Crítica – A Guerra do Amanhã

Filme de ação/sci-fi da Amazon Prime Video acerta pela dinâmica em alta frequência, apesar de não explorar nenhuma de suas temáticas

Publicado em 2/7/2021
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Lembram-se quando Chris Pratt explodiu com o primeiro Guardiões da Galáxia em 2014?! E, que daquele momento em diante, só se via ele em grandes produções hollywoodianas?

Exemplos não faltam: a franquia Jurassic World de dois longas-metragens produzidos, com um terceiro a caminho; o remake do faroeste Sete Homens e um Destino; a ficção científica Passageiros; além de ser uma das maiores estrelas da Marvel Studios, com a série de filmes Guardiões da Galáxia e Vingadores.

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Pouca coisa, não?!

Antes disso, Pratt participou de produções muito boas, como O Homem Que Mudou o Jogo (2011), A Hora Mais Escura (2012) e Ela (2013), porém nunca como um dos protagonistas.

O status do astro cresceu tanto nos últimos tempos, que agora não apenas estrelou, como pela primeira vez na carreira, fez o papel de produtor executivo de uma grande produção de Hollywood.

Chega pela plataforma da Amazon Prime Video, o mix de ação/sci-fi A Guerra do Amanhã que choca o planeta Terra quando um grupo de viajantes do tempo chega do ano 2051 para entregar uma mensagem urgente: trinta anos no futuro a humanidade está perdendo uma guerra global contra uma espécie alienígena mortal. A única esperança de sobrevivência é que os soldados e civis do presente sejam transportados para o futuro e se juntem à luta. Entre os recrutados está o professor de ensino médio e pai de família Dan Forester (Chris Pratt). Determinado a salvar o mundo para sua filha, Dan se junta a uma cientista brilhante (Yvonne Strahovski) em uma busca desesperada para reescrever o destino do nosso mundo.

Falso filme profundo

Obras de uma premissa como é o caso desta, que envolvem mais de um gênero cinematográfico, e que mexem com elementos como viagem no tempo, costumam entregar surpresas e questionamentos instigantes, além do viés emocional como um filme do tipo sobrevivência, claro.

Olha que A Guerra do Amanhã da Amazon Prime Video tenta, viu?! Pena que não consegue nada, além do que se vê na superfície.

O filme dirigido por Chris McKay, que antes só havia trabalhado com as animações Uma Aventura LEGO (2014) e LEGO Batman: O Filme (2017), mirou três temas que abririam espaço para digressões complexas, mas que infelizmente são pobremente exploradas pelo roteiro de Zach Dean.

Logo no começo da história, fica nítido que o texto busca investigar a temática de como é a vida no pós-guerra, e principalmente, como os traumas da violência extrema afetam sua própria vida, além daqueles que ama, obviamente. Pouco antes do protagonista fazer o salto temporal, ele encontra seu pai (J.K. Simmons), que explica os motivos de ter abandonado sua família, e de como não era mais o mesmo depois do que presenciou no Vietnã.

Poderia ter deixado o cineasta Clint Eastwood orgulhoso… mas, não!

Outra abordagem interessante, que também surge bem no início da trama, vem pelo questionamento de como é o funcionamento do recrutamento do exército americano em situações de conflito como esta. Em nenhum momento no enredo, bate-se de frente com a ideia de levar pessoas do tempo presente para o futuro, de onde pouquíssimos retornam, e de quem é a responsabilidade disto estar acontecendo com tantas famílias.

De teor político direto, fez relembrar novamente, os protestos do povo americano nas décadas de 60/70 que via seus soldados, na maioria dos casos, retornando em caixões da Guerra no Vietnã.

Para fechar, a denúncia mais deslocada de toda a narrativa, que revelou os perigos do aquecimento global derretendo nossas geleiras. Em A Guerra do Amanhã, isso é apresentado de forma tão bizarra, que faz o risível mãe! (2017) de Darren Aronofsky, que também tratou tal temática, ganhar alguma profundidade.

Ação em alta-voltagem

Já que nada o que foi citado, presta qualquer serviço à narrativa desta produção original da Amazon Prime Video, tudo o que sobra é a boa e velha marca do cinema de ação que exalta tiros, porradas e bombas. Desse quesito, inegavelmente, A Guerra do Amanhã dá conta do recado!

Abrindo espaço para o ‘garoto dourado’ de Hollywood brilhar mais uma vez. No entanto, fica a indagação na cabeça, se Chris Pratt entregaria mais com um roteiro menos preguiçoso?

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