Crítica | Fúria em Alto Mar

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Fúria em Alto Mar chega aos cinemas com alguns atrativos bem grandes para o público. Dos mesmos produtores de Invasão à Casa Branca, o longa traz Gerard Butler como protagonista e ainda Gary Oldman, vencedor do Oscar, em um papel coadjuvante. Apesar dos chamarizes, o filme não vive para responder as expectativas.

O roteiro de Arne Schmidt e Jamie Moss nem deve ser considerado pela má qualidade do longa. Embora possa se argumentar que os diálogos do filme poderiam realmente ter deixado de lado suas máximas e frases de efeito na hora da adaptação, o longa é baseado no romance Firing Point de George Wallace e Don Keith. Nesse ponto, o real questionamento talvez seja como uma história como essa passou pelo crivo ao ponto de um filme de duas horas ser produzido. Talvez o patriotismo estadunidense não deixe o público perceber o quão irreal soa os Estados Unidos, por acaso, serem os únicos prontos para, milagrosamente, tentar impedir um golpe de Estado na Rússia.

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Tendo em vista os diálogos, a escolha de Butler é realmente acertada. Acostumado a fazer papéis como esse, ele entrega o que é necessário. Mas mesmo com um passado traumático levemente explorado, o personagem não passa do raso, se mostrando completamente formado, incapaz de ter um arco de evolução, em uma atuação fria e dura que pouco exige do ator. Esse é basicamente o que se pode falar da maioria dos personagens do filme. Os poucos que fogem dessa crítica, sofrem mais uma mudança repentina do que uma evolução propriamente dita. Um dos poucos que conseguem se sobressair na atuação é Michael Nyqvist. Sua personagem realmente tem um conflito que o ator consegue demonstrar mesmo dentro de suas poucas falas.

Outros nomes do elenco, como Common ou Linda Cardellini também conseguem cumprir bem o seu papel, mas não merecem realmente destaque. Suas personagens, assim como a de Butler, não tem profundidade e, muito por isso, não podemos ver do que os atores são realmente capazes. Gary Oldman, que é na questão de elenco, a grande isca, se mostra um Gary Oldman comum. Longe dos exageros que se tornaram populares ou do brilhantismo que o tornou renomado, o que vemos é uma atuação medíocre para alguém de seu calibre, o que não é de fato ruim, quando se leva em consideração que o mediano de Oldman está acima da média de atuação. Outro nome do elenco que merece destaque é Toby Stephens. Em uma fácil comparação de sua personagem com a de Butler, pode se perceber que Stephens consegue passar a imagem de um capitão frio e durão com mais credibilidade do que o protagonista.

Fúria em Alto Mar se divide em três locais. Quando vamos para a locação principal, que segue a missão submarina comandada por Butler, há de se dizer que o filme consegue trazer um tanto de emoção, o que é louvável quando o cenário é um bando de gente trancafiada em um submarino. Nesse ponto, o filme realmente consegue fazer o possível, mas ao mostrar o lado de fora para revelar o real perigo do relevo marinho para aqueles que estão acostumados em navegar por outras águas, os efeitos especiais podem incomodar os olhares mais exigentes. Outro local explorado pelo filme é uma missão de uma força tarefa pequena em terra. De longe, contém as melhores cenas do filme de um modo geral. Apesar de nenhum ser realmente destacável, a relação entre os militares e o caminho traçado por eles é o que realmente trazem a emoção do filme, além de cenas de ação bem coreografadas e com uma edição limpa, deixando o público a par do que esta acontecendo nas cenas.

O terceiro local explorado é a sala de inteligência do exército estadunidense. Aqui, o longa também não traz nada de muito interessante. Uma das cenas mais bem feitas, principalmente pelo diálogo e pela movimentação da câmera, acontece quando as personagens centrais dessa trama se encontram com a presidente dos Estados Unidos. Apesar da cena ficar interessante e trazer dinamismo a uma reunião claustrofóbica e crucial para o longa, a escolha da câmera inquieta que explora o momento poderia ser mais acertada quando vista a parte do filme como um todo. Dentro do longa, a cena fica dissonante do resto da obra, e pode incomodar o espectador.

Fúria em Alto Mar é mais um filme que em nada acrescenta para indústria, mas para o público certo e, principalmente o estadunidense, pode funcionar como duas horas de entretenimento, embora nada mais que isso.

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