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Fase 4

Crítica – Eternos

Nova apresentação da Marvel Studios traz novos ingredientes, mas tem complicações para equilibrar emoção e reflexão

Publicado por Aléxis Perri

02/11/2021 18:49

Se em 2020 não tivemos qualquer entrada dentro do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), 2021 veio cheio de novidades! Todas autorizadas pelo chefão de bonezinho Kevin Feige, o todo poderoso Senhor da Marvel Studios.

Em janeiro, já pudemos acompanhar o primeiro cartão de visita da chamada Fase 4 da MCU com a competente série da Disney+ WandaVision. Seguindo com esta nova fase, Eternos chega às salas de cinema pelo país, representando o vigésimo sexto longa-metragem deste universo que aparenta não ter fim.

Dirigido por Chloé Zhao, a mais recente vencedora do Oscar na categoria Melhor Direção, e abastecido de um numeroso e qualificado elenco, Eternos ocorre após o retorno de metade da população em Vingadores: Ultimato (2019), quando os Eternos – uma raça alienígena imortal criada pelos Celestiais que viveram secretamente na Terra por mais de 7.000 anos – deverão se reunir novamente para proteger a humanidade de suas contrapartes malignas, os Deviantes.

Zhao dentro da Marvel

Existe uma reclamação em comum de uma parte da ala que acredita que o Universo Cinematográfico da Marvel se encontra em estado de inércia. Lançando produções padronizadas que, apesar de agradáveis no quesito entretenimento, pouco ou quase nada oferecem substancialmente ou emocionalmente ao público fiel.

Convenhamos que isso não surpreende, já que são raríssimas as oportunidades de encontrar alguém que possui uma singular forma de narrar uma história encabeçando estas produções de grande escala. Desde 2008 quando lançaram Homem de Ferro, o primeiro capítulo da MCU, só tivemos quatro cineastas dentre tantos, capacitados a contar algo de uma maneira que consigamos sentir seu trabalho sobressair a fôrma de bolo estabelecida por Kevin Feige, são eles: Jon Favreau, James Gunn, Sam Raimi (que dirigirá o próximo filme-solo do Doutor Estranho), e por último, a virtuosa Chloé Zhao.

Ela que já se firmou como um dos grandes nomes em Hollywood atualmente, por entregar obras memoráveis, como Domando o Destino (2017) e o multipremiado Nomadland (2020), tenta aqui fundir sua visão narrativa com um mundo de seres super poderosos capazes de realizar feitos inimagináveis.

O resultado foi um filme que, diferentemente de alguns projetos mais recentes da Marvel Studios, esforçou-se para contar histórias com (mais) paciência do que estamos acostumados em obras deste estilo. Porém, nem sempre a talentosa Zhao conseguiu casar todos os elementos propostos em Eternos.

Reflexivo, mas (um pouco) inócuo

Para quem assistiu Nomadland, seu projeto anterior, já têm o conhecimento de que os maiores predicados no cinema praticado por Chloé Zhao vêm pelas imagens que monta como um quebra-cabeça em seus filmes.

A jovem diretora de 39 anos de idade, nascida em Pequim, na China, ao lado do diretor de fotografia Joshua James Richards instituíram uma comovente narrativa imersiva em seus dois trabalhos juntos. Zhao adora a perspectiva de observar o humano perante a opulência da natureza, que através de seus olhos representa a pureza de nossas melhores condições.

O cinematógrafo Ben Davis, até consegue emular algo de Zhao na grande produção Eternos. Todavia, a montagem deste filme da Marvel trata de desperdiçar os maiores talentos desta diretora de origem chinesa.

É como se tivéssemos duas formas narrativas diferentes dentro do mesmo material, que conseguem se comunicar, mas sem alcançar o máximo de seu potencial, tanto por uma via quanto por outra.

Uma obra que tem clara intenção de instigar uma reflexão sobre nossas transformações perante novos contextos que nos são apresentados e como reagimos quando sentimos que não devemos aceitar o nosso destino de boa vontade, que somos capazes de desenvolver uma nova consciência, que geralmente chega pelo caminho do amor e compaixão. Decididamente complexo, mas pouco eficaz, uma vez que faltou um bocadinho de pulsação em determinados momentos; além de uma narrativa mais enxuta, pois é notável o excesso de gordurinhas no enredo.

Conclusão

Eternos é, definitivamente, o projeto mais “diferentão” da Marvel Studios. Não só nesta Fase 4, mas em alguns anos. Certamente, desde Guardiões da Galáxia (2014) de James Gunn não tínhamos uma tentativa tão autoral dentro do Universo Cinematográfico da Marvel.

Pena que não conseguiu funcionar redondinho! Mesmo assim, só por arriscar algo um pouco menos padronizado, tentando quebrar o molde, ganha alguns pontos.

Eternos pode não ter sido aquilo que prometia, mas sai-se melhor que outras produções MCU, que falharam pela insipidez ou enganação, como Homem de Ferro 3 (2013), Thor: O Mundo Sombrio (2013), Capitã Marvel (2019), Vingadores: Ultimato (2019), Homem-Aranha: Longe de Casa (2019) e mais recentemente, Loki (2021).

Próxima parada: Gavião Arqueiro.

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