Crítica: Loki – 1ª Temporada

Terceira produção da Fase 4 da MCU para a Disney+ é muito irregular, apesar de abrir o universo da Marvel para um futuro promissor

Publicado em 14/7/2021
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Finalizada a primeira temporada de Loki, que já tem a promessa garantida de uma segunda parte para um futuro próximo, podemos analisar esta série da Disney+ por dois cenários diferentes.

O primeiro, foca diretamente na série desenvolvida por Michael Waldron, e toda a narrativa elaborada para as aventuras arriscadas do carismático Loki (Tom Hiddleston), ao lado da Variante Sylvie (Sophia Di Martino), tentando desvendar os segredos por de trás dos Guardiões do Tempo e a agência de controle AVT.

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Já o outro cenário, é observar o universo expandido da Marvel (MCU) e as novas infinitas possibilidades que se revelam para um futuro que promete dar calafrios (de todo tipo) nos fãs.

Lamentavelmente, Loki da Disney+ só acerta a mão em um desses cenários, no caso, o último.

Das três séries desenvolvidas até o momento para a plataforma, Loki é a que se mostrou mais desnivelada na apresentação da narrativa, e também a que menos tratou suas personagens de modo convincente, tanto que o talentoso e versátil Tom Hiddleston, fez nesta produção onde é o titular, seu pior trabalho como o Deus da Mentira.

Desvio de trajetória

Se for para compararmos, Loki está mais próximo de WandaVision do que Falcão e o Soldado Invernal, aquela das três que menos tropeçou pelo fio narrativo, até mesmo porque é a que mira alvos mais acessíveis, portanto, acertou-os com maior facilidade.

Inegavelmente, o material da série criada por Waldron é o mais complexo de se apresentar ao público. Só o fator das quebras temporais, já oferece um leque de elementos para se trabalhar as mais variadas possibilidades.

Assim, surpreende que Loki tenha uma narrativa tão apressada em apresentar suas peças e movimentos desde o começo, afetando diretamente no melhor proveito das situações e todas as emoções envolvidas nelas.

Mais: desperdiçando ótimas chances de explorar algumas temáticas, como a proximidade da morte certa (episódio ‘Lamentis’), ou a dura solidão no vazio existencial (episódio ‘Jornada ao Mistério’).

Não é mais novidade que o cinema da Marvel, diferentemente da DC Comics, explora certas nuances narrativas fazendo um bom uso do humor para, além de entreter, realçar o impacto dramático almejado pelas tramas envolvendo fileiras e mais fileiras de super-heróis.

Alguns dizem, injustamente, que elementos cômicos tiram a carga emocional de um enredo, tornando-o bobo ou artificial. Muito pelo contrário. Dentro da MCU, temos em Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017) de James Gunn, um exemplo fantástico de uma obra que foi capaz de equilibrar os elementos de uma matinê familiar, enquanto discutia profundamente o confronto entre a razão e a emoção, usando do masculino e feminino, como exemplos práticos.

Em Loki, esse conceito Marvel de ser, não se altera. Porém, existe uma forçação de barra pesada aqui, criando um desnível enorme com as intenções dramáticas apresentadas. O erro está na modulação disso, muito alta, e realmente suprimindo o valor material da produção da Disney+.

De vilão para anti-herói para bom moço

Antes da chegada da série Loki, Tom Hiddleston esteve em seis longas-metragens dentro da MCU, onde conquistou uma legião de fãs com sua personalidade que balança entre o justo e a imoralidade.

Se na denominada Fase 1 ele era o ‘bad boy’ em cena; nas duas seguintes, foi entrando na coluna dos anti-heróis do cinema baseado em quadrinhos, que têm figuras inesquecíveis, como: Deadpool, Wolverine, Mulher-Gato, Arlequina, Venom, e tantos outros.

E agora, nesta Fase 4, onde possui um protagonismo para chamar de seu, vemos o sedutor Loki se dissolvendo pelo bom-mocismo, limitando o ator que o interpreta por praticamente uma década. Lembram-se do Hulk no enfadonho Vingadores: Ultimato (2019)?

Sim, é sempre atraente observar um desenvolvimento de personagens que passam por mudanças, dado que o engessamento no tratamento das personagens, costuma afastar o elemento de entretenimento na história sendo contada.

E, é exatamente isto que acontece nesta produção Disney+, que elaborou um texto que segurou Hiddleston nos aspectos mais estereotipados da personagem, que toda vez que vai ao chão por um golpe (repetidas vezes), por exemplo, levanta-se abruptamente jogando a cabeça e cabeleira para trás como uma modelo fotográfica antes do ‘click’.

Aquele Loki que conhecíamos, que até quando era esgoelado por Thanos no ótimo Vingadores: Guerra Infinita (2018), e não perdia a pose de sua personalidade extravagante, já demonstrando algumas mudanças, sem distanciar-se da essência, se foi.

Triste que Michael Waldron pense que uma tomada de consciência da personagem, seja sinônimo de bom caráter, pois ao fazer isso, esvaziou a adorada figura mitológica do reino de Asgard.

A outra Loki

Se por um lado perdemos o melhor do Loki original, ganhamos uma versão que é também carismática, pela performance da inglesa Sophia Di Martino.

Da mesma maneira que seu parceiro de cena, pode-se dizer que a atuação da atriz acabou sendo limitada pelo roteiro pouco inspirado de Waldron. Mesmo assim, ela deu seu jeitinho, e conseguiu alguns momentos de destaque mais que bem merecidos.

O melhor destes, provavelmente, veio no episódio final desta temporada da série da Marvel Studios para a Disney+. Em ‘Por Todo Tempo. Sempre’ testemunhamos uma inversão de papéis muito bem-vinda, que vem para trazer algum contraste em uma narrativa um tanto pálida.

Conclusão

Se a produção Disney+ fez pouco pela personagem principal, e especialmente, por um entretenimento mais envolvente para com o assinante da plataforma. Ao menos pelo episódio derradeiro, que muda completamente o tom do restante da temporada, ganhamos algo mais do que notável: um antagonista extremamente ameaçador para a Fase 4 da MCU.

O surpreendente Jonathan Majors revelou uma das versões da entidade conhecida como “Aquele Que Permanece”, o temido Kang, o Conquistador.

Nem sempre o Universo Cinematográfico da Marvel teve vilões à altura do grupo de super-heróis, antagonistas que nunca chegaram perto de representar uma ameaça a tudo que desejavam preservar. Mesmo Loki, no primeiro filme dos Vingadores (2012) passou longe disso.

Kang, o Conquistador pode ser o que Thanos representou em Guerra Infinita. Se for este o caso, fãs da Marvel, podem se preparar, pois o universo entrou em estado de caos completo. E, não há nada melhor para uma jornada de herói do que um desafio como este.

Os próximos longas-metragens de Doutor Estranho, Homem-Formiga e a Vespa, e Quarteto Fantástico já devem começar a demonstrar que o terror será ainda maior para um provável novo grupo de Vingadores que surgirá… aguardemos.

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