Crítica – A Menina que Matou os Pais

Longa sobre o caso nacionalmente conhecido chegou na Amazon Prime Video contando a versão do namorado

Publicado em 24/09/2021 16:37
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Talvez a geração mais nova não tenha a mínima ideia quem são: Suzane von Richthofen e os irmãos Cravinhos.

Natural, em vista que já se passaram quase vinte anos da fatídica noite, quando os pais de Suzane, Manfred e Marísia, foram encontrados na cama do quarto, assassinados por Daniel e Cristian, que usaram barras de ferro para o serviço.

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Quem viu, lembra! Foi o maior estardalhaço, a imprensa acampava na porta da casa classe média alta onde viviam a família Richthofen, cobriam cada movimento do caso com a polícia e equipe de investigação, até programas de variedades com culinária e artesanato discutiam o acontecido. Em resumo, uma cobertura total.

E, não é novidade que o público em geral, adora um pão e circo. Deste modo, acompanhamos por alguns anos, todo tipo de assunto relacionado ao caso, incluindo o julgamento dos réus.

Quase vinte anos depois, alguém achou uma boa ideia transformar este grande evento televisivo do começo do século, não apenas em uma, mas duas obras ficcionais. Cada uma mostrando sua versão dos fatos, sendo a primeira pelo ponto de vista do namorado Daniel Cravinhos (Leonardo Bittencourt).

Ele disse

Em A Menina que Matou os Pais, basicamente, acompanhamos o julgamento dos três envolvidos no caso. Por aproximadamente, uma hora e meia assistimos o “bom moço” Daniel contar como era o seu relacionamento com Suzane até o dia 31 de outubro de 2002.

É no mínimo irônico imaginar que, pela versão de Daniel, existia algo quase shakespeariano no relacionamento deles, já que a família Richthofen não aprovava a relação da filha, porque o moço fazia parte de uma classe social inferior e sem os devidos estudos.

Assim, testemunharemos uma extensa sessão flashback, precisamente interrompida em alguns momentos, para acompanharmos o discurso do jovem perante o júri.

Lamentavelmente, não há muito mais do que isso em termos narrativos na versão A Menina que Matou os Pais. Sempre com a câmera posicionada no mesmo ponto, captando as expressões do jovem ator Leonardo Bittencourt.

É preciso afirmar que Bittencourt saiu-se bem no papel, mostrando-se bem à vontade nas cenas com a parceira Carla Diaz, que interpreta Suzane von Richthofen. Na grande cena, também vemos que Leonardo Bittencourt deu tudo de si, como se imaginava.

Uma pena que o diretor Mauricio Eça não fez questão de acompanhar um de seus protagonistas neste suposto grande clímax, pois infelizmente, não temos algo crescendo, e crescendo, e crescendo até o momento que os dois irmãos invadem o quarto de Manfred e Marísia. É um tanto distante, pelo ponto de vista do assinante da Amazon Prime Video.

A queda do “anjo”

O grande problema com A Menina que Matou os Pais é a falta de qualquer contraponto. Isso acaba estacionando o material em algo muito simplista, apesar do esforço e paixão nas performances do elenco. No fim, tudo o que restou dessa produção original da Amazon Prime Video foi apresentar a queda do “anjo” Daniel, corrompido pela ardilosa Suzane.

Existem os chamados estudos dos anjos, onde cada um destes ganhou um significado específico de acordo com certas características e datas. E, o anjo da guarda Daniel é conhecido como a entidade celestial que domina a justiça, dando inspiração àqueles que são incumbidos de muitas decisões e não sabem como tomá-las.

Olha, o tamanho dessa ironia aí!

Assim, acompanhar a espiral de decisões equivocadas de Daniel, que incluem, principalmente, manter uma relação amorosa com uma namorada mega tóxica, não seguram o espectador.

Algo um tanto curioso, pois aqueles que se lembram do caso, sabem que o mundo todo apontou o dedo em riste de condenação à bela jovem, que supostamente tinha tudo o que queria na vida. A turma do pão e circo, já mostrava a inclinação pelo justiçamento como forma de expressão natural, descartando quaisquer outras possibilidades diferentes da própria fúria sem base de conhecimento.

No final, a pergunta que fica é: qual a proposta ou necessidade de se criar uma obra como A Menina que Matou os Pais, se tudo o que tem a dizer já foi dito antes pelas coberturas jornalísticas, seja televisão, rádio, ou internet?

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