Crítica – Um Ninho para Dois

Comédia dramática da Netflix tem dificuldade para encontrar o tom, mesmo com boas performances do elenco

Publicado em 24/09/2021 07:55
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Falar sobre luto nunca é algo fácil. Mesmo porque existem tantas formas de sentir a perda de algo que era/é importante a cada um de nós.

Às vezes, podemos pegar caminhos mais severos, ou também temos a opção de apresentar isso de uma forma mais solar. Engraçado que no momento que se usa esta palavra ‘solar’, logo imagine-se como algo mais leve, ou não tão pesado, pelo menos. Não é o caso.

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Porque o Sol ilumina todas as coisas, correto? Então, isso significa que a sua dor, seu pesar, estarão mais nítidos para todos verem, incluindo nós mesmos.

Um Ninho para Dois, que já se encontra disponível na Netflix, nem sempre mostra saber qual tom usar em determinados momentos, porém, tem a sorte de ter em seu elenco, talentos suficientes para nos manter conectados às vidas que se revelam pela narrativa.

Um casal passa por uma situação difícil, levando Jack (Chris O’Dowd) a sair para lidar com sua dor enquanto Lilly (Melissa McCarthy) permanece no mundo “real”, lidando com sua própria culpa. Como se os problemas de Lilly não fossem ruins o suficiente, um estorninho que se aninhava em seu quintal começa a assediá-la e atacá-la e ela fica comicamente obcecada em matá-lo. Lilly finalmente encontra orientação de Larry (Kevin Kline), um psicólogo peculiar que virou veterinário com um passado conturbado. Os dois formam uma amizade única e improvável, pois um ajuda o outro a explorar, reconhecer e enfrentar seus problemas.

Armadilhas do gênero

Definir os trabalhos exclusivamente pelos gêneros selecionados é um tanto vazio quando se fala sobre linguagem narrativa. Obviamente, em tudo o que se diz e faz, existe uma tonalidade própria que especifica aquilo que está sendo dito ou feito. Na ficção não é diferente.

Também é muito claro que, para alcançar certos objetivos pela história sendo contada, existem formas que melhor harmonizam, e principalmente, facilitam a leitura emocional e intelectual daquilo que está sendo assistido.

Assim, podemos afirmar que Um Ninho para Dois, definitivamente tem o coração no lugar certo, apesar dos caminhos narrativos que tentam sabotar as melhores das intenções.

O longa-metragem dirigido por Theodore Melfi, conhecido pelas obras Um Santo Vizinho (2014) e Estrelas Além do Tempo (2016), parece ter dificuldade de escolher um caminho, em especial, no ato central desta história sobre luto e depressão.

Melfi, apoiado pelo roteiro de Matt Harris, parece querer algo que fique entre a comédia e o drama, mas ao mesmo tempo, flerta claramente com o melodrama de superação. Bom avisar que não há nada de errado com filmes que buscam exaltar a volta por cima na vida, porém, obras assim costumam baratear os conflitos emocionais das personagens.

O exemplo mais claro dessa opção melodramática pode ser percebido via olhos e ouvidos. Visualmente, temos a cinematografia de Lawrence Sher que não apresenta qualquer variação de tom, quase sempre iluminando os ambientes; mas, o pior vem pela trilha sonora, que opta por canções ‘feel good’ que simplesmente não ornam com as emoções travadas da dupla de protagonistas, nada contra as belas composições, é que elas não condizem com a realidade narrativa.

A vulnerabilidade dos comediantes

Se o cineasta apresenta dificuldades com a linguagem, certamente isso irá afetar o trabalho do elenco. Bom, sorte dele que escalou alguns artistas que, apesar da indecisão, mostram-se mais do que capazes de expor emoções genuínas, seja o campo narrativo escolhido.

Pela performance de Melissa McCarthy, que já mostrou ser mais do que uma atriz cômica, ainda mais depois do convincente trabalho visto em Poderia Me Perdoar?, observamos ela ser contida pelo texto de Harris, que não dá espaço para qualquer nuance. Mesmo assim, McCarthy consegue entregar uma performance honesta e naturalmente emotiva.

Mas, quem realmente surpreende é o ator e comediante irlandês Chris O’Dowd, que em Um Ninho para Dois demonstra seus bons predicados para o drama, entregando nuances que dão alma à produção original da Netflix. Ficando mais fácil se comover com a dor pontiaguda em seu coração.

Caso Theodore Melfi tivesse fincado suas raízes na dramédia, afastando-se do melodrama, possivelmente, O’Dowd seria (ainda) mais protagonista. As cenas de diálogo entre seu personagem e o psiquiatra, são o melhor exemplo do que boa comédia dramática pode fazer pela sua história.

Que o cineasta saiba aproveitar melhor suas chances no próximo projeto que escolher, pois se assim o fizer, estará mais perto de apresentar materiais de maior destaque.

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