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Gestantes & Robôs

Crítica – Mãe x Androides

Sci-fi pós-apocalíptica da Netflix arrisca alguns comentários, mas termina como uma entediante narrativa a respeito de sobrevivência

Publicado por Aléxis Perri

07/01/2022 21:34

Talvez alguns se lembrem da época quando saiu a dramédia romântica (500) Dias com Ela (2009) de Marc Webb, onde inesperadamente uma garotinha pré-adolescente roubou a cena toda vez (!) que aparecia ao lado de Joseph Gordon-Levitt, seu irmão mais velho na trama.

O talento precoce tinha nome composto e sobrenome: Chloe Grace Moretz.

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A atriz americana de 24 anos de idade, tinha apenas 11 anos quando gravou a produção citada, que serviu como um tapete vermelho para outros trabalhos de grande destaque pelos anos seguintes.

Ela estrelou, ao lado de Aaron Taylor-Johnson, no divertidíssimo Kick-Ass: Quebrando Tudo (2010), e mais à frente no mesmo ano fez parte do ótimo terror Deixe-me Entrar de Matt Reeves. O bom trabalho foi reconhecido, tanto que os titãs Martin Scorsese e Tim Burton, escalaram Moretz nas obras A Invenção de Hugo Cabret (2011) e Sombras da Noite (2012), respectivamente.

Só que na virada para 2013 vimos a jovem atriz ter seu nome composto associado com algumas bombas cinematográficas do patamar de Carrie (2013), A 5.ª Onda (2016), Obsessão (2018), e mais recentemente, Tom & Jerry: O Filme (2021). Até mesmo quando trabalhou ao lado de um cineasta renomado como Luca Guadagnino na nova versão de Suspiria: A Dança do Medo (2018), conseguiu a proeza de entregar uma performance sofrível.

Sim, tivemos alguns trabalhos (um pouquinho) interessantes nessa fase mais recente, porém, ela se destacou mais pelos projetos que fracassaram nos últimos tempos, algo que provavelmente se repetirá na ficção científica Mãe x Androides, que acaba de chegar no catálogo da Netflix.

Situado em um futuro próximo, Mãe x Androides segue Georgia (Chloe Grace Moretz) e seu namorado Sam (Algee Smith) em sua jornada de fuga enquanto o país se encontra em uma guerra inesperada contra os androides. Dias antes da chegada de seu primeiro filho, eles devem enfrentar desafios arriscados enquanto tentam atravessar por uma área tomada pelo levante androide, na esperança de alcançar a segurança antes do bebê chegar.

Falou muito, mas não disse nada!

Pode acreditar que existem alguns pontos que mereceriam ser exaltados nessa produção da Netflix, caso tivessem sido explorados devidamente, e não apenas da forma superficial como foi observado.

Logo no início de Mãe x Androides quando acompanhamos o exato momento que tudo começou a dar errado para o lado dos humanos, podemos perceber duas propostas no mínimo pertinentes: uma fala sobre a dependência humana em relação à tecnologia; enquanto a segunda (mais arrojada), associa a revolta das máquinas que fazem exclusivamente um tipo de serviço terceirizado com as classes trabalhadoras, exploradas pela fatia mais abonada da população.

Promissor, não?! Só que ambas temáticas representaram apenas uma (única) pincelada na tela branca!

Agora, tem a questão da maternidade também. Essa proposta já caminha praticamente do começo ao fim em Mãe x Androides, porém, faltou substância emocional ao abordar as dificuldades, medos e sensações de uma mulher na fase gestante, ainda mais, em um estágio mais avançado, tipo prestes a dar à luz.

No máximo, compreendemos que mulheres grávidas sentem muita dor nos pés e nas costas, algo que nós homens devemos por obrigação buscar conhecimento para não deixar que elas se sintam desamparadas neste momento de extrema sensibilidade. Mas, lembrando que para isso existem livros didáticos de grande qualidade, diferentes dessa produção sci-fi rasa, que não parece se importar nem com robôs ou mães.

Resumindo: apenas mais um filme do tipo sobrevivência.

Todavia, é importante que se diga que nos momentos derradeiros podemos testemunhar Chloe Grace Moretz se entregando de corpo, coração e alma quando percebe e sente profundamente o peso da escolha diante de seus olhos. Só por isso merece ser elogiada, sim!

Uma pena que por todo o caminho até tal momento, não tivemos absolutamente nada para nos conectarmos à essa história, que se revelou como algo sem sabor ou pulso.

Talvez esteja na hora de Chloe Grace Moretz tentar provocar nas entrevistas de talk-show americano, uma possibilidade de termos uma nova entrada na franquia Kick-Ass. Aparentemente, só assim para ela voltar a ser um destaque positivo na curva ascendente.

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