Crítica – O Bingo Macabro

Welcome to the Blumhouse da Amazon Prime Video retorna com produção camp divertida, denunciando os males do capitalismo

Publicado em 02/10/2021 07:16
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Para aqueles que não se recordam, Welcome to the Blumhouse é uma série de filmes que consiste em histórias de terror e suspense antológicas, desenvolvidas e produzidas pela Blumhouse Productions para a Amazon Prime Video. Anunciados como uma colaboração contínua entre as empresas, os filmes incluem visões distintas e perspectivas únicas sobre temas comuns. Os quatro primeiros se concentraram na família e amor como forças redentoras ou destrutivas, enquanto os próximos quatro lançamentos se concentrarão em horrores institucionais e fobias pessoais.

Os primeiros quatro filmes da série antológica (Mentira Incondicional; Caixa Preta; Mau-Olhado; Noturno) foram anunciados e disponibilizados como filmes duplos, todos lançados em outubro de 2020. Agora, a série continua com mais quatro filmes programados a serem lançados neste mês, com o divertido O Bingo Macabro iniciando esta segunda e final parte de Welcome to the Blumhouse.

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Depois que a ativista do bairro de 60 e poucos anos Lupita (Adriana Barraza) descobre que sua amada sala de bingo local foi ocupada por um misterioso empresário chamado Mr. Big (Richard Brake), ela reúne seus amigos idosos para lutar contra o enigmático empresário. Mas, quando seus vizinhos de longa data começam a aparecer mortos em circunstâncias terríveis, Lupita de repente descobre que a gentrificação é o menor de seus problemas. Algo assustador está acontecendo no bairro tranquilo de Oak Springs, e a cada novo grito de “Bingo!”, outra vítima aparece com uma sensação de presença diabólica no ar. À medida que os prêmios em dinheiro aumentam e a contagem de cadáveres aumenta constantemente, Lupita deve enfrentar a assustadora percepção de que neste jogo, o vencedor leva tudo.

A resistência dos idosos

Na altura do quinto minuto de O Bingo Macabro, vemos a enfezada senhorinha Lupita, papel da mais que competente Adriana Barraza, caminhando pelo bairro que ajudou a construir e preservar por décadas, notar uma nova cafeteria. Ela para e observa os jovens entrando e saindo do lugar, enquanto fazem selfies, ou trocam livros gratuitamente, vestidos com roupas bem descoladas. Lupita fecha a cara em desaprovação, e diz em espanhol – “Hipsters de mierda!”

Só esta introdução já é capaz de revelar o tipo de território que estamos pisando com O Bingo Macabro, que promete alguns risos genuínos (especialmente com a veterana protagonista), sangue coagulado e muito ‘camp’.

Caso desconheçam, ‘camp’ é um estilo estético e sensibilidade que consideram algo atraente pelo seu “mau gosto” e valor irônico. A estética ‘camp’ rompe muitas das noções do modernismo sobre o que é arte e o que pode ser classificado como arte erudita, ao inverter atributos estéticos como beleza, valor e gosto por meio de um convite a um tipo diferente de apreensão e consumo. Onde a chamada arte erudita necessariamente incorpora beleza e valor, ‘camp’ precisa ser vívido, audacioso e dinâmico.

Usando destes elementos que a diretora Gigi Saul Guerrero entrega uma obra que, provavelmente, divertirá o assinante da Amazon Prime Video com seu estilo claramente influenciado por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

Sendo que a cereja do bolo é o elenco veterano liderado por Adriana Barraza, que ficou mundialmente conhecida por seu papel no drama Babel (2006) de Alejandro González Iñárritu.

Armadilhas do capitalismo

Apesar desta opção narrativa definida por Gigi Saul Guerrero, não se enganem, pois existe muito mais em O Bingo Macabro do que os olhos podem ver. O filme da Amazon Prime Video faz uma denúncia clara e direta ao ideal capitalista, que busca estabelecer a diferença entre perdedores e vencedores na sociedade.

Infelizmente, o pequeno bairro Oak Springs não anda bem das pernas. Muitos comércios antigos fechando, novas empresas franqueadas abrindo lojas no lugar, pessoas tendo que se mudar de suas residências, e assim por diante.

É o velho mundo sendo engolido pelo novo.

E, nesse processo digestivo social, percebemos que os primeiros a rodar são os mais desfavorecidos, que pelo sistema capitalista são direcionados, de todas as maneiras, a sempre olhar para o topo da pirâmide, sem a mínima chance de algum dia chegar perto do ponto mais alto.

Assim, se iludem ou até morrem com aquela ideia plantada em suas mentes de que o que possuem nunca é o suficiente, consequentemente, tentam escalar essa montanha a todo custo sem o amparo das ferramentas básicas para poderem sobreviver. Algo realmente diabólico!

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