Crítica – Jungle Cruise

Longa baseado em atração dos parques da Disney faz muito pouco pela aventura, humor ou romance

Publicado em 30/7/2021
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Esta história dos bastidores hollywoodianos já é conhecida.

Quando o influente produtor Jerry Bruckheimer levou as primeiras gravações do que seria o surpreendente Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra (2003) para os chefões da Disney, ainda no final de 2002, pode-se afirmar que o sentimento foi apenas um: descontentamento.

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Motivo?

Johnny Depp!

Os poderosos mandachuvas representantes do reino de Mickey Mouse, disseram para o renomado produtor que o público não iria engolir um pirata “gay”, todo esquisitão como era o personagem Capitão Jack Sparrow. Bruckheimer pediu para seus chefes confiarem nele de que Depp seria um grande sucesso para o filme e, até para uma possível franquia cinematográfica, e caso estivesse errado, que isso fosse descontado nele e qualquer possibilidade futura dentro dos estúdios Disney.

É necessário explicar quem estava correto na discussão?

Bom, pulando dezoito anos no tempo, vemos que a toda poderosa Disney quer tentar repetir a receita: transformar em filme, outra atração de seus parques temáticos.

O escolhido da vez é Jungle Cruise, disponível para compra na plataforma Disney+, que promete embarcar o público em uma emocionante viagem pela Amazônia com o Capitão Frank Wolff (Dwayne Johnson) e a intrépida pesquisadora Dra. Lily Houghton (Emily Blunt). Lily viaja de Londres, Inglaterra, para a selva amazônica e alista os serviços questionáveis ​​de Frank para guiá-la rio abaixo em La Quila – seu barco em ruínas, mas charmoso. Lily está determinada a descobrir uma árvore antiga com habilidades de cura incomparáveis ​​- possuindo o poder de mudar o futuro da medicina. Impulsionados nessa jornada épica juntos, a dupla improvável encontra inúmeros perigos e forças sobrenaturais, todos à espreita na beleza enganosa da exuberante floresta tropical. Mas, à medida que os segredos da árvore perdida se revelam, as apostas ficam ainda mais altas para Lily e Frank e seu destino – e o da humanidade – que está em jogo.

Aventura…zinha

Desde que foi anunciada a produção desta obra, já estabeleceram comparativos com a franquia Piratas do Caribe. Um paralelo justificável, vale dizer. Porém, podem adicionar alguns outros elementos aventurescos nessa receita, com uma pitadinha da série de filmes Indiana Jones, e A Múmia (versão Brendan Fraser), por exemplo.

No entanto, ao assistir Jungle Cruise da Disney+, possivelmente notará um diferencial faltando.

Temos isso na franquia Indiana Jones, através do incomparável Harrison Ford; assim como também observamos o mesmo nos filmes Piratas do Caribe, que revelou uma das melhores e mais carismáticas performances da carreira de Johnny Depp, transformando-o em uma estrela global.

Seria um absurdo afirmar que a dupla de protagonistas deste longa dirigido por Jaume Collet-Serra não oferece e entrega atrativos o suficiente para tornar Jungle Cruise, um algo especial. Contudo, depender só do carisma e energia em cena de suas estrelas principais, apenas mostra o óbvio, de que o entorno é um grande amontoado de escolhas narrativas que servem exclusivamente para se encaixar nos moldes de um gênero que sobrevive de padrões anacrônicos.

É prático perceber todos os elementos de uma agradável obra de aventura nesta produção, como fantasia, batalhas, humor, romance. Tudo dentro de um cenário exuberante como se espera dos estúdios Disney.

Mas, de que adianta seguir a cartilha, se não imprime qualquer valor incandescente à trama?

No lugar, ganhamos uma história estéril, incapaz de aproveitar o bom material em mãos, que ainda se presta ao serviço de desperdiçar o talento carismático de Emily Blunt e Dwayne Johnson, que é um ator especializado em entregar atuações à la Dwayne Johnson, como só Dwayne Johnson poderia fazer.

Batendo o ponto

Tal desperdício não se resume às aptidões do elenco escanteadas em Jungle Cruise. Infelizmente, isso também vale para aqueles que “criaram” o enredo pré-formatado deste filme.

Dentro dessa forma de bolo, temos talentos do calibre de Glenn Ficarra & John Requa (Papai Noel às Avessas; Amor a Toda Prova) e Michael Green (Logan; Blade Runner 2049), além do cineasta Jaume Collet-Serra, que fez uma carreira dirigindo o astro Liam Neeson em produções de ação, como em Desconhecido (2011), Noite Sem Fim (2015) e O Passageiro (2018).

Bom lembrar que Collet-Serra nunca brilhou nestas produções estreladas por Neeson, mas surpreendeu positivamente a todos, quando entregou o terror de sobrevivência Águas Rasas (2016), estrelando a jovem Blake Lively.

Todavia, tanto faz o currículo de cada um destes profissionais, já que Jungle Cruise só fez prender a criatividade deles. Certamente, quando as viagens internacionais forem liberadas novamente, veremos maiores filas para o brinquedo dos parques Disney, do que para esta produção que não tem cheiro, gosto ou qualquer sensação de aventura.

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