Crítica: Control Z – 2ª Temporada

Drama teen mexicano da Netflix é protocolar no suspense, e quase que inteiramente vazio na abordagem da geração Z

Publicado em 4/8/2021
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Vez ou outra, tropeçamos em conversas ou discussões que falam sobre gerações. Aí no meio dessas conversas, escutamos expressões como Baby Boomers ou millenials, talvez, sem realmente saber o que significam.

Nesse momento que bate aquela curiosidade de pesquisar, e saber a qual destas gerações designadas por letras do alfabeto pertencemos. De acordo com o marketing atual, nos referimos aos nascidos em meados do século XX até o início do século XXI, deste modo:

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Geração Baby Boomers, nascidos entre 1940 e 1960; Geração X, nascidos entre 1960 e 1980; Geração Y (millennials), nascidos entre 1980 e 1995; Geração Z (GenZ), nascidos entre 1995 e 2010; e Geração Alpha, nascidos a partir de 2010.

Se achou na cronologia?

Bom, a Netflix certamente que sim, pois criou, e agora está disponibilizando, a segunda temporada da série de drama adolescente Control Z, que começou como uma caçada ao hacker no Colégio Nacional, após este expor um segredo de uma estudante, assim como tantos outros segredos de vários alunos.

No final da primeira temporada foi revelado quem estava por de trás disso tudo. Agora, na segunda parte teremos um novo mistério decorrente da trágica morte do jovem Luis (Luis Curiel). Falou mistério, entra em campo a intrépida Sofía Herrera (Ana Valeria Becerril), que vai agir como uma versão teen moderna de Sherlock Holmes, até encontrar quem é a figura que está buscando se vingar da morte de Luis.

Geração Zzzzzz…

Retornando às pesquisas sobre gerações, além de nossas observações cotidianas no dia a dia, seja da vida real, assim como do universo sem limites das redes sociais, notamos que os tempos e suas mudanças (sociais, econômicas, políticas) movimentam as pessoas de forma diferente. Desta maneira, podemos perceber diferentes características de comportamento, ou até mesmo visões completamente opostas de como enxergar nossa própria condição perante uma estrutura social vigente.

Daí vivermos tempos polarizados de muitos atritos em vários setores!

Tudo isso é muito natural! Em uma sociedade multitudo, estranho seria termos uma única resposta ou padrão universal para todas as coisas. Nessa hora que deveria se destacar nossa iniciativa de elevar pontes de comunicação, para que em conjunto, possamos encontrar alguns meios comuns na tentativa de evitar certos desfavorecimentos, especialmente para aqueles que vivem às margens.

Curioso, dado que ao analisarmos os acontecimentos da produção mexicana Control Z, percebemos que algumas das características reconhecidas como elementos identificáveis dessa específica geração, servem mais como pano de fundo, do que realmente sobre tal juventude moderna.

É como se todos os jovens personagens desta série original da Netflix, apenas repetissem os mesmos erros que qualquer outra geração faria, seja esta qual for.

Pior: pouco ou quase nada se sente pelas performances do elenco, que entrega o mais do mesmo; muita ação e reação, pouco real conflito.

Assim, sobrou um cenário desperdiçado onde havia espaço e conteúdo para que fosse desenvolvido assuntos e temas relevantes, como identidade de gênero, homofobia, machismo, entre outros. Ainda mais para as novas gerações, que obviamente são o público-alvo de Control Z.

Suspense vazio

Neste 2021, já tivemos algumas produções na língua espanhola de maior destaque dentro do catálogo da Netflix, como Elite (4ª temporada), O Inocente (minissérie) e Quem Matou Sara? (2ª temporada), por exemplo. Agora, junta-se ao grupo Control Z, criação do trio composto por Carlos Quintanilla Sakar, Adriana Pelusi e Miguel García Moreno.

De um lado, temos duas produções espanholas; do outro, duas mexicanas. Nessa disputa Espanha contra México, está 1 a 0 para os europeus.

Se Elite não ajudou nem um pouco, a minissérie O Inocente fez o trabalho de verdade por todas as outras produções. E, o mais precioso disso é constatar que a série teen mexicana, é tudo o que há de mais supérfluo em Elite e Quem Matou Sara? juntas!

De modo mais resumido: O Inocente não apenas dá base, constrói e trata seus personagens em complexas nuances, como também mergulha todos estes dentro de um labirinto que vai ficando cada vez mais confuso e pesaroso, aumentando exponencialmente os conflitos em cena, assim como a carga emocional, tanto para os atores, quanto para os espectadores, que não têm outra saída, e deverão acompanhar todos os episódios roendo as unhas de tensão.

Todas as outras citadas anteriormente, incluindo Control Z, não conseguem colocar em prática nada disso. No lugar, temos um tipo de suspense um tanto vazio, que enquanto busca a identidade do vingador de Luis, comenta superficialmente alguns causos adolescentes, sem realmente adentrar de verdade nestes.

Praticamente, pretextos para desenvolver pares românticos por toda a história. O episódio ‘Novos prazeres’ não deixa mentir, já que em seus momentos finais testemunharemos vários pares (e trio) fazendo sexo sincronizadamente.

Sim, deve-se admitir que os dois capítulos derradeiros desta segunda temporada trazem um pouquinho mais de energia do que tudo visto até aquele momento. Ainda assim, percebem-se os mesmos macetes, deixando o assinante Netflix naquele ‘cliffhanger’ para a próxima temporada, que indica um mistério ainda mais cabeludo a se desenrolar.

Conclusão

No hilário filme Anjos da Lei (2012) de Phil Lord e Christopher Miller, ouvimos da boca do Capitão Dickson, papel do rapper e ator Ice Cube: “São adolescentes, cara. Eles são realmente estúpidos!”

Claro, que por mais engraçado que tenha sido (e foi) ouvir tais palavras, ainda mais, ditas pela lenda do rap Ice Cube, não dá para aceitar tal profecia como verdade. Longe disso!

Porém, lamentavelmente, é isso o que foi entregue nesta produção mexicana original da Netflix. Um bando de jovens deslocados e insípidos com um celular nas mãos, que respondem enquetes de vida ou morte nos stories do Instagram, sem qualquer noção sobre causa e consequência.

Talvez, o cineasta Richard Linklater (Escola de Rock; Boyhood: Da Infância à Juventude) tenha razão. Não mudamos de verdade com o passar dos tempos. Somos essencialmente os mesmos, apenas nos adaptamos aos momentos que estamos vivendo.

Melhor a Netflix ir pesquisando o quê fazer com a Geração Alpha.

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