Crítica – Intrusion

Suspense da Netflix tem Logan Marshall-Green como principal força em uma trama mais do que previsível

Publicado em 23/09/2021 08:42
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Alguns dizem que somente conhecemos de verdade nossos parceiros, após vinte anos de casamento.

Bom, se é isso o que dizem, significa que até chegarmos nessa marca, estamos morando com um real estranho, correto?

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Aparentemente, sim. Seja como for, é sobre isso o que veremos em Intrusion, dirigido por Adam Salky, e disponível no catálogo da Netflix. Simples assim.

Lamentavelmente, a obra de Salky não apresenta quaisquer cores diferentes do usual. Então, fica a pergunta: qual o motivo de nos segurarmos até o fim da história, se pelo começo já temos indícios claros do rumo das coisas?

Assim, como a simplicidade do roteiro escrito por Chris Sparling, temos apenas uma única resposta aceitável, no caso, o ator americano Logan Marshall-Green (Prometheus; Homem-Aranha: De Volta ao Lar; Upgrade: Atualização; Olhos que Condenam).

Quando um marido e mulher se mudam para uma pequena cidade, uma invasão na casa deixa a esposa traumatizada e desconfiada de que as pessoas ao seu redor podem não ser quem parecem.

Esqueletos no armário

Só de olhar o cenário em Intrusion, nos tocamos qual o tipo de história que estamos prestes a embarcar. Pera aí, história?!?

É, para a tristeza dos assinantes da Netflix, não teremos uma história de verdade nesse longa dirigido por Adam Salky. Na realidade, tudo o que temos pelo texto de Sparling é a busca por uma patologia. Nada mais.

Provavelmente, já ouviram falar da expressão “tirar os esqueletos do armário”, não? É uma frase e idioma coloquial usado para descrever um fato não revelado sobre alguém que, se descoberto, prejudicaria as percepções daquela pessoa; evoca a ideia de alguém ter um cadáver humano escondido em sua casa por tanto tempo que toda a sua carne se decompôs até os ossos.

Não será estranho se após esta explicação lembrar de Psicose (1960), obra clássica do cinema dirigida pelo mestre do suspense Alfred Hitchcock. Mas, é bom avisar de antemão que não encontrará qualquer traço de mistério em Intrusion. Do mesmo modo, como os rastreadores nos celulares dos protagonistas, sempre será lembrado do caminho a seguir. Basicamente, um roteiro com GPS!

E, todos os caminhos nos levam para a casa, que para alguns pode ser confundida como um tipo de mansão. Localizada no meio do nada, rodeada por uma paisagem natural encantadora, percebemos um padrão repetido dos trabalhos do roteirista Chris Sparling, que adora mexer com o psicológico do espectador com a ideia do isolamento.

Porém, seu mais recente trabalho produzido pela Netflix, ficou mais próximo do risível Armadilha (2012), do que o sufocante Enterrado Vivo (2010), estrelado por Ryan Reynolds. Deixando um sentimento de vazio dentro da casa, que só consegue ser preenchido quando temos Logan Marshall-Green em cena.

O marido dos sonhos

Existe uma lista infindável de filmes que se revelaram produções bem abaixo da média, que tinham pelo menos um ator no elenco, entregando uma performance mais do que digna no meio de tanta palidez.

Alguns exemplos: Bette Midler em Abracadabra (1993); Charlize Theron em Branca de Neve e o Caçador (2012); Jake Gyllenhaal em Nocaute (2015); Jennifer Lawrence em Joy: O Nome do Sucesso (2015); entre outros.

Agora, Logan Marshall-Green junta-se a este seleto grupo, após sua performance em Intrusion da Netflix. Se existe qualquer nuance, ou senso de entretenimento na obra de Salky, certamente, o único responsável por isso acontecer é o ator americano de 44 anos de idade.

Desde o começo fica óbvio que existe mais do que os olhos podem ver nesta personagem que faz o papel do marido perfeito. Que nunca é.

Percebe-se pelas contrações faciais e olhares que Marshall-Green reprime algo por dentro. Não se sabe exatamente o quê, e é só por isso que suportamos essa trama tão vazia até o final. Para saber quem realmente é o marido de Meera (Freida Pinto).

O lado positivo disso tudo é saber que Intrusion dura apenas uma hora e meia. Portanto, se aguçar a curiosidade para saber o final da “história”, terá que suportar muito nada por pouco tempo.

Contudo, a maior pergunta que paira na mente é:

“Sério, que para falar sobre casamento, fizeram um filme assim?!?”

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