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Punk Rock

Crítica – A Fita Cassete

Dramédia coming-of-age da Netflix indica o que a música pode trazer à sua vida com doçura e vividez

Publicado por Aléxis Perri

04/12/2021 10:42

Tirando algumas raríssimas exceções, estamos sempre acompanhados da música em nossos dias. Faz parte de nossa rotina sermos embalados e empurrados por ela de diferentes formas. Nem sempre nos damos conta da importância disso, mas é como se algo mágico no ar não se esquecesse e estivesse sempre tentando nos alcançar de alguma maneira.

Óbvio que cada indivíduo se encontra ou identifica com sonoridades específicas, algo que os chama mais a atenção ou simplesmente que parece natural para si. Dentre tantos gêneros musicais, podemos sentir atração por: música clássica, country, sertanejo, eletrônica, jazz, música latina, funk, heavy metal, hip hop, reggae, rock, blues, samba, além de uma infinidade de sons diferentes que estão em constante evolução.

O que todos estes estilos musicais diferentes têm em comum?

Simples. Eles conversam com o seu íntimo e desejos naquele determinado momento da vida que se encontra, abrindo possibilidades e alcançando surpreendentes fatores que até aquela hora eram algo inesperado.

A música fez isso pela (super) carismática Beverly (Gemma Brooke Allen) em A Fita Cassete de Valerie Weiss, que em 1999, pouco antes da virada para o novo milênio, descobre uma fita cassete quebrada feita por seus falecidos pais. Ela sai em busca dessas músicas para aprender mais sobre sua mãe e seu pai, que morreram quando ela tinha apenas 2 anos de idade.

Jornada musical

Tem um ditado que diz – “… continuamos a conhecer os mortos, mesmo quando não se encontram mais entre nós.”

Pura verdade. Ainda mais para alguém como a meiga Beverly, que parece uma fusão entre um marshmallow e um algodão doce. A jovem garota está entrando na adolescência, fase de transição onde quer se comunicar com o mundo externo de modo elétrico, mas nem sempre sabe como fazer isso acontecer no sentido prático.

Nesse momento que entra a música na vida dela, trazendo certo conforto para a menina órfã, que definitivamente necessitaria da ajuda dos pais nesse momento onde apresenta dificuldades para fazer amigos, além de ter de aturar outros da mesma faixa etária que são inseguros praticando ‘bullying’, tentando fazer com que ela se sinta menor e mais isolada de tudo à volta.

Portanto, conhecer mais sobre seus pais, seria o mesmo que saber mais sobre si mesma de uma certa forma. À partir do momento que aperta o ‘play’ em um velho walkman, Beverly descobre que o gosto musical de seus pais, ronda o terreno do punk rock e alternativo, de artistas como: Girls at Our Best!, The Blue Hearts, The Kinks, The Stooges, The Quick, entre outros.

Não é preciso muito para perceber que o estilo catártico da música punk ouvida nesta produção original da Netflix serviu à jovem garota como uma luva, que precisa aprender a se defender de terceiros que desconsideram e diminuem suas expressões diariamente.

Sobre quem somos

Um dos fatores mais comuns quando comentamos sobre os benefícios que a música proporciona, são as pessoas que trombamos, muitas vezes acidentalmente pelo meio do caminho, que também estão conectadas na mesma vibração que sente.

A pequena e destemida Beverly está explorando possibilidades, que geralmente surgem quando deixamos outros entrarem em nossas vidas. Muito curioso, já que alguns destes que circulam nosso radar, parecem e se comportam de modo diferente do que estamos acostumados.

É nessa hora que percebemos as qualidades de A Fita Cassete: quando observamos a protagonista ao lado de suas amigas descobrindo quem é e o que aprecia naquele determinado momento.

A alegria e energia em cena, exaltam uma atmosfera de pureza e amor que são totalmente irresistíveis. Mesmo que o assinante da plataforma Netflix não seja do tipo que aprecie as mesmas músicas que a garotinha e seus pais curtiam, é possível empatizar e se envolver emocionalmente com a trama de maneira muito confortável.

Podemos dizer que a obra da estreante Valerie Weiss possui a mesma vibração genuína praticada no cinema de John Carney, cineasta responsável pelos comoventes Mesmo se Nada Der Certo (2013) e Sing Street: Música e Sonho (2016), onde a música é o símbolo daquilo que ama e quer sentir te amando de volta em seus dias.

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