Críticas

Crítica | O Lamento

A cada ano alguns filmes orientais entram em circuito no cinema brasileiro, sempre trazendo algo de interessante para se analisar. Dessa vez, um sul-coreano é quem aparece como promessa de mais um grande filme. No qual, ele consegue ser.

O Lamento, filme produzido na Coréia do Sul, com a direção de Na Hong-jin, é um longa que mistura elementos do terror e do suspense para nos apresentar uma história original, cheia de peculiaridades. A história gira em torno de um policial chamado Jong-Goo, de uma pequena cidade coreana, que tem de desvendar o mistério do porque tanta gente está morrendo em seu vilarejo.

O que parecia ser uma epidemia, aos poucos vai se mostrando muito mais que isso, ao mesmo tempo que possíveis responsáveis pelas mortes irão surgindo. Jong-Goo, que a principio não estava muito inteirado do porque aquelas mortes vinham ocorrendo, se envolve cada vez na trama, por conta de sua filha apresentar sintomas estranhos ao decorrer do filme.

O Lamento, é um filme, que a princípio, parece ser apenas mais um longa-metragem com uma temática de Zumbis, mas no seu desenvolvimento – que falha em alguns momentos – é possível enxergarmos muito mais que isso, propiciando discussões em diferentes campos, como a religião. Uma das figuras mais importantes do filme, é o Xamã, que através de sua capacidade espiritual, é evocado para solucionar o porque dessa epidemia ter atingido essa população. Essa noção de religiosidade é muito presente no longa, e diferente de outros filmes que não conseguem estruturar esse componente, O Lamento se utiliza desse elemento com uma tentativa de construção de um ambiente amedrontador e fértil, ao mesmo tempo.

Sendo assim, o filme é dividido em três blocos, o primeiro onde nos é apresentado a situação em que o vilarejo enfrenta com decorrentes mortes, sem se aprofundar muito nas questões que envolvem tudo isso. A segunda, o meio termo que o filme não consegue se desenvolver, onde os personagens principais do filme passam a sofrer com essa maldição, e as cenas passam a ficar extremamente cansativas, uma vez que elas são expandidas em muita ação. E a terceira, onde mora seu grande mérito, no qual questões externas e seus significantes são atrelados ao filme, criando um ambiente diferente do que visto até ali, cheio de reviravoltas e personagens paradoxais.

Deste modo, O Lamento se manifesta em sua sequência final através de uma atmosfera inquietante e infernal, onde tudo é revelado de forma surpreendente. Um filme difícil de se assistir, mas com inúmeras qualidades, que por vezes só o cinema oriental consegue trazer.

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