crítica: Trese – 1ª Temporada

Anime filipino original da Netflix mescla thriller, terror e ação abordando o sobrenatural

Publicado em 11/6/2021
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O que prefere? Dia ou noite? Sente-se mais inclinado à farsa ou a tragédia? Prefere cores ou tons mais sóbrios?

Seja qual escolher, isso representa nada mais do que algumas características de sua personalidade aparente, mais ligada aos seus interesses e prazeres do que quem realmente é. Ainda assim, tais fascínios são relevantes para o nosso bem estar e saúde mental.

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Peguemos o campo da fantasia, por exemplo. Temos no catálogo da Netflix, a série Sweet Tooth que vem fazendo enorme sucesso entre os assinantes. A série do menino híbrido joga no terreno da fantasia, enquanto comenta duras realidades de forma intimamente emocional.

Agora, do outro lado, temos uma versão mais tenebrosa do gênero fantástico, chamado de ‘dark fantasy’ (no traduzido, fantasia sombria). E, para os curiosos que preferem algo não tão soturno, a certeza de que o lado escuro da fantasia também exibe realidades penosas, sem fugir das complicações humanas e suas vulnerabilidades.

Assim temos, para os amantes do mistério, terror e sobrenatural, uma nova produção em forma de anime que tem o que é preciso para conquistar o coração “preto” dos mais aficionados. Está disponível Trese, animação de origem filipina, que nos transporta para Manila, capital das Filipinas, onde criaturas míticas do folclore local vivem escondidas no mundo dos humanos. E, cabe a jovem investigadora Alexandra Trese manter o equilíbrio no convívio entre tais seres e a humanidade, porém, alguns crimes vêm acontecendo colocando em risco essa situação. Agora, a habilidosa detetive terá que bater de frente com organizações criminosas do submundo, repletas de seres malévolos com poderes sobrenaturais.

Durante a noite…

Trese, que é baseada na série de quadrinhos filipina homônima, criada por Budjette Tan e Kajo Baldisimo, é um caldeirão de referências para aqueles que apreciam o lado sombras do universo.

Para começo de conversa, basta observar a protagonista do show. A jovem Alexandra Trese é uma versão (animada) menos punk da famosa Lisbeth Salander, da série de livros e filmes Millennium. Basta substituir as habilidades hackeristas por magia sobrenatural.

Funcionando em um ambiente urbano, somados a uma proposta policial, que surfa entre a mundialmente celebrada série Sobrenatural com o ritmo de ação do anime Yu Yu Hakusho, enquanto denuncia alguns males da sociedade, como a corrupção dos poderosos da política e dos negócios, em cenas climatizadas pelo terror e sangue, muito sangue. Provavelmente, fãs de M. Night Shyamalan e da série de anime Castlevania irão delirar em certas partes de Trese.

(Observação: as séries originais Netflix, Labirinto do Medo e Zero também partilham de alguns destes aspectos.)

Junte tudo, e ganharás uma primeira temporada com apenas seis episódios, que irão atiçar cada um destes elementos, em seu devido momento.

Exemplos: no primeiro episódio, já pisaremos no campo do terror, com fantasmas e monstros chamados de aswangs que possuem uma dieta a base de seres humanos, exclusivamente; enquanto, no segundo episódio, lembraremos de Velozes e Furiosos, o original de 2001, dirigido por Rob Cohen; e no quarto episódio, seremos transportados de volta para a malfadada Raccoon City do videogame Resident Evil 2 (1998).

Em resumo: o maior mérito de Trese da Netflix está em englobar tudo isso dentro de sua narrativa, tentando alcançar diferentes ramificações para atrair o assinante.

Família é mais que sangue

Os episódios derradeiros de Trese guardam o lado mais emocional do enredo, de modo que tocaremos na temática da família, especificamente, nosso lugar dentro do clã que nos criou, além da real ligação que nos une.

No começo da trama, o personagem Capitão Guerrero diz o quanto a jovem Alexandra lembra seu pai Anton, que trabalhou ao lado do chefe de polícia no passado, quando a investigadora sobrenatural era apenas uma adolescente. Contudo, só ela sabe o peso que é carregar o símbolo que seu pai representou, e como ele se esforçou para que sua garotinha fosse além do que sua família fez.

Tal conceito pôde ser visto no episódio final da temporada com os gêmeos Crispin e Basilio, que mostraram de que lado da história eles realmente querem estar.

Ainda bem que a Netflix já jogou a isca para o que virá adiante, pois definitivamente, Trese tem muito mais a oferecer.

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