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Teen

Crítica – A Barraca do Beijo 3

Trilogia rom-com adolescente coloca ponto final com terceira parte insossa e inverossímil

Publicado por Aléxis Perri

11/08/2021 18:18

Sabem quando aquela série já deu o que tinha que dar, não tem absolutamente mais nada a dizer, mas ainda assim criam-se e disponibilizam-se temporadas após temporadas?

Então, este não é o caso da série de filmes A Barraca do Beijo, que desde sua gênese já não apresentava qualquer elemento de valor real para se manter. Ainda mais por três longas-metragens!

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Obviamente, tal produção não se apegou a qualquer substância material para seguir em frente. Não mesmo! Temos aqui a boa e velha fórmula de sucesso que, surpreendentemente, ainda resiste para um certo público. Mesmo para gerações mais novas que vieram a esse mundo, menos apegadas a determinados convencionalismos.

Em A Barraca do Beijo 3, já disponível no catálogo da Netflix, retornamos ao triângulo – Elle, Lee e Noah. É o verão antes de Elle (Joey King) ir para a faculdade, e ela está enfrentando a decisão mais difícil de sua vida: se vai se mudar para o outro lado do país com seu namorado dos sonhos Noah (Jacob Elordi) ou cumprir sua promessa de ir para a faculdade com seu melhor amigo Lee (Joel Courtney). De quem será o coração de Elle?

Aturando Elle

Ficaram atentos à pergunta no final da sinopse?

“De quem será o coração de Elle?”

A resposta é: qualquer um, menos ela própria!

Aqui encontra-se o maior problema, não apenas desta terceira parte, mas de toda a trilogia dirigida por Vince Marcello. Não importa a quantidade de carisma da atriz Joey King, pois todas as atitudes e palavras manifestadas por ela, ou são uma expressão de clichê de gênero, ou abstinentes de real sentimento.

Pior: isso não é exclusivo à protagonista da história, pois praticamente todo o elenco (jovens e adultos) se juntam à ela com performances que não passam da temperatura morna; entregando uma enorme ironia, já que A Barraca do Beijo 3 acontece durante o verão americano de muito sol, praia e piscina.

Milagrosamente há uma exceção em todo o elenco que foi capaz de demonstrar algo crível no meio de tanta plasticidade: Meganne Young, que faz o papel da namorada de Lee.

Se encontrarem um mínimo traço de nuance ao assistirem esta produção original da Netflix, certamente, o mérito é só dela e de mais ninguém.

Um oceano de clichês envelhecidos

É muito natural cobrar dos atores quando não sentimos nada pela evolução do enredo sendo contado.

Bom, infelizmente, em alguns momentos nem é possível afirmar que temos uma narrativa em execução durante A Barraca do Beijo 3. Apenas um amontoado de ações que pouco ou nada entregam.

No entanto, é necessário admitir que em dois momentos existe algum valor em cena, no caso: a corrida de kart com parte do elenco fantasiado; e o flash mob durante um jantar de gala.

De resto? Nada que realmente mova os conflitos da protagonista para a frente, que ainda teve de lidar com o novo relacionamento de seu pai. As cenas entre Joey King e Bianca Amato, que interpreta a nova namorada do pai, são modorrentas de se assistir.

Com um roteiro que está mais preocupado em encaixar-se nos moldes do que tratar algumas dúvidas e questionamentos que surgem com o amadurecimento, fica muito complicado de se envolver com esta parte final da trilogia original da Netflix.

Conclusão

Curioso, que tirando o triângulo principal de A Barraca do Beijo, definitivamente, o maior nome do elenco na produção é o da atriz Molly Ringwald, que foi ícone teen durante a década de 80, através das obras Gatinhas & Gatões (1984), Clube dos Cinco (1985) e A Garota de Rosa Shocking (1986), todas estas produções assinadas pelo respeitado John Hughes (1950 – 2009).

Ao escalar Ringwald nesta trilogia Netflix baseada nos livros escritos por Beth Reekles, o diretor Vince Marcello busca reativar o cinema teen daquela época e, deve-se dizer que consegue emular alguns dos tradicionalismos daquelas obras, que em tempos atuais, mostram-se um tanto datadas.

Só que Marcello se esqueceu do principal ingrediente presente na filmografia de John Hughes: alma.

Os personagens escritos ou dirigidos pelo falecido artista não se revelavam inócuos. Muito pelo contrário!

Enquanto os jovens de A Barraca do Beijo 3, simplesmente parecem estar sentadinhos à janela do banco passageiro.

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