Crítica – Xtremo

Longa de ação da Netflix atrai pelas lutas bem coreografadas, apesar de roteiro pobre

Publicado em 5/6/2021
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Sim, você deve ter pensado a mesma coisa. Está faltando a letra ‘e’.

Mas, não se preocupe, pois essa é a única coisa que irá fazer falta neste longa de produção espanhola para a Netflix. De modo que em Xtremo (sem ‘e’), tudo, absolutamente tudo que o assinante da plataforma precisa é um bom par de olhos para acompanhar todos os movimentos e coreografias de luta durante as quase duas horas de duração do filme dirigido por Daniel Benmayor.

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O filme “conta” a história de Max (Teo García), que dois anos após o assassinato de seu filho e pai, põe em ação um plano de vingança cuidadosamente elaborado contra o assassino que foi seu próprio irmão Lucero (Óscar Jaenada), mas para isso irá contar com o auxílio de sua irmã Maria (Andrea Duro) e do adolescente Leo (Óscar Casas).

Hora da porrada

Pela sinopse, já deu para entender que aqui temos um filme do tipo vingança, correto?

Bom, é só isso mesmo que o assinante Netflix deve saber de Xtremo. Pelo simples fato que não há nada mais a dizer aqui sobre a “trama” dessa produção espanhola. Nadinha mesmo!

Esse comentário não é uma crítica positiva ou negativa, apenas a constatação de que a obra de Daniel Benmayor apresenta um fiapo de roteiro, que simplesmente lhe entrega as peças do tabuleiro e, que estas irão se mover cada uma no seu tempo em embates individuais, onde o couro vai comer solto!

É isso. Ponto final.

Agora, que tiramos a parte do “conteúdo” do meio do caminho, vai sobrar o quê para mostrar?

Porrada, porrada, porrada e mais um pouco!

Apesar de não existir absolutamente nada com o que se envolver nessa história. Há uma atração inegável para o assinante Netflix que aprecia filmes de ação, mais especificamente, obras que apresentam o submundo das artes marciais.

Não dá para negar que Xtremo é um longa de qualidades quando o assunto é encenação, coreografia e execução, que na maior parte do tempo ganha cor e vida com uma direção de fotografia que usa de planos que permitem ao espectador fã de porrada, conseguir acompanhar com os olhos todos os movimentos sendo executados pelos atores/dublês.

Sim, existe uma beleza estética muito chamativa na produção encabeçada por Daniel Benmayor. E, olha que não faltam oportunidades e cenários variados para entregar boa ação ao assinante Netflix.

Ação bem filmada

Na maioria dos casos, uma das coisas que vem a mente quando comenta-se sobre o gênero ação é de que sempre deve ser rápido, grandioso e cheio de explosões. Um argumento válido, deve-se dizer.

Não à toa, filmes dirigidos pelo cineasta Michael Bay (franquia Transformers; Esquadrão 6) ainda fazem grande sucesso com o público, apesar das críticas negativas que vive recebendo por seus trabalhos; ou mesmo, as incontáveis sequências da série de filmes Velozes e Furiosos, que já se encontra no exemplar número 9.

Quem tem a necessidade de ser abastecido com esta forma de adrenalina visual, possui material de sobra à vista.

Porém, também há uma maneira mais limpa de apreciar filmes de ação, em especial, os que envolvem qualquer forma de luta, corpo a corpo.

Além da boa mise-en-scène (cenário, props), também vemos uma competente execução da fotografia, que inclui planos médios, permitindo um melhor proveito das coreografias, e até planos mais abertos para termos a total noção do espaço onde acontecem as trocas de socos e chutes.

Também acontecem algumas boas cenas de câmera travelling, deslocando-se no espaço. Uma versão menos estilosa do que o primoroso trabalho de Park Chan-wook no excepcional Oldboy (2003).

Conclusão

Daniel Benmayor segue na mesma linha que Ninja Assassino (2009) de James McTeigue, ou Polar (2019) de Jonas Akerlund, com o diferencial que ele filmou seu material com muito mais qualidade que os outros dois.

Para boa parte dos assinantes Netflix, certamente, esta produção espanhola não acrescentará em nada, até porque a própria não tem a intenção de oferecer mais do que o fez.

No entando, para os fanáticos por ação e artes marciais, Xtremo será um bom pratão cheio!

Às vezes, tudo o que você precisa é de uma boa dose de entretenimento violento.

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