Crítica – O Último Duelo

Apesar da pouca inspiração, o renomado Ridley Scott retorna aos filmes medievais cumprindo a tabela enquanto aborda a misoginia na sociedade

Publicado em 13/10/2021 17:12
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Não é segredo que o respeitado cineasta inglês Ridley Scott é um dos profissionais de carreira mais irregular em Hollywood.

Na sua extensa filmografia temos obras admiráveis, como Alien – O 8º Passageiro (1979), Blade Runner – O Caçador de Androides (1982), Thelma & Louise (1991), Gladiador (2000) e Falcão Negro em Perigo (2001); assim como também temos algumas produções que se revelaram muito (!) abaixo da média, como Até o Limite da Honra (1997), Hannibal (2001), Êxodo: Deuses e Reis (2014), Alien: Covenant (2017) e Todo o Dinheiro do Mundo (2017).

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Praticamente, desde O Gângster (2007) que não testemunhamos um trabalho de Scott que seja capaz de deixar o espectador boquiaberto.

Pelo meio, encontramos aquelas obras que fazem certinho, mas que apresentaram pouco para merecer maiores destaques, tipo: Rede de Mentiras (2008), Robin Hood (2010) e Prometheus (2012).

Estreando nas salas de cinema chega O Último Duelo, que se encaixa nessa última coluna na filmografia de Ridley Scott. Aqueles que mostram predicados claros, porém dispõem de algumas dificuldades para fazer elevar sua narrativa de modo constante.

Baseado em fatos reais, o filme desvenda suposições antigas sobre o último duelo sancionado pela França entre Jean de Carrouges (Matt Damon) e Jacques Le Gris (Adam Driver), dois amigos que se tornaram rivais amargos. Carrouges é um cavaleiro respeitado conhecido por sua bravura e habilidade no campo de batalha. Le Gris é um escudeiro normando cuja inteligência e eloquência o tornam um dos nobres mais admirados da corte. Quando a esposa de Carrouges, Marguerite (Jodie Comer), é estuprada por Le Gris, uma acusação que ele nega, ela se recusa a ficar em silêncio, avançando para acusar seu agressor, um ato de bravura e desafio que coloca sua vida em perigo. O julgamento de combate que se seguiu, um duelo extenuante até a morte, coloca o destino de todos os três nas mãos de Deus.

Narrativa fragmentada

O longa-metragem de Scott foi baseado no livro The Last Duel: A True Story of Trial by Combat in Medieval France (no traduzido, O Último Duelo: Uma Verdadeira História de Julgamento por Combate na França Medieval) de Eric Jager.

Comprados os direitos, vem a tarefa de adaptar a obra literária, portanto, reuniram um trio de ferro parada dura para a missão: a dupla de atores e amigos de infância, Ben Affleck e Matt Damon, ganhadores do Oscar de Melhor Roteiro Original por Gênio Indomável (1997); além da competente Nicole Holofcener, responsável pelo roteiro das produções À Procura do Amor (2013) e Poderia Me Perdoar? (2018).

Se no papel o time prometia, na prática ficou um pouco a desejar.

O trio estruturou uma história dividida em três capítulos. Cada um representando uma versão dos acontecimentos pela perspectiva das três personagens centrais da trama.

Executando dessa forma, escapa da superficialidade de produções como A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais, que dispuseram suas versões em filmes separados sem qualquer contraponto ou conflito, apenas tagarelando situações sem um mínimo traço de reflexão.

Entretanto, provido de extensa duração (152 minutos), exibe mais (e repetidamente) do que tem a dizer, até mesmo porque fica claro pelas mãos de Ridley Scott quem este apontou como a versão verdadeira dos fatos.

Elenco estelar brilhando

O trio de ataque em O Último Duelo é dos maiores atrativos dessa obra. E, graciosamente, todos deixam à vista performances de grande valor.

Matt Damon personifica a essência do homem guerreiro daquela era. Implacável nos campos de guerra, mas cortês na fala, afinal, é um servo à coroa do rei. Interessante que no primeiro ato, que representa a sua versão dos fatos, revela ser um homem paciente e carinhoso para com todos, enquanto nas partes seguintes, vemos um homem impetuoso e muito orgulhoso.

Adam Driver, um dos atores mais requisitados nos últimos anos em Hollywood, vai bem com um personagem menos nuançado. Ainda assim, compõe uma figura imponente e charmosa que será capaz de mover o espectador para ambos extremos.

Se nos dois primeiros atos, dominam os homens; no terceiro é a vez da persuasiva Jodie Comer dar um baile em cena!

Fica claro pelo início do terceiro capítulo que o diretor Ridley Scott apontou a versão de Marguerite como aquela que traduz a verdade dos acontecimentos. Desta maneira, observaremos uma performance de Comer que fica entre a manifestação fibrosa e a contenção das angústias.

Decididamente, os dois momentos mais inspirados e sensíveis do cineasta inglês em O Último Duelo vieram através da atriz inglesa de apenas 28 anos de idade:

No primeiro, estamos no capítulo que indica a visão de Jacques Le Gris, que apesar de ser a versão do estuprador, em nenhum momento duvidamos de nossos olhos e outros sentidos, já que em cena há claramente um ato de violência sexual sem consentimento; no outro momento, nos encontramos na resolução da história, onde visualizamos a face de descontentamento de Marguerite após o fim da grande batalha entre seu marido e Le Gris.

Pela cartada final, Ridley Scott indica o sentimento e perspectiva social da mulher no dia a dia, que assim como a jovem Mari Ferrer, se vê injustamente obrigada a viver à sombra do terror e da falta de reconhecimento.

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