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Maldição

Crítica – Céu Vermelho-Sangue

Produção da Netflix mistura ação e terror de forma inusitada, entretendo sem conseguir aproveitar todo o potencial narrativo

Publicado por Aléxis Perri

24/07/2021 10:18

Um tipo de filão que, vez ou outra, aparece nas grandes salas de cinema pelo mundo, assim como também nas plataformas de streaming são os ‘filmes de avião’. Desnecessário explicar o porquê são chamados assim!

Do mesmo modo que outros tantos filões cinematográficos, os ‘filmes de avião’ foram evoluindo com o tempo, apesar de que na maioria dos casos, rondam o gênero ação misturado com uma boa dose de suspense, como: Força Aérea Um (1997) de Wolfgang Petersen; Plano de Voo (2005) de Robert Schwentke; Sem Escalas (2014) de Jaume Collet-Serra; e 7500 (2019) de Patrick Vollrath, que está disponível no catálogo da Amazon Prime Video.

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Entretanto, também produzem filmes do tipo, voltados mais para o drama, como é o caso do mais que competente Sully – O Herói do Rio Hudson (2016) de Clint Eastwood. Sem esquecer a excepcional paródia farsesca Apertem os Cintos… o Piloto Sumiu! (1980) de Jim Abrahams/David Zucker/Jerry Zucker.

Chegando em Céu Vermelho-Sangue, nova produção original da Netflix, veremos que este longa-metragem alemão se encaixa mais no primeiro grupo, com um diferencial que foge de qualquer parâmetro imaginado para obras do estilo. O filme dirigido por Peter Thorwarth plana pelo gênero do terror, deve-se dizer, de forma bem satisfatória.

O(a) leitor(a) pode estar se perguntando: como?

Bom, não cabe ao redator de textos revelar tais detalhes, porém, pode-se afirmar que o inegável Serpentes a Bordo (2006), estrelado pelo adorado Samuel L. Jackson ganhou um companheiro na categoria ‘filmes de avião que não têm como explicar!’

Em Céu Vermelho-Sangue, acompanhamos mãe e filho durante uma viagem de avião, onde tudo corria de acordo com o esperado, até o momento que um grupo de terroristas tenta sequestrar o voo. Ela logo percebe que, para proteger seu filho, precisará revelar o segredo que tentou esconder sobre a doença que assola seu corpo.

Por essa não esperava!

Sempre é deveras louvável quando artistas, na forma de preferência, ultrapassam certos limites na tentativa de apresentar algo mais original, ou, ao menos pensados um pouco fora da caixinha.

Na real, tudo o que o roteiro escrito pela dupla Peter Thorwarth e Stefan Holtz fez foi juntar dois elementos diferentes, e tentar criar uma receita saborosa dessa tentativa. Pelo espectro do entretenimento, Céu Vermelho-Sangue vai às alturas, definitivamente. Contudo, fica a sensação de que os criadores de tal trama inesperada, não conseguiram aproveitar todo o potencial dramático deste material.

Quantas vezes já ouviram de alguém que algo na vida não tem conserto?

Algumas vezes, imagina-se.

Então, essa é a perspectiva da personagem Nadja (Peri Baumeister), que alguns anos antes foi amaldiçoada, e agora, tem uma vida restrita que lhe impede de fazer tantas coisas, inclusive, de ser a mãe que gostaria para o pequeno e corajoso Elias (Carl Anton Koch).

O duo Thorwarth/Holtz teve a chance de criar um contraponto muito interessante entre terroristas e a protagonista desta história, mas não se aproveitaram muito disso. Ao invés, nivelaram tais personagens pela frieza selvagem dentro de cada um destes.

Sorte maior para a surpreendente Peri Baumeister que teve a oportunidade de revelar os dois extremos que habitam dentro de Nadja. De um lado, a mãe afetuosa e cuidadosa; do outro, a selvageria de uma mulher que faria de tudo, literalmente, para preservar o bem-estar de sua cria.

Cenário de terror

Céu Vermelho-Sangue tem quase duas horas de duração, sendo que a meia hora final é o clímax para os aficionados no gênero do terror. Se a narrativa, quase que perde todo o contraste, ela ganha elementos de ação e pavor que, possivelmente, não pegarão o assinante da Netflix desprevenidos, mas devem fascinar pela construção de um cenário caótico onde parece não haver mais escapatória, e não se sabe mais a quem recorrer.

Lembrando que esta é uma produção europeia, logo, fugiremos do típico final hollywoodiano. No lugar, estabeleceram uma boa ironia para a resolução da história, onde o europeu branco percebe que o homem muçulmano foi aquele que protegeu, e não o que ataca.

É sobre isso do que se trata o longa Céu Vermelho-Sangue: subverter as aparências e elementos pré-estabelecidos pela norma.

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